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Publicada em 13 de Maio de 2026 às 10:25

Para presidente do Sindicato Rural de Santana do Livramento, retenção da juventude no campo é desafio

Lourenço Acauan foi painelista em evento do Mapa Econômico do RS realizado nesta terça-feira, 12 de maio

Lourenço Acauan foi painelista em evento do Mapa Econômico do RS realizado nesta terça-feira, 12 de maio

Dani Barcellos/Especial/JC
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Ana Stobbe
Ana Stobbe Repórter
*De Santana do Livramento

A Fronteira Oeste está entre as regiões do Rio Grande do Sul que já começaram a perder população — uma tendência prevista para todo o Estado, mas que avança de forma mais acelerada em algumas áreas do que em outras. Além da redução nas taxas de fecundidade, o fenômeno é impulsionado pela migração de gaúchos para outros centros urbanos e regiões do País em busca de oportunidades de trabalho e estudo. Em Santana do Livramento, o presidente do Sindicato Rural, Lourenço Acauan, avalia que um dos principais desafios do setor produtivo está justamente na permanência da juventude no campo.
*De Santana do Livramento
A Fronteira Oeste está entre as regiões do Rio Grande do Sul que já começaram a perder população — uma tendência prevista para todo o Estado, mas que avança de forma mais acelerada em algumas áreas do que em outras. Além da redução nas taxas de fecundidade, o fenômeno é impulsionado pela migração de gaúchos para outros centros urbanos e regiões do País em busca de oportunidades de trabalho e estudo. Em Santana do Livramento, o presidente do Sindicato Rural, Lourenço Acauan, avalia que um dos principais desafios do setor produtivo está justamente na permanência da juventude no campo.
Acauan foi um dos painelistas do evento do Mapa Econômico do RS em Santana do Livramento, realizado nesta terça-feira, 12 de maio, para debater os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento econômico das regiões Fronteira Oeste, Campanha, Sul e Centro-Sul do Estado. Durante sua participação, o dirigente chamou atenção para as dificuldades de sucessão rural e para os impactos do encolhimento populacional sobre o futuro da atividade agropecuária.
Segundo ele, o distanciamento entre os jovens e o campo passa também pela forma como o setor se apresenta às novas gerações. Na avaliação do dirigente, é necessário atualizar o discurso sobre a vida no meio rural e aproximar a atividade das transformações tecnológicas vividas pela sociedade.
“Não existe renovação, será que não está faltando alguém para mostrar para os jovens o que fazemos lá no campo? Será que não temos que contar uma história diferente para essa geração, que ele pode usar IA, que terá internet, infraestrutura e vai poder aplicar os novos conhecimentos no campo", propôs Acauan.
O dirigente também defendeu investimentos em conectividade e infraestrutura nas áreas rurais como forma de tornar o setor mais atrativo. Para ele, o acesso à tecnologia e à inovação será determinante para manter os jovens ligados à atividade agropecuária nos próximos anos.
Apesar dos desafios, Acauan ressaltou que a região possui potencial para ampliar sua participação na economia gaúcha. Entre as alternativas, destacou o fortalecimento do associativismo entre produtores rurais aliado à verticalização da produção — tema que também havia sido abordado anteriormente pela presidente da Associação de Produtores Rurais da APA do Ibirapuitã (Aprai) e da Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS), Ana Doralina, responsável pela abertura do painel.
"Temos muitas oportunidades, desde que implementemos, não só em Livramento como toda a região, alguma indústria de transformação. Somos produtores de matéria-prima e não temos uma indústria de transformação. Todos os nossos produtos saem do município para outros municípios e não aproveitamos esse plus de rendimento aqui. Esse dinheiro deixa de estar aqui e vai para outra região, até fora do País", acrescentou.
Ele destacou, ainda, o processo de diversificação produtiva vivido pela região. À tradicional pecuária e à rizicultura somaram-se, nos últimos anos, culturas como soja, oliva e mel, além do crescimento da vitivinicultura. Para Acauan, esse movimento demonstra a capacidade de adaptação econômica da Fronteira Oeste e abre espaço para novas cadeias produtivas.
O dirigente apontou o setor vitivinícola como exemplo da necessidade de ampliar a industrialização regional. Conforme Acauan, ainda falta estrutura fabril para concluir etapas como o engarrafamento dos vinhos dentro da própria região, o que permitiria agregar mais valor aos produtos e ampliar a geração de renda local. Na avaliação dele, a verticalização da produção também pode contribuir para aumentar a oferta de empregos formais e ajudar na retenção da população jovem.
Em outro aspecto, Acauan destacou a expansão dos parques eólicos na região. Principalmente, considerando o retorno financeiro gerado aos municípios por meio da arrecadação e dos investimentos associados aos empreendimentos. Para o dirigente, esse movimento contribui para dinamizar a economia local e ampliar a capacidade de investimento das cidades da Fronteira Oeste.

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