A pavimentação e a qualificação da rodovia ERS-437, entre Antônio Prado e Vila Flores, devem avançar para a fase decisiva com investimento de cerca de R$ 130 milhões, dentro do Plano Rio Grande. Atualmente, o cenário de trafegabilidade ainda é crítico, o que impacta diretamente a economia, o turismo e a logística da Serra Gaúcha.
Com aproximadamente 16 quilômetros sem asfalto, a rodovia — estratégica por conectar a BR-470 à ERS-122 — deve ter obras iniciadas ainda no primeiro semestre de 2026, segundo o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). Lideranças locais cobram urgência diante de prejuízos já consolidados.
Incluída no Plano Rio Grande após as enchentes de 2024, a ERS-437 passou a integrar o grupo das cerca de 30 intervenções consideradas prioritárias pelo governo estadual. A partir dessa definição, o projeto avançou para a fase de contratação ao longo de 2024 e início de 2025, com a abertura do processo licitatório para a pavimentação do trecho, etapa que marca a transição do planejamento para a execução do empreendimento.
Hoje, a ERS-437 representa um retrato típico de infraestrutura em transição no Estado: cerca de 23 quilômetros pavimentados ou calçados convivem com trechos de chão batido que, em períodos de chuva, tornam-se praticamente intransitáveis. Episódios recentes, como o atolamento de veículos pesados e bloqueios parciais, evidenciam a fragilidade da via e caráter emergencial da intervenção.
Do ponto de vista técnico, o Daer afirma que o projeto entrou em uma etapa considerada avançada. De acordo com o diretor-geral da instituição, Luciano Faustino, os dois lotes da obra já estão contratados no modelo de contratação integrada no qual as empresas são responsáveis tanto pelos projetos quanto pela execução. Os contratos foram firmados com o Consórcio MATT/LCM, responsável pelo lote entre o entroncamento com a BR-470 e Vila Flores, e com a SBS Engenharia, que executará o trecho até a ligação com a ERS-448, na direção de Antônio Prado.
"O empreendimento encontra-se em fase de consolidação dos projetos de engenharia, com análises técnicas especializadas em andamento", detalha Faustino. O lote que liga o entroncamento com a BR-470 a Vila Flores (9,2 km) está com projeto executivo em validação, enquanto o trecho até a ERS-448 (7,4 km) já passou por ajustes e entra na fase final de análise.
A prioridade inicial, segundo o órgão, será o lote 14, considerado mais avançado e com maior concentração de intervenções estruturais. O cronograma oficial segue mantido: início das obras ainda no primeiro semestre de 2026, com recursos assegurados pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).
O Daer também sustenta que não há atraso estrutural. "Até 2024, a rodovia era apenas planejada. Hoje, está contratada e próxima de iniciar", afirma Faustino, acrescentando que a estrada é tratada como prioridade inequívoca dentro do planejamento estadual.
Apesar do avanço nos trâmites para as obras, a realidade é desafiadora. O prefeito de Antônio Prado, Roberto Dalle Molle, classifica a situação como crítica e cobra agilidade na execução.
"A pavimentação da ERS-437 é uma demanda histórica e essencial. Hoje, as condições da estrada impõem dificuldades diárias a moradores, produtores e empresários, além de riscos constantes", afirma. Segundo o prefeito, a falta de manutenção adequada agravou o cenário e gerou prejuízos econômicos diretos.
A avaliação do município expõe um descompasso comum em obras de infraestrutura: enquanto o planejamento avança no papel, os impactos econômicos da precariedade seguem se acumulando. A rodovia atravessa áreas de forte produção agrícola e conecta polos relevantes da cadeia da uva e do vinho, além de servir como corredor alternativo em situações de emergência na BR-470, especialmente na Serra das Antas.
No campo econômico, o potencial é expressivo. A pavimentação completa deve reduzir custos logísticos, encurtar distâncias — especialmente para fluxos vindos de regiões como Passo Fundo — e ampliar a integração entre municípios da Serra, Campos de Cima da Serra e o eixo turístico Uva e Vinho. Há impacto direto esperado em setores como agricultura familiar, indústria, construção civil e enoturismo.
Outro vetor relevante é o turismo. O reconhecimento recente de Antônio Prado como um dos melhores destinos turísticos do mundo pela ONU elevou a visibilidade internacional da região.
Para que o potencial da rodovia se materialize na prática, a pavimentação não é suficiente. A implantação de sinalização turística ao longo do trajeto, orçada em cerca de R$ 400 mil, é tratada como etapa complementar. "Seguimos mobilizados, mantendo o diálogo com o Estado e cobrando soluções. Essa obra precisa sair do papel quanto antes", reforça o prefeito de Antônio Prado.
Enquanto isso, o cenário segue sendo de cautela para quem depende da estrada: em dias secos, a trafegabilidade é possível, ainda que limitada; sob chuva, o risco de bloqueios e acidentes se intensifica. A recomendação prática para motoristas — especialmente de veículos pesados — ainda é evitar o trecho em condições adversas.