Wilen Manteli
Os debates que têm ocorrido sobre o anunciado porto em Arroio do Sal suscitam importantes questões pertinentes à distância do Porto de Rio Grande dos mercados consumidores, aos custos pela deficiente infraestrutura de transportes, aos decorrentes de tributos, tarifas, pedágios, burocracia e pela ausência de incentivos fiscais similares aos que são praticados pelos estados vizinhos, nossos concorrentes.
Ao contrário do que dizem, o Rio Grande do Sul detém uma localização estratégica ímpar, por estar situado ao Sul do Brasil, no centro do Mercosul, com acesso aos maiores mercados consumidores da América do Sul. Num raio de 1.500 km estão localizadas metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Montevidéu, Assunção, além de centros industriais como Belo Horizonte e Córdoba. Nessa região vivem mais de 150 milhões de habitantes, com uma concentração de 78% do PIB da América do Sul.
A matriz de transporte se apresenta desbalanceada, com forte predominância do rodoviário, em torno de 90%, ficando à míngua os segmentos ferroviário e hidroviário. Para aumentar as vendas externas será imperioso ampliar e modernizar os três modais, especialmente para o Porto de Rio Grande - a porta gaúcha para o mundo.
Se existisse uma política econômica de comércio exterior, esta deveria considerar os aspectos geopolíticos dos mercados estrangeiros, especialmente os da América do Sul. Além disso, deveria contar com um processo permanente de avaliação de todos os fatores que prejudicam a competitividade dos produtos gaúchos, aumentando as vantagens comparativas ou, no mínimo, equiparando as condições dos concorrentes internos e externos.
Quanto às concessões rodo e ferroviárias caberia atuar e influir nas negociações, de tal modo que esses serviços sejam eficientes, praticando fretes que contribuam para as vendas externas; quanto às hidrovias, só há um pleito: dragagem permanente, antes que se feche e se perca esse patrimônio que é o acesso fluvial ao Porto de Rio Grande.
Presidente da Associação Hidrovias do RS