Laís Machado Lucas
Apenas 20,8% das empresas familiares brasileiras possuem um Conselho de Administração formalmente instituído. Quando o fundador ainda está à frente do negócio, o número cai para 11,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). A presença do órgão aumenta de forma relevante à medida que a sucessão avança: os conselhos existem em apenas 5,7% das empresas lideradas pela primeira geração da família, em 19,8% das companhias sob gestão da segunda geração e em 48,4% dos negócios conduzidos pela terceira.
Considerando as empresas privadas, embora o Conselho de Administração seja obrigatório apenas em sociedades anônimas de capital aberto, sua adoção por empresas de outros portes e modelos societários tem se mostrado uma prática cada vez mais recomendada, especialmente em empresas familiares. Trata-se de um órgão com capacidade de orientar estrategicamente os rumos do negócio, profissionalizar a gestão, mitigar conflitos internos e estruturar adequadamente os processos de sucessão.
Previsto na chamada Lei das S.A. (Lei 6.404/76), o Conselho é responsável por definir a estratégia, eleger e destituir diretores, fiscalizar a atuação da diretoria e aprovar decisões relevantes. Também exerce papel fundamental como instância técnica e deliberativa, devendo atuar com independência, isenção e foco exclusivo no interesse da organização.
Nas empresas familiares, o Conselho pode servir como elo entre gerações, funcionando como um lócus de convivência entre fundadores e herdeiros, apoiando o planejamento de longo prazo e contribuindo para a preservação de valores. Também atua como instância de equilíbrio entre interesses familiares e empresariais, ajudando a separar os papéis de sócio, gestor e herdeiro, o que reduz potenciais conflitos.
Sua implementação, mesmo que gradual, é um passo relevante na consolidação de uma governança mais madura, além de reforçar a credibilidade da empresa junto ao mercado, investidores e stakeholders. Em contextos de sucessão, crescimento ou preparação para eventos estratégicos — como fusões, aquisições ou abertura de capital —, um Conselho estruturado pode ser um diferencial competitivo decisivo.
Conselheira de Administração