Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Opinião

editorial

- Publicada em 17 de Junho de 2013 às 00:00

A força do direito deve superar o direito da força


Jornal do Comércio
Ruy Barbosa, expoente da diplomacia, da política e do meio jurídico brasileiro, é o autor da frase “A força do direito deve superar o direito da força. A liberdade não é um luxo dos tempos de bonança; é, sobretudo, o maior elemento de estabilidade das instituições”. Nada mais atual, quando das passeatas contra o aumento das tarifas de ônibus, mas o que se tem visto é o bloqueio de ruas e avenidas, prejudicando a população em geral. Discorda-se das pichações, depredações, quebra-quebra e do enfrentamento com os agentes policiais – e do excesso na repressão -, mas sempre defenderemos o direito às manifestações. Não venham, entretanto, alguns com comparações estapafúrdias com a Primavera Árabe, menos ainda com as revoltas em Atenas e Istambul. Sistemas políticos corrompidos e cujos poderosos se mantinham nos cargos há décadas e em meio à maior crise econômico-financeira desde 70 anos na Europa e nos EUA não podem ser equiparados a um Brasil que, mesmo com problemas socioeconômicos, está melhor. Da mesma forma, cabe aos ruralistas gaúchos, em justos protestos, darem o exemplo e não bloquearem rodovias, prejudicando o direito de ir e vir das pessoas. 

Ruy Barbosa, expoente da diplomacia, da política e do meio jurídico brasileiro, é o autor da frase “A força do direito deve superar o direito da força. A liberdade não é um luxo dos tempos de bonança; é, sobretudo, o maior elemento de estabilidade das instituições”. Nada mais atual, quando das passeatas contra o aumento das tarifas de ônibus, mas o que se tem visto é o bloqueio de ruas e avenidas, prejudicando a população em geral. Discorda-se das pichações, depredações, quebra-quebra e do enfrentamento com os agentes policiais – e do excesso na repressão -, mas sempre defenderemos o direito às manifestações. Não venham, entretanto, alguns com comparações estapafúrdias com a Primavera Árabe, menos ainda com as revoltas em Atenas e Istambul. Sistemas políticos corrompidos e cujos poderosos se mantinham nos cargos há décadas e em meio à maior crise econômico-financeira desde 70 anos na Europa e nos EUA não podem ser equiparados a um Brasil que, mesmo com problemas socioeconômicos, está melhor. Da mesma forma, cabe aos ruralistas gaúchos, em justos protestos, darem o exemplo e não bloquearem rodovias, prejudicando o direito de ir e vir das pessoas. 

A impressão é que o reajuste das tarifas foi apenas o fator desencadeante, como na psicanálise, da revolta contra o cotidiano que nos esmaga psicologicamente. Não é apenas uma questão de tarifa, mas de trânsito conturbado e que faz viagens levarem uma hora ou mais da moradia até o local de trabalho. Superlotação nos ônibus, muitas contas para pagar, indiferença das elites para com os problemas dos mais humildes, todos cercados por discursos, porém, com mínimas soluções, estressam as pessoas.

Mas sair para as ruas – alguns mascarados - e quebrar tudo pela frente para protestar nunca foi nem será o melhor caminho. Quanto à repressão policial, não devemos esquecer que a toda ação corresponde uma reação igual, porém em sentido contrário, mas proporcional à ofensa e sem exageros. Ou, de outra forma, daremos razão à frase de Émile Zola: “Que patifes, as pessoas honestas”. Essa concepção não pode vingar quando milhares ou milhões de porto-alegrenses, paulistas e cariocas permanecem em sua faina diária, trabalhando, cumprindo horários e ganhando o sustento com o tradicional suor dos seus rostos.

O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito para aqueles que reclamam da carestia. Mas será que os preços maiores apareceram apenas nas passagens de ônibus? Os indignados porto-alegrenses, paulistas e cariocas têm mais ou menos razão que os indignados de Madri? O movimento “Ocupem Wall Street” vale menos que os protestos no Brasil? 

Não, não se pode aceitar que a baderna seja a consequência de movimentos. O transporte público qualificado, tão reclamado por todos os que pensam as cidades e clamam contra o excesso de preferência para os automóveis, não é essencial? O que se nota – mesmo com o risco de ser adjetivado de reacionário da elite – é que há, sim, uma pitada de ideologia e desregramento na mente de certos jovens com pouco juízo. O Brasil precisa de moços contestadores e idealistas. Triste do País se tiver uma juventude acomodada. No entanto, os exageros são perigosos. Foi o que ocorreu em Porto Alegre, São Paulo e no Rio de Janeiro.


Conteúdo Publicitário
Leia também
Comentários CORRIGIR TEXTO