Realizado nesta terça-feira (12), no Sest/Senat, em
Santana do Livramento, o Mapa Econômico do Rio Grande do Sul reuniu lideranças regionais para discutir os rumos do desenvolvimento na Fronteira Sul. Durante painel, o presidente do Sindilojas de Santana do Livramento, Sérgio Oliveira, destacou que, embora a região reúna oportunidades relevantes, enfrenta
dificuldades para transformar seu potencial em crescimento econômico sustentável.
Segundo ele, um dos principais problemas está na forma como o território enxerga a si mesmo. “Nós damos mais importância aos desafios do que às oportunidades. Mas, se bem trabalhadas, as oportunidades sobrepõem os fatores negativos.”
A produção agropecuária aparece como diferencial, especialmente pelo avanço em genética e processos, o que pode ampliar a competitividade e abrir novos mercados.
No entanto, é no varejo que os impactos mais imediatos se evidenciam. A concorrência com free shops do lado uruguaio tem provocado perda de mercado no comércio local. Produtos como ar-condicionado, segundo Oliveira, já deixaram de ser vendidos em Santana do Livramento devido à diferença de preços, que pode chegar a R$ 1 mil.
Outro fator de pressão é o crescimento do comércio eletrônico. O volume de entregas diárias na cidade, impulsionado por grandes plataformas digitais, representa uma saída significativa de recursos da economia local. “Ou nós nos adaptamos e inovamos dentro do nosso próprio negócio, ou a reversão vai ser difícil.”
Diante desse cenário, Oliveira defende a inovação como condição de sobrevivência. Para ele, o varejo precisa investir em tecnologia e na qualificação da experiência do consumidor, desde o primeiro contato no digital até o pós-venda.
“A experiência começa no WhatsApp, no Instagram, na vitrine, mas se consolida quando o cliente chega em casa satisfeito.”
Vista como aliada, o painelista ressalta o poder da inteligência artificial como ferramenta que pode aumentar a produtividade e melhorar o atendimento, contrariando a percepção de que representa apenas riscos.
Oliveira também enfatiza que o enfrentamento desses desafios depende de uma mudança de postura. “Se não fizermos a nossa parte, vamos apenas assistir às oportunidades passarem.” Para o representante do Sindilojas na região, o desenvolvimento da Fronteira Sul passa por inovação, adaptação e maior protagonismo local diante das transformações econômicas em curso.