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Publicada em 29 de Maio de 2026 às 11:23

Reter riqueza é principal desafio do Norte gaúcho, avalia diretor do Costana Frontier Resort

Em painel do Mapa Econômico do RS, Hartmann apresentou uma leitura histórica e econômica da região

Em painel do Mapa Econômico do RS, Hartmann apresentou uma leitura histórica e econômica da região

Tânia Meinerz/JC
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
A Macrorregião Norte do Rio Grande do Sul não enfrenta um problema de falta de riqueza: o desafio está em fazer com que ela permaneça na própria região. A avaliação é do diretor-executivo do Costana Frontier Resort, Vando Knob Hartmann, um dos painelistas da edição de Ijuí do Mapa Econômico do Rio Grande do Sul, realizada nesta quinta-feira (28) pelo Jornal do Comércio.
A Macrorregião Norte do Rio Grande do Sul não enfrenta um problema de falta de riqueza: o desafio está em fazer com que ela permaneça na própria região. A avaliação é do diretor-executivo do Costana Frontier Resort, Vando Knob Hartmann, um dos painelistas da edição de Ijuí do Mapa Econômico do Rio Grande do Sul, realizada nesta quinta-feira (28) pelo Jornal do Comércio.
O evento reuniu lideranças empresariais e políticas de 11 microrregiões da porção setentrional do Estado para discutir oportunidades e entraves ao desenvolvimento regional. Ao lado do presidente do Hospital de Clínicas de Ijuí, Douglas Prestes Uggeri, e do diretor industrial e de produto da Kepler Weber, Fabiano Schneider, Hartmann apresentou uma leitura histórica e econômica da região, defendendo que o principal desafio atual é transformar a riqueza produzida localmente em investimentos capazes de impulsionar um novo ciclo de crescimento.
Segundo ele, a região vive uma realidade diferente daquela enfrentada por gerações anteriores. Se no passado o desafio era ocupar o território, estruturar cidades e consolidar a atividade produtiva, hoje a questão central passa por reter recursos, atrair investimentos e criar condições para que a população permaneça na região.
“O primeiro desafio da nossa região é reter a riqueza que existe aqui. É um absurdo o dinheiro que vai embora da região. Se nós apenas conseguíssemos manter uma parcela maior dessa riqueza circulando localmente, já estaríamos discutindo a nossa economia em outro patamar”, afirmou.
Na avaliação do executivo, a economia regional alcançou um estágio de maturidade que permite pensar além da produção primária. Hartmann lembrou que a região é fortemente ligada ao agronegócio, mas observou que a renda gerada por essa atividade muitas vezes acaba financiando investimentos, consumo e empreendimentos em outros polos do Estado e do País.
“O segundo movimento é trazer dinheiro de outras regiões para cá. Quando alguém investe aqui, faz turismo aqui ou compra um imóvel aqui, esse recurso passa a circular na nossa economia, movimenta fornecedores, gera empregos e cria novas oportunidades. O problema é que muitas vezes acontece de produzirmos riqueza aqui e elas acelerarem o desenvolvimento de outras regiões”, continua.
Durante sua participação, Hartmann também chamou atenção para a posição geográfica estratégica da Macrorregião Norte. Para ele, a proximidade com Argentina e Paraguai ainda é subaproveitada do ponto de vista econômico e turístico.
“Estamos ao lado de dois países dolarizados. Mais de um milhão de argentinos passam todos os anos pelo Sul do Brasil. Temos uma posição privilegiada e um potencial enorme para atrair recursos externos, mas ainda enfrentamos gargalos de integração e infraestrutura que limitam esse aproveitamento”, observou.
O executivo defendeu ainda que o turismo e o mercado imobiliário turístico podem desempenhar papel importante nesse processo de atração de investimentos. Isso porque a região possui renda, qualidade de vida e potencial de consumo suficientes para sustentar novos empreendimentos voltados ao lazer, entretenimento e hospitalidade.
Outro ponto destacado por Hartmann foi o comportamento das novas gerações. A retenção de jovens, diz, depende não apenas da oferta de emprego e renda, mas também da qualidade de vida proporcionada pelas cidades.
“O jovem de hoje não pensa da mesma forma que as gerações anteriores. Ele quer viver experiências, ter qualidade de vida e opções de lazer. Se não encontrarmos formas de oferecer isso, ele vai embora. E quando o jovem vai embora, nós perdemos população, representatividade política e capacidade de crescer”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, o executivo defendeu uma mudança de postura da própria sociedade regional diante do seu potencial econômico. “Temos riqueza, empresas fortes, universidades, saúde e capacidade produtiva. A nossa região já produz muito. O desafio agora é acreditar mais nela, valorizar aquilo que construímos e fazer com que essa riqueza circule aqui dentro”, finalizou.
O Costana Frontier Resort é um empreendimento turístico em construção às margens do Rio Uruguai, em Novo Machado, na fronteira com a Argentina. O projeto prevê 275 unidades habitacionais, mais de 50 atrações de lazer e capacidade para receber mais de mil hóspedes. A conclusão da primeira fase da obra está prevista para 2029.

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