É impossível falar de espumantes e não pensar em Garibaldi. Foi no município da Serra Gaúcha a primeira produção brasileira da bebida e, conforme o Sistema de Declarações Vinícolas (Sisdevin) do Governo do Estado, desde 2008 foram 90 mil litros de espumantes saindo de Garibaldi. No entanto, ainda não há uma certificação oficial reconhecida para os espumantes do município.
"Estamos em um trabalho intenso já há um ano, que reúne 11 vinícolas nesse trabalho de resgate histórico e de preparação para termos reconhecida a Denominação de Origem de Garibaldi. Foi aqui que se produziram os primeiros espumantes do Brasil", explica o diretor-executivo da Cooperativa Vinícola Garibaldi, Alexandre Angonezi.
A aposta da cooperativa para se diferenciar neste setor está no investimento em tecnologia desde o campo até a indústria. A Vinícola Garibaldi conta com um vinhedo experimental, de onde saem variedades mais nobres e propícias à produção do espumante. Hoje são mais de 30 itens de espumantes no portfólio da cooperativa.
De acordo com Angonezi, enquanto no setor 85% das uvas cultivadas são híbridas comuns, na Garibaldi, mais de 40% das uvas cultivadas já são viníferas. Isso representa mais valor agregado. Enquanto 60% da produção da cooperativa é dedicada aos vinhos de mesa e sucos e 40% aos vinhos finos e espumantes, em faturamento, a balança inverte. A vinícola fatura 50% com os espumantes e 25% com os sucos.
"Estimamos para essa safra receber mais de 30 milhões de quilos de uvas, um aumento de mais de 10% em relação a 2025. A partir do investimento que estamos fazendo em tanques inox, equipamentos de envase, autoclave e ampliação da capacidade de armazenagem, chegamos à capacidade de armazenagem de 30 a 32 milhões de quilos de uvas e 35 milhões de litros", detalha o dirigente.
Houve um aumento de mais de 5 milhões de litros em armazenagem de um ano para o outro na cooperativa, que produz todas as bebidas em uma única planta industrial a partir do cultivo em 18 municípios da região.