Diante dos desafios, há um ramo que cresce entre produtores de azeite e de vinhos: o turismo. Enquanto a Região Sul é contemplada pela Rota dos Olivais, instituída pela Secretaria Estadual de Turismo, o projeto Trem do Pampa, que comporta até 100 passageiros, saiu do papel, incluindo visitação a fazendas voltadas à olivicultura e à vitivinicultura, assim como a degustação dos produtos. O trajeto, que liga Santana do Livramento ao distrito de Palomas, foi lançado em julho de 2024.
As paisagens bucólicas também inspiram projetos de produtores de azeites e vinhos. Entre eles, está o empresário Luiz Eduardo Batalha, que possui um projeto ambicioso. Até o final do ano, será inaugurado o Terroir 31, um complexo residencial e turístico em suas propriedades no município de Candiota, que contou com o investimento de R$ 50 milhões.
Por um lado, famílias poderão morar em um condomínio com oliveiras e parreiras plantadas em seus quintais, as quais poderão ser cultivadas, colhidas e industrializadas dentro da propriedade. Assim, os residentes terão azeites e vinhos com rótulos personalizados. Em outra área, os olivais e os vinhedos serão abertos à visitação em um luxuoso complexo.
"Tem uma linha de produtos, como loções, shampoos e cremes de azeite, vai ter também de vinho, que são coisas da moda. Tem uma hípica, porque gostamos muito de cavalo. Vai ter um hotel com 49 cabanas, pequenas casinhas, com churrasqueira e jacuzzi. Vai ser algo gigantesco", antecipa Batalha.
O empresário, aliás, acredita no potencial turístico da região da Campanha para turistas de todo o País e também internacionais, por ser um local estrategicamente situado próximo às fronteiras com a Argentina e o Uruguai. "Se o turista quer conhecer o gaúcho de verdade, tomar um vinho de primeira categoria, tomar um azeite na fonte e comer uma carne de cordeiro espetacular, ele tem que vir para a Campanha. Só tem um lugar, temos nós", acrescenta.
O presidente do Ibraoliva acredita que apostar no olivoturismo pode aquecer o mercado da Região Sul: "o turismo e a produção de vinho e de azeite de oliva andam de mãos dadas, a produção é muito mais aproveitada. Cada vez mais as agências e as pessoas procuram turismo de experiência e esses produtos se prestam muito a esse tipo de desejo e Rio Grande do Sul é hoje um endereço para isso", avalia Obino.
Perspectiva semelhante é compartilhada por André Gasperin, que confia no poder do enoturismo e do olivoturismo para girar a economia. De acordo com ele, além da produção ser beneficiada, os setores hoteleiro e gastronômico também crescem com os negócios no ramo. A expectativa dele é que iniciativas turísticas cresçam na região nos próximos anos.
"Na Serra Gaúcha, o enoturismo já é bem consolidado e mais antigo. Mas era um nicho pouco explorado na Campanha e que começou a surgir com força e projetos com investimentos robustos. É uma alternativa que as vinícolas têm de mostrar seu produto e seu trabalho para as pessoas que vêm conhecer", pontua Gasperin.