Cristiano Giacomini
Quando uma empresa completa 25 anos, é natural olhar para trás e relembrar as conquistas e os resultados alcançados. Mas, depois de mais de duas décadas empreendendo, acredito que existe algo muito mais importante para explicar a longevidade de um negócio: as pessoas.
Em um País onde cerca de 60% das empresas encerram suas atividades antes de completar cinco anos, conforme dados do IBGE, chegar a um quarto de século é uma conquista que vai muito além dos números. É a prova de uma trajetória construída com trabalho, confiança e resiliência.
Empreender no Brasil nunca foi simples. Quem decide abrir um negócio sabe que o caminho é marcado por incertezas, dificuldades econômicas, aumento de custos e desafios que muitas vezes fogem do planejamento e colocam à prova nossa capacidade de seguir em frente.
É justamente nesses momentos que fica claro que nenhuma empresa cresce ou sobrevive sozinha. Aprendi, ainda no início da minha trajetória, que confiança é um dos ativos mais valiosos que alguém pode construir. Muitas vezes, o que permite que um empreendedor avance não é apenas o capital financeiro, mas o capital humano. São os amigos que acreditam, os parceiros que apoiam, os colaboradores que vestem a camisa e os produtores que continuam confiando no trabalho realizado.
A atividade empresarial costuma ser associada a máquinas e tecnologia. Isso é importante. Mas são as relações construídas entre as pessoas que sustentam uma organização nos momentos mais difíceis. Talvez seja por isso que eu siga otimista. Porque continuo vendo diariamente exemplos de dedicação e vontade de construir.
Vejo produtores que enfrentam as dificuldades do campo sem perder a esperança, colaboradores que transformam desafios em oportunidades e novas gerações assumindo responsabilidades e preparando o futuro.
Neste mês de junho, a Friolack completa 25 anos vivendo também um processo de recuperação judicial. Não é a primeira dificuldade que enfrentamos e, certamente, não será a última que uma empresa brasileira precisará superar. Momentos como esse reforçam uma convicção construída durante a nossa trajetória de que o maior patrimônio de uma organização é a confiança das pessoas que caminham ao seu lado.
Os desafios continuarão existindo. E continuará existindo também aquilo que nos trouxe até aqui: trabalho, confiança, coragem e a certeza de que as grandes realizações são sempre construídas a muitas mãos.
Porque, no fim das contas, empreender é isso: resistir, seguir em frente e continuar acreditando, mesmo quando o caminho é desafiador e incerto.
Diretor da Friolack
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