Aos 74 anos, Sady Acadrolli lidera um dos quatro grupos familiares que formam os produtores de suínos independentes, a Acadrolli Suinocultura, em Rodeio Bonito, no Médio Alto Uruguai. E neste período, já viu praticamente todas as transformações da produção suína na região.
"Nos anos 1980, muitas pessoas foram embora daqui, com o empobrecimento. Nos últimos anos, porém, o que estamos vendo é muita gente voltando com investimentos. É comum ver produtores com três, quatro chiqueiros e buscando a integração, porque a suinocultura, que é uma tradição cultural, talvez pela colonização da nossa região, virou um grande negócio, com rentabilidade garantida", conta.
Com um recente investimento na ampliação do espaço para suínos para atender à demanda, a Acadrolli passará a ter em torno de 50 mil matrizes e capacidade para fornecer, entre as produções dos seus integrados, até 22 mil animais prontos para o abate. Rodeio Bonito foi, em 2025, o segundo município gaúcho com maior fornecimento de suínos para abate, chegando a 246,2 mil animais. Em um processo que foi fundamental na transformação da suinocultura gaúcha.
Há pouco mais de 20 anos, com o início das exportações pelo Rio Grande do Sul, a ideia da integração como forma de melhorar o controle sanitário da produção chegou ao campo. Produtores como o Sady tornaram-se um elo entre os frigoríficos e os pequenos produtores da região.
"Todo o sistema de produção mudou, e o produtor precisava ter garantias para investir nessas mudanças. Por exemplo, a criação passou a funcionar por etapas, desde a UPL, que é o nascimento dos leitões, até a fase de amamentação e finalmente a terminação, todas integradas, mas não no mesmo espaço. Nós passamos a fazer parcerias com os produtores e nos tornamos integradores independentes da indústria. Isso viabilizou toda a suinocultura na região", detalha Acadrolli.
Hoje, com uma indústria de ração consolidada, a empresa tem suas próprias UPLs e fornece toda a ração e o transporte aos produtores integrados que fazem a terminação antes do envio à indústria.
Até então, a atuação da Acadrolli Suinocultura limitava-se a essas etapas, mas, desde o começo de maio, ao lado da Gobbi Suinocultura, outro grupo familiar integrador independente, de Rondinha, na região do Rio da Várzea, eles passaram a gerenciar uma unidade industrial, da Palmali, em Frederico Westphalen, que destina 55% da sua produção à exportação.
"Foi uma oportunidade para fortalecermos ainda mais a produção na região, com um mercado de exportação garantido e mais de 500 funcionários que seguem na linha de produção da empresa. Já atuávamos em parceria com este frigorífico, e agora vamos gerenciar o negócio para que ele siga atuante, mas, é claro, vamos manter o fornecimento também para outras indústrias da região", aponta o empresário.
E o primeiro passo será a ampliação da produção, que passará dos atuais 2,05 mil abates por dia para 2,5 mil abates, sem atuação em embutidos ou fornecimento de carcaças. Serão processados somente cortes para os mercados interno e externo. Caberá aos sócios fornecer 11 mil – metade para cada um – animais para abate por semana à indústria.