Natália Chieza
Falta mão de obra no Brasil, na indústria, no varejo e em todos os setores produtivos. A reclamação dos empregadores é sempre a mesma, sobra trabalho e faltam trabalhadores.
O setor de supermercados, que é um dos maiores empregadores do Brasil, lida constantemente com essa realidade. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), no primeiro semestre havia mais de 350 mil vagas abertas no Brasil.
Esse cenário apresenta um desafio para as empresas, que precisam encontrar alternativas para atrair colaboradores. Os empregados reclamam de baixa remuneração, jornadas de trabalho exaustivas, falta de perspectiva de crescimento profissional e baixo poder de compra. Do outro lado, o empregador reclama de alto custo operacional, impostos elevados, burocracia e uma legislação trabalhista ultrapassada.
Quem está certo nesse embate? Todos os brasileiros que trabalham e pagam impostos, tendo seu poder de compra consumido pela inflação.
Grande parte das empresas está buscando alternativas para minimizar esse problema, criando internamente programas de desenvolvimento profissional, gratificações e melhores condições de trabalho para reduzir a rotatividade e reter talentos. Porém, existem fatores externos sobre os quais as empresas não podem interferir de forma direta, como os movimentos econômicos e governamentais.
Empregado e empregador acabam ficando um contra o outro, buscando culpados no lugar errado. Na verdade, é a perda do valor do dinheiro, ou seja, a inflação, que realmente causa esses problemas e afeta a todos.
A falta de compromisso com as contas públicas e os programas assistenciais disponíveis para a população causam desincentivos ao trabalho. A inflação eleva o custo de vida, que consome grande parte do salário mínimo apenas com o custo da cesta básica de alimentos.
As ineficientes políticas públicas resultam nas dificuldades que enfrentamos atualmente no mercado de trabalho. A sociedade sobrevive, a cada dia, com um custo de vida maior. Assim, aumenta a necessidade de políticas públicas assistenciais e, consequentemente, os impostos são elevados ainda mais para bancar a conta. Esse desincentivo à produção se retroalimenta, penalizando os trabalhadores e os empregadores, ambos responsáveis por fazer a economia acontecer.
Supermercadista e associada do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)