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Publicada em 15 de Março de 2026 às 18:12

NR-1 Psicossocial e a fiscalização

Walmir Bandeira, empresário, psicólogo, CEO da BTInova

Walmir Bandeira, empresário, psicólogo, CEO da BTInova

DIVULGAÇÃO/JC
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Walmir Bandeira

Antes de discutir formulários e relatórios, dois fatos precisam ser encarados sem ilusões:

1. Quando a empresa começa a avaliar fatores psicossociais, ela passa a registrar oficialmente informações sobre pressão no trabalho, conflitos e saúde mental. Esses registros podem ganhar importância fora da empresa em casos de demissão, processos trabalhistas, afastamentos ou fiscalizações. O risco não está apenas em não avaliar. O risco também está em acreditar que apenas avaliar resolve o problema.

2. Riscos psicossociais não se comportam como riscos mecânicos. Eles mudam o tempo todo e são influenciados tanto pela forma de liderança quanto pela história e pelos problemas pessoais de cada trabalhador. Por isso, não é simples medir ou controlar esses fatores como se fossem um risco técnico comum.

Muitos empresários tratam a NR-1 Psicossocial como rotina: aplicar questionário, gerar relatório, anexar ao PGR. Mas aqui não estamos falando de máquinas. Estamos falando de comportamento humano — e comportamento não se transforma com planilhas.

Essa norma entra no território da cultura organizacional: percepção de justiça, conflitos, insegurança, estilo de liderança. Avaliar é simples. Planejar também. O desafio real é gerar mudança consistente na mentalidade e no comportamento, protegendo a saúde mental e elevando a performance.

Outro ponto pouco discutido é que registros de apoio psicológico podem ganhar valor probatório externo. O prontuário do psicólogo pode ser solicitado e utilizado como prova em processos trabalhistas ou em casos de afastamento por doença mental.

A questão é estratégica: como reduzir risco sem ampliar exposição? Como fortalecer saúde mental sem produzir passivos?

Existe hoje uma abordagem estruturada de treinamento mental que atua na organização dos pensamentos e na mudança prática de padrões comportamentais — sem revisitar o passado, sem exploração emocional e sem transformar o colaborador em um prontuário.

Ao fortalecer clareza, foco e autorregulação, a empresa reduz vulnerabilidades, melhora o ambiente e atua preventivamente. Mais do que proteger, isso gera impacto direto em produtividade, tomada de decisão, liderança e engajamento. Menos afastamentos, menos conflitos improdutivos, mais execução. Saúde mental deixa de ser custo e passa a ser ROI.

Não é alarmismo. É responsabilidade.

Porque riscos invisíveis não avisam. Apenas aparecem — e cobram.

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