* De Veranópolis
A combinação entre turismo, inovação e valorização de produtos de alto valor agregado aparece como um dos caminhos mais promissores para o desenvolvimento da Serra Gaúcha na visão de José Maria Bortoli, conhecido como Zeca Bortoli.
Sócio e cofundador do Grupo Bom Futuro — um dos maiores conglomerados do agronegócio brasileiro, com forte atuação no Mato Grosso —, o empresário também tem investido na Região da Serra Gaúcha, com a criação da vinícola Vinuta, em Veranópolis.
Com trajetória marcada pela inovação no campo, Bortoli levou essa lógica para o setor vitivinícola, apostando em produção de pequena escala e alto padrão de qualidade como estratégia de posicionamento.
Ao participar do painel do Mapa Econômico do RS na terça-feira, 31 de março, o empresário destacou que a Serra Gaúcha reúne um conjunto de oportunidades ainda subexploradas, especialmente no turismo integrado à produção local.
Segundo ele, regiões como Veranópolis, São Francisco de Paula (Região das Hortênsias) e o entorno da Serra têm potencial para se consolidar como destinos ainda mais relevantes nos próximos anos. A aposta inclui não apenas a vinícola, mas também a criação de experiências associadas ao turismo, como hospedagens.
Apesar do otimismo, Bortoli aponta desafios estruturais que ainda limitam o avanço regional. A infraestrutura logística é um dos principais entraves. Para ele, o Brasil deixou de aproveitar oportunidades históricas, especialmente no transporte ferroviário, o que hoje impacta diretamente a competitividade.
Outro ponto crítico é a formação e retenção de mão de obra qualificada, um tema recorrente entre empresários da região. Bortoli defende que o cuidado com as pessoas é central para o desenvolvimento dos negócios. "Para ter gente boa, é preciso formar e cuidar. Quando você cuida, você atrai", afirmou.
A experiência acumulada no agronegócio também influencia sua leitura sobre inovação como fator decisivo para crescimento. Ao relembrar transformações como o plantio direto e o avanço tecnológico no campo, ele reforça que o mesmo princípio pode ser aplicado a outros setores.
Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, como impactos recentes de crises globais e instabilidades internas, Bortoli mantém uma visão de longo prazo. Para ele, o Brasil e especialmente a Serra Gaúcha tem potencial para avançar, desde que haja foco em execução e visão estratégica.
Entre os caminhos apontados, ele destaca a importância de combinar investimento, capricho na produção e visão de futuro. "Não adianta começar um negócio sem acreditar e sem caprichar. É assim que as coisas acontecem."
Leia também: Mapa Econômico traz novos indicadores do RS em 2026