Ir. Teresinha Dorigon Vieira
Há poucas décadas, falar em emergências climáticas e escassez de recursos era tema distante das conversas cotidianas. Hoje, essa conversa atravessa todos os setores da sociedade, especialmente depois das enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. Médicos, engenheiros, economistas, educadores e profissionais de todas as áreas reconhecem que precisamos mudar de atitude e agir globalmente para cuidar do planeta que compartilhamos com as gerações futuras.
No Colégio Santa Inês, de Porto Alegre, percebemos nas salas de aula que as crianças e adolescentes de hoje são mais sensíveis a essas questões do que gerações anteriores. Quando trabalhamos educação ecológica de forma significativa e bem fundamentada desde a infância, essas aprendizagens não desaparecem. Elas acompanham os estudantes pela vida toda, transformando comportamentos e valores. Vemos isso na prática diária: uma criança que aprende sobre reciclagem, consumo consciente e cuidado ambiental na escola chega em casa e ensina a família. Hábitos pequenos, mas profundamente transformadores. Como se fala: se quisermos começar uma mudança cultural, é pelas crianças que devemos começar. Isso vale para tudo.
E há uma boa notícia escondida entre tanto conteúdo irrelevante trazido pelos algoritmos das redes sociais: jovens conscientes estão mudando comportamentos reais. Escolhem consumo inteligente, abraçam a moda minimalista, evitam desperdício, questionam padrões de consumo. A Unesco, com mais de 500 escolas associadas no Brasil, da qual faz parte o Santa Inês, trabalha incansavelmente para implantar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Nós, das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, estamos entre elas, através da rede Shalom e nossas escolas espalhadas pelo Brasil e mundo, compartilhando dessa missão.
No Santa Inês, desenvolvemos projetos que envolvem toda a comunidade escolar, formada por alunos, famílias, colaboradores e parceiros. Neste ano, focamos especialmente nos impactos do plástico no meio ambiente. Mobilizamos toda a comunidade para coletar tampas plásticas que serão encaminhadas a instituições infantis e ao Instituto do Câncer Infantil. Ações pequenas, mas repletas de esperança e propósito. Essas iniciativas demonstram que a educação vai muito além da transmissão de conhecimento, avançando para a formação de cidadãos comprometidos com a transformação social. Estamos formando cidadãos globais conscientes, como dizemos.
Acreditamos firmemente que quando educamos com propósito, transformamos vidas individuais e, consequentemente, transformamos o planeta. A educação tem o poder de semear consciência, de criar hábitos sustentáveis que perduram, de inspirar gerações a pensar além de si mesmas, pensar nas suas comunidades. Mas essa responsabilidade não é exclusiva da escola. Há dois grandes desafios que precisam caminhar juntos: primeiro, a educação pelo exemplo, modelando comportamentos e valores. Segundo, as políticas públicas que precisam sustentar essas mudanças em larga escala, criando infraestrutura, incentivos e regulamentações que tornem a sustentabilidade acessível a todos.
Quando educação e política trabalham em sinergia, quando há vontade real de transformar, quando compromissos se tornam ações concretas, vemos mudança real acontecer. Não é suficiente apenas falar sobre sustentabilidade; é necessário viver, demonstrar e criar condições para que outros vivam também.
Juntos, escola, família, comunidade e poder público, podemos fazer a diferença. Cada gesto conta. Cada criança educada em valores ecológicos é uma semente plantada para um futuro melhor. Essa é a esperança que nos move no Colégio Santa Inês.
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