Gustavo Machado
As tarifas impostas por Donald Trump aos produtos brasileiros trouxeram o nacionalismo e a soberania novamente à superfície. Lula e seu governo saíram em defesa dos interesses da nação. O senador Hamilton Mourão argumentou que o presidente americano não pode se meter nos nossos assuntos. Houve uma comoção nacional sobre o tema.
Nas décadas de 1930 e 1940, Getúlio Vargas defendia que o Estado deveria ser o principal indutor do desenvolvimento, criou diversas empresas estatais, proibiu estrangeiros de investir em alguns setores e executou medidas protecionistas – tarifas de importação – para incentivar a indústria nacional.
O governo militar (1964-1985) usou o nacionalismo para fomentar determinadas indústrias e proteger recursos estratégicos. Lula (2003-2010) criou o programa dos “campeões nacionais”, com empréstimos subsidiados pelo BNDES e apoio político em fusões e aquisições “estratégicas” para o País.
Dilma (2011-2016) manteve a proteção da indústria nacional com medidas de desoneração tributária e aumento de compras governamentais. Nesse período, diversos casos de corrupção envolvendo os “campeões nacionais” vieram à tona.
No caso do Brasil, o nacionalismo concentrou o mercado nas mãos de grandes empresas e comprometeu a concorrência, criou barreiras de entrada e elevou os custos para as empresas menores e a população. O resultado econômico não foi diferente. Conforme o IBGE, cerca de 59 milhões de pessoas viviam abaixo da linha da pobreza em 2023.
Trump recorre ao nacionalismo para impor tarifas que, na prática, aumentam os custos para a população e pioram a eficiência na alocação de recursos. O Brasil recorre ao nacionalismo para proteger indústrias ineficientes e buscar o desenvolvimento econômico que nunca chega.
O protecionismo econômico não proporciona as condições ideais para que as pessoas deixem a pobreza. O objetivo de qualquer política deve ser a soberania do indivíduo. As pessoas, de modo geral, devem estar em melhores condições de vida para que a nação prospere.
O Brasil precisa mudar o discurso nacionalista para diminuir a burocracia e a carga tributária, combater a corrupção, providenciar segurança jurídica, melhorar a educação e atrair tecnologia e investimentos para fortalecer o ambiente de negócios, gerando oportunidades, emprego e renda.
Economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)