O ano começou com uma excelente notícia e também perspectivas positivas para o setor aviário gaúcho. Depois de quase dois anos, foi derrubado o embargo da China aos frigoríficos do Rio Grande do Sul, reabrindo um dos mais importantes mercados externos à carne de frango gaúcha.
Antes do embargo, imposto em 2024, a China representava quase 6% das vendas de frango gaúchas. Com a reabertura, a estimativa é de que o volume do produto negociado com os chineses tenha uma alta de 10%.
De acordo com a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), 44% da produção do Estado concentra-se entre a Serra e o Vale do Caí. Entre os oito frigoríficos autorizados a retomar as vendas para os chineses, três são da região – JBS, em Montenegro, Agrosul, em São Sebastião do Caí, e BRF, em Serafina Corrêa.
A decisão no mercado externo vem em um momento ascendente para o setor, que deu exemplo na forma como recuperou-se após a notificação de um caso de gripe aviária em Montenegro, no Vale do Caí.
"O Rio Grande do Sul deu um salto em exportações. Imaginávamos que a gripe aviária, depois da Newcastle em 2024, geraria uma perda de 10% nas negociações com o Exterior, mas fizemos a erradicação correta e, em menos de 30 dias, a questão estava resolvida e conseguimos normalizar as negociações com os principais mercados. Ainda faltava a China, que agora está recuperada", avalia o presidente da Asgav, José Eduardo dos Santos.
Neste tabuleiro de oportunidades, o acordo entre União Europeia e Mercosul, que passa a valer a partir do dia 1º de maio, pode ser a cereja do bolo.
"Mesmo com países como a França contando com salvaguardas aos seus produtores, eles não têm a larga escala e a variedade de produtos que nós temos. Agora é momento de ficarmos atentos à regulamentação, que vai criar um novo cenário em um mercado propício, cada vez mais inclinado mundialmente ao consumo de proteínas leves", diz.
A expectativa da entidade é que a maior abertura do mercado europeu permita às indústrias gaúchas agregar valor, com cortes mais nobres, na produção frigorífica de frangos.
Mesmo com a dificuldade provocada pela gripe aviária, o setor aviário fechou 2025 com uma leve redução de 3,6% em valores negociados com o Exterior em relação a 2024 e de menos de 1% em relação ao volume exportado no ano. Em janeiro, já houve alta de 0,7% nos valores exportados com carnes de frango.
De acordo com Santos, a projeção é chegar a uma alta de até 4% no volume exportado em 2026. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior Estado exportador brasileiro de frangos, e Farroupilha, na Serra, conta com o maior volume de animais em criação. A perspectiva é ampliar em até 2% a produção avícola no Rio Grande do Sul este ano.
De acordo com o Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Agropecuária (Fundesa), enquanto a média diária de abates de frango no Estado foi de 3,2 milhões de aves em 2025, no primeiro mês de 2026, esse volume subiu para 3,4 milhões, uma alta de 7,3%. No ano passado, o volume de abates médio diário reduziu em apenas 0,09% em relação a 2024, mesmo com a gripe aviária.
Mercado de ovos em expansão
Há atenção especial da entidade do setor avícola no potencial da produção de ovos. De acordo com o Ministério do Comércio Exterior, durante todo o ano passado, o Rio Grande do Sul negociou US$ 24,6 milhões com o exterior, representando uma alta de 38,1% em relação ao ano anterior. Somente em janeiro de 2026, foram US$ 2,7 milhões negociados em ovos, alta de 132,7% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Estão justamente no Vale do Caí e na Serra os principais expoentes da produção de ovos e do desenvolvimento genético de frangos. À exemplo do plantel de aves, Farroupilha também é o município com maior produção de ovos no Rio Grande do Sul. "O Rio Grande do Sul se apresenta como um potencial exportador ao mercado europeu, por exemplo, se o futuro acordo privilegiar a revisão de cotas limites de exportação. Temos um setor em grande ascensão", avalia o presidente da Asgav, José Eduardo dos Santos.
Hoje, a produção de ovos responde por apenas 1,5% de toda a exportação do setor avícola brasileiro, no entanto, há projeção no RS de ampliar a produção em até 10% em 2026. Em termos de volume de ovos, seja in natura, em pó ou sob outras formas, o Estado responde por 34% das exportações brasileiras e por apenas 6% do mercado nacional.
De onde vem o galeto único da região
Na Granja Pinheiros, que produz a marca AveSerra, a mira não está no aquecimento internacional do setor aviário gaúcho, mas na consolidação no Estado e em todo o País de um produto único da Serra Gaúcha. A empresa, que mantém a gestão familiar há 45 anos, a partir de Nova Petrópolis, especializou-se na produção do galeto ao primo canto, e hoje é fornecedora de pelo menos 50 das maiores galeterias gaúchas e nacionais.
"É uma característica nossa garantirmos um atendimento quase personalizado a cada cliente, por vezes, com cortes específicos para algumas redes que abastecemos. O primo canto, por exemplo, é um produto diferenciado e que nos especializamos, inclusive com um setor exclusivo dentro do setor de abate e frigorífico, além de um desenvolvimento específico com toda a nossa cadeia integrada para esse abate dos animais com 21 dias", explica o diretor administrativo da Granja Pinheiros, Roberto Luiz Kehl.
Diariamente, a empresa abate 120 mil frangos no Rio Grande do Sul, e outros 60 mil em uma unidade em Santa Catarina. A expectativa é, em 2026, repetir o aumento em torno de 15% na produção gaúcha, como tem acontecido nos últimos anos. Mas esta é só a ponta de um sistema 100% integrado, e que neste ano recebe importantes investimentos para garantir ainda mais o produto único da produção aviária da região.
A Granja Pinheiros finaliza em março o seu novo incubatório, com capacidade de fecundação de 11,5 milhões de ovos férteis por mês, resultado de um aporte de R$ 65 milhões em Nova Petrópolis. Antes dos ovos chegarem a este estágio, porém, há duas granjas próprias em São Francisco de Paula, onde chegam e são desenvolvidas as matrizes geneticamente desenvolvidas. Quando atingem o nível de maturidade, são entregues a 25 produtores integrados, também da região, para que sejam desenvolvidos os ovos férteis.
Após a fecundação, vem o período de criação dos frangos, em uma cadeIa de 130 produtores integrados, até o abate e produção no frigorífico de Presidente Lucena. Toda esta cadeia é, literalmente, alimentada também com suporte da AveSerra. Há duas fábricas de ração próprias, uma em Nova Petrópolis e outra em Santa Catarina. Neste ano, a empresa investe até R$ 12 milhões nas instalações gaúchas para dar conta do aumento da produção.
Entre Nova Petrópolis, São Francisco de Paula, Presidente Lucena e na sua unidade catarinense, Granja Pinheiros emprega diretamente duas mil pessoas.
Abates de frango no Rio Grande do Sul
- - 2026 (janeiro): 3.444.697/dia
(total de abates: 72.338.636)
- - 2025: 3.208.025/dia
(total de abates: 808.422.298)
- - 2024: 3.211.019/dia
(total de abates: 796.332.695)
Fonte: FUNDESA
- - Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 24,6 milhões (12,8% das exportações do Brasil) em ovos; em janeiro de 2026, já exportou US$ 2,7 milhões (16% das exportações do Brasil)
- - Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 1,2 bilhão (13,2% das exportações do Brasil) em carnes de frango; em janeiro de 2026, exportou US$ 97,9 milhões (12,3% das exportações do Brasil)
Fonte: Ministério do Comércio Exterior