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Opinião

ARTIGO

- Publicada em 13 de Março de 2014 às 00:00

São José do Norte e o estaleiro


Jornal do Comércio
O ano foi 2008. Augusto Mendonça e Alberto Padilla, executivos da Setal Óleo e Gás, haviam retornado da cidade de Rio Grande. A busca de um local adequado à instalação de um estaleiro de porte resultou infrutífera. Paulo Tigre, que presidia a Fiergs, levou o assunto à governadora Yeda Crusius. A reação foi imediata: não perder o investimento. Semanas após, fizemos mais uma vez a travessia de lancha de Rio Grande a São José do Norte. A área foi definida.

O ano foi 2008. Augusto Mendonça e Alberto Padilla, executivos da Setal Óleo e Gás, haviam retornado da cidade de Rio Grande. A busca de um local adequado à instalação de um estaleiro de porte resultou infrutífera. Paulo Tigre, que presidia a Fiergs, levou o assunto à governadora Yeda Crusius. A reação foi imediata: não perder o investimento. Semanas após, fizemos mais uma vez a travessia de lancha de Rio Grande a São José do Norte. A área foi definida.

O primeiro protocolo foi firmado no início de 2010, entre o Estado, a prefeitura e a Ebasa, por ironia do destino, Estaleiro da Bahia S.A. O segundo, já com o nome de EBR Estaleiros do Brasil, em novembro de 2010. A decisão de Augusto e Padilla não foi política, entre ficar num estado (Bahia) ou noutro (Rio Grande do Sul), mas estratégica.  Por mais que ainda se fale sobre a conhecida dualidade do gaúcho, a indústria naval nasceu com o governador Germano Rigotto, avançou com Yeda Crusius e se consolidou com Tarso, que assumiria o governo em 2011. Dali em diante, trabalho e, em abril de 2013, a assinatura do contrato com a Petrobras para a construção da Plataforma P-74, a primeira a atuar no pré-sal.

Vicente Ferrari, um visionário, não é mais prefeito de São José do Norte, o natural ciclo político levou novos gestores ao comando do município. Nas outras esferas já começaram as articulações, visando o novo quadro eleitoral que se avizinha, tanto para o Estado como para a União. Uma coisa não mudará: no início de 2016, a P-74 estará no campo de Tupi, onde irá operar o petróleo e o gás que o País tanto precisa. Certamente, outra estará em construção no estaleiro.

Dias atrás, Carmelo Gonella, dirigente da EBR, passou-me dados mais do que alentadores. Entre 2012 e 2013, só com a pré-instalação do projeto na cidade que permeia 20 mil eleitores, a frota aumentou em mais de 1 mil veículos, a realização de escrituras no cartório local evoluiu positivamente em 84%, com o cadastramento no tabelionato aumentando em 59,8%. Acresça-se a isso a notícia do CDL do município com a divulgação de crescimento no comércio local da ordem de 40%. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de São José do Norte está se elevando. A autoestima mudou. É o sinal do desenvolvimento. A indústria naval veio para ficar. Os nortenses agradecem.

Vice-presidente Executivo do Sinaval

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