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Publicada em 13 de Maio de 2026 às 10:30

Presidente da Aprai aponta associativismo como oportunidade de desenvolvimento da Macrorregião Sul do RS

Presidente da Aprai, Ana Doralina, defende a necessidade de união entre os produtores da região

Presidente da Aprai, Ana Doralina, defende a necessidade de união entre os produtores da região

Dani Barcellos/Especial/JC
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Ana Stobbe
Ana Stobbe Repórter
*De Santana do Livramento

A Área de Proteção Ambiental (APA) do Ibirapuitã ocupa 317 mil hectares da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, indo de Santana do Livramento a Alegrete. Lá, produtores aliam a preservação do bioma pampa à agropecuária. Entretanto, para a presidente da Associação de Produtores Rurais da APA do Ibirapuitã (Aprai) e da Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS), Ana Doralina, apenas recentemente o associativismo emergiu como oportunidade de desenvolvimento econômico regional aos agricultores e pecuaristas da região.
*De Santana do Livramento
A Área de Proteção Ambiental (APA) do Ibirapuitã ocupa 317 mil hectares da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, indo de Santana do Livramento a Alegrete. Lá, produtores aliam a preservação do bioma pampa à agropecuária. Entretanto, para a presidente da Associação de Produtores Rurais da APA do Ibirapuitã (Aprai) e da Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS), Ana Doralina, apenas recentemente o associativismo emergiu como oportunidade de desenvolvimento econômico regional aos agricultores e pecuaristas da região.
Ana foi painelista do terceiro evento do Mapa Econômico do RS de 2026, realizado nesta terça-feira, 12 de maio, em Santana do Livramento. O encontro reuniu as principais lideranças econômicas e políticas das regiões Fronteira Oeste, Campanha, Sul e Centro-Sul do Estado para debater os caminhos desta porção do território gaúcho. Na ocasião, a necessidade de união entre os produtores foi um dos principais motes da fala da representante do setor primário.
“Na área da APA, há ao redor de 900 produtores. Uma média de 320 hectares por propriedade. Sendo que o principal produto é o gado de corte, cerca de 5% é agricultura, embora ela ainda seja importante. Mas me chamou atenção a falta de representatividade que tinham os produtores da APA. Porque cumprimos uma série de requisitos, mas não temos cumprido os próprios direitos”, destacou Ana.
Segundo ela, a criação da Aprai surgiu justamente da necessidade de dar voz aos produtores que vivem dentro da área de preservação ambiental e enfrentam uma série de restrições produtivas. Ana ressaltou que muitos moradores da própria região desconhecem o que significa produzir dentro de uma APA e os desafios enfrentados pelos pecuaristas locais para manter a atividade em níveis elevados de sustentabilidade.
Para a painelista, o associativismo representa uma oportunidade estratégica para agregar valor à produção regional, sobretudo diante da relevância de Santana do Livramento no cenário pecuário gaúcho. Dos mais de 11 milhões de bovinos do Rio Grande do Sul, cerca de 4,6% estão no município, que também concentra quase 10% do rebanho ovino do Estado.
"Temos que gerar esse reconhecimento e contar nossa história, o quanto nos dedicamos e temos de desafio para conseguir produzir e encontrar o caminho. Precisamos de uma marca coletiva, uma Indicação Geográfica, falar sobre turismo dentro da APA para mostrar o que é uma área de proteção ambiental. Mas não vamos fazer nada sozinhos, temos que construir com a comunidade para que a gente possa se fortalecer", acrescentou.
Para ela, entretanto, a infraestrutura ainda aparece como um grande desafio para poder alavancar essa oportunidade. Principalmente, no que diz respeito à criação de experiências ao consumidor, que, na sua avaliação, busca cada vez mais conhecer os processos de produção do alimento que consome — uma maneira de agregar turismo de experiência ao produto e, assim, ampliar os horizontes dos negócios locais.
"Todos os municípios da Metade Sul são prejudicados pela falta de duplicação da BR-290. Com certeza a infraestrutura é um grande ponto. Não temos ferrovias. Se houvesse uma ligação até o Porto de Rio Grande, desafogaria as estradas. Houve uma reunião sobre isso, mas temos avanço?", questionou Ana.
Afinal, na sua visão, a APA possui potencial para diversificar suas atividades econômicas, indo além da bovinocultura e da ovinocultura. Segundo ela, setores como a produção de mel, o turismo rural e o enoturismo podem ampliar as possibilidades de renda e fortalecer a identidade regional. Na avaliação da dirigente, a valorização da origem e da história dos produtores é fundamental para inserir os produtos locais em mercados mais exigentes e dispostos a pagar mais por itens associados à sustentabilidade e à rastreabilidade.
Ela também defendeu que Santana do Livramento deixe de ser apenas um município de passagem na fronteira e passe a consolidar uma identidade turística própria, explorando potenciais ligados ao campo, à gastronomia, ao vinho e às experiências em áreas de preservação ambiental.
“O turismo é experiência. As pessoas querem viver o território, entender como se produz, conhecer a história e a cultura local. Livramento precisa construir essa jornada turística, como outras regiões do Estado já fizeram”, concluiu.

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