Mariana Turkenicz
Nos últimos anos, tivemos transformações profundas. No mundo, passamos por uma pandemia; no Rio Grande do Sul, pela maior catástrofe climática da história do País. Nos reinventamos, diariamente, com a inteligência artificial, passamos por recessão econômica, atentados, fake news e tantas outras situações que ampliam a vulnerabilidade das organizações.
Vivemos em um ambiente cada vez mais complexo, veloz e exigente. Estamos na era da hiperconectividade, a qual exige fortalecer relações de confiança. A reputação tornou-se o ativo mais valioso de uma empresa — é o patrimônio que sustenta a credibilidade, atrai investimentos, engaja colaboradores e protege as marcas em momentos de instabilidade.
Neste cenário, podemos dizer que há dois tipos de empresas: as que já passaram por uma crise e aquelas que ainda passarão. Preparar-se para enfrentar crises é um alicerce estratégico para manter a perenidade das organizações. E é justamente nos momentos de maior pressão que a comunicação revela sua força e importância. Ser transparente, coerente e humano deixou de ser uma escolha e se tornou uma condição indispensável para a sustentabilidade e a longevidade dos negócios. Colaboradores, clientes, comunidades e imprensa podem ser aliados importantes para sustentar a reputação, com proximidade genuína, baseada no diálogo e na escuta ativa.
Diante de tantas mudanças, não podemos deixar a crise chegar para nos tornarmos mais resilientes. É necessário antecipar-se, ter atitude, comunicar com clareza e agir com coerência. Empresas que conseguirem alinhar estratégia, transparência e empatia estarão mais preparadas para atravessar incertezas, transformar desafios em oportunidades e, sobretudo, preservar e fortalecer sua imagem. Propósito e posicionamento precisam andar juntos, assim como ter clareza sobre valores e princípios permite decisões consistentes, que estimulam a confiança de clientes e dos públicos estratégicos.
A resiliência não deveria nascer com a crise. Ela se constrói antes, com planejamento, mapeamento de riscos, definição de protocolos, treinamento de porta-vozes, simulações de cenários e mecanismos para monitorar vulnerabilidades. Estar preparado significa agir preventivamente para consolidar um trabalho que, quando for preciso, irá absorver impactos fazendo com que sejam os menos danosos possíveis.
Diretora da Enfato Comunicação e especialista em reputação e gestão de crise