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Publicada em 08 de Abril de 2026 às 15:58

Vinícola Aurora vê acordo Mercosul-UE como chance para conquistar novos mercados

Aurora levou a feiras na França e na Alemanha espumantes, vinhos leves e produtos sem álcool

Aurora levou a feiras na França e na Alemanha espumantes, vinhos leves e produtos sem álcool

Anderson Pagani/Divulgação/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
Na Cooperativa Vinícola Aurora os olhares estão voltados à conquista de novos mercados, expectativa que cresce com a iminencia da entrada em vigor do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, prevista para 1º de maio deste ano. Há um interesse especial em novos consumidores no continente europeu que busquem as origens do seu produto na Serra gaúcha.
Não à toa, a vinícola fez, entre fevereiro e março, um circuito de feiras do setor na França e na Alemanha. Na sua carta de produtos oferecidos por lá estavam, principalmente, os espumantes, vinhos leves e produtos sem álcool – justamente aqueles apontados como os possíveis diferenciados em um futuro mercado mais integrado com a União Europeia. Em 95 anos da Aurora, já são 76 com a venda de vinhos para o Exterior. Em 2025, teve crescimento de 7% em exportações, especialmente para a América do Sul.
Na Cooperativa Vinícola Aurora os olhares estão voltados à conquista de novos mercados, expectativa que cresce com a iminencia da entrada em vigor do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, prevista para 1º de maio deste ano. Há um interesse especial em novos consumidores no continente europeu que busquem as origens do seu produto na Serra gaúcha.
Não à toa, a vinícola fez, entre fevereiro e março, um circuito de feiras do setor na França e na Alemanha. Na sua carta de produtos oferecidos por lá estavam, principalmente, os espumantes, vinhos leves e produtos sem álcool – justamente aqueles apontados como os possíveis diferenciados em um futuro mercado mais integrado com a União Europeia. Em 95 anos da Aurora, já são 76 com a venda de vinhos para o Exterior. Em 2025, teve crescimento de 7% em exportações, especialmente para a América do Sul.
A cooperativa produz em 11 municípios da Serra, entre eles, há produção com selos de certificação em duas áreas de Denominação de Origem: os Altos de Pinto Bandeira e o Vale dos Vinhedos.
"A Denominação de Origem dá ao produto notoriedade internacional. Produzimos hoje o vinho Merlot na Denominação de Origem do Vale dos Vinhedos e espumantes únicos no Hemisfério Sul nos Altos de Pinto Bandeira. São produtos com alto potencial para o mercado externo e representam a maior das oportunidades abertas com esse possível acordo. Quando levamos esse produto a uma feira internacional, a nossa intenção não é apenas vender o produto por lá, mas também atrair para cá um público interessado em tudo o que o nosso terroir tem a entregar. No fim das contas, é uma maneira de agregar valor à produção", avalia o diretor de marketing e vendas da Cooperativa Vinícola Aurora, Rodrigo Arpini.
Diante de uma safra recorde e de alta qualidade, a Aurora estima fechar com até 90 milhões de quilos de uvas recebidas dos 1,1 mil produtores da região. Dados que exigem investimentos por parte da cooperativa para ampliar não somente a produção, mas principalmente a tecnologia para melhora dos produtos.
"Em 2026, vamos expandir a estocagem e seguir inovando muito, em uma linha de indústria 4.0, por exemplo, com a aplicação da fermentação a temperaturas controladas por tecnologia, com mínimo de manuseio, substituindo também as antigas pipas por tanques de inox modernos. Nossa estimativa é chegarmos até o fim do ano com capacidade de 100 milhões de litros em tancagem, um aumento de 5 milhões de litros em relação ao nível atual", detalha.
Tanques de inox substituirão as antigas pipas na Cooperativa Vinícola Aurora | Wagner Meneguzzi/Divulgação/JC
Tanques de inox substituirão as antigas pipas na Cooperativa Vinícola Aurora Wagner Meneguzzi/Divulgação/JC
Hoje a cooperativa produz vinhos finos e espumantes em sua unidade matriz, suco de uva integral na chamada unidade centro e vinhos finos e suco integral na unidade Vale dos Vinhedos, todas em Bento Gonçalves. A produção do espumante dos Altos de Pinto Bandeira é industrializada em uma planta parceira dentro da localidade.
De acordo com Arpini, para o centenário da Vinícola Aurora, em 2031, está prevista a entrega de uma nova cantina, no Vale dos Vinhedos, que passará a centralizar a produção e receber 95% das uvas da cooperativa. O projeto ainda não tem valor definido, assim como o plano de erguer uma cantina própria nos Altos de Pinto Bandeira, também em fase de projetos.

Exportações devem expandir nos próximos anos

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) estima que, ao longo dos próximos 15 anosas exportações industriais gaúchas para a União Europeia possam se expandir em aproximadamente US$ 801,3 milhões.
A entidade aponta os diferenciais para a indústria gaúcha com o acordo:
  • Agroindústria Competitiva: O acordo facilita a exportação de carnes (bovina, aves), soja, tabaco, calçados e móveis, setores de forte atuação gaúcha, reduzindo custos e barreiras técnicas.
  • Setor Vitivinícola: A taxa de importação para vinhos europeus no Brasil (hoje em 27%) deve cair, ao mesmo tempo que o setor gaúcho de vinhos e espumantes ganha competitividade internacional com o zeramento de tarifas em até 12 anos.
  • Exportações do Vale do Rio Pardo: O acordo favorece a ampliação das exportações e o acesso à tecnologia na região.
  • Modernização Industrial: A redução de tarifas para maquinários e componentes europeus facilitará a modernização tecnológica das indústrias gaúchas, aumentando a produtividade.
  • Redução de Burocracia: A simplificação e harmonização de procedimentos alfandegários pode reduzir custos no comércio internacional.

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