De Ijuí
A cidade de Ijuí, na Macrorregião Norte, recebeu o quarto encontro do Mapa Econômico do RS no final da tarde desta quinta-feira (28). O evento foi realizado na ACI de Ijuí e contou com a presença de lideranças empresariais e políticas, que apontaram os desafios e oportunidades para o desenvolvimento. Questões como falta de mão de obra e infraestrutura foram apontadas como gargalos para o crescimento, enquanto o agronegócio, o turismo e as iniciativas em saúde e educação são considerados ativos para atrair investimentos. A valorização da região e a oferta de atrativos para manter os jovens nas cidades também foram elencadas pelos participantes como pontos importantes a serem trabalhados.
A Macrorregião Norte tem o segundo maior PIB do Rio Grande do Sul (18,76%) e reúne 11 microrregiões: Norte, Noroeste Colonial, Fronteira Noroeste, Missões, Celeiro, Médio Alto Uruguai, Nordeste, Produção, Alto da Serra do Botucaraí, Rio da Várzea e Alto Jacuí. O agronegócio tem papel importante para os municípios do Norte gaúcho, acompanhado dos polos metalmecânico e moveleiro e da indústria de processamento de alimentos.
Painelistas apontam a valorização da região e a oferta de atrativos para manter os jovens nas cidades como pontos a serem trabalhados
Tânia Meinerz/JC
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Ijuí (ACI Ijuí), Juliano Beck, afirmou que "apoiar iniciativas como o Mapa reforça o compromisso com o desenvolvimento regional e auxilia na construção de um ambiente mais forte, inovador e colaborativo para os associados, para Ijuí e para a região".
O prefeito de Ijuí, Andrei Cossetin Sczmanski, disse que é preciso ver a promoção do desenvolvimento acontecer, buscar ideias e apresentar soluções para os desafios do dia a dia. “Só se faz desenvolvimento social através dos empreendedores que são o motor da sociedade”, afirmou. Sczmanski citou dois rankings que mostram o desenvolvimento da cidade: segundo o Ranking de Competitividade dos Municípios, Ijuí é a segunda cidade mais competitiva do Estado, e a terceira cidade do Rio Grande do Sul melhor colocada no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal. “Isso não se faz só com o poder público, se faz com a união das classes.”
O editor-chefe do Jornal do Comércio e mediador do painel, Guilherme Kolling, apresentou dados reunidos a partir da realização do Mapa Econômico. Entre os desafios que atingem o Estado, as questões climáticas têm impactado fortemente a economia gaúcha nos últimos anos devido às estiagens sucessivas e à enchente de 2024. Os reflexos no agronegócio e em outros setores são percebidos na queda do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho. Outros desafios comuns em todas as regiões gaúchas são os problemas de infraestrutura e a falta de mão de obra.
“O projeto do JC mapeou mais de 90 oportunidades de desenvolvimento no Estado, e várias delas já estão saindo do papel”, afirmou Kolling, citando o caso da construção civil na Região Norte, um dos setores onde o crescimento econômico vem se desenvolvendo com vários empreendimentos sendo erguidos. O beneficiamento de grãos e produção de biocombustíveis são outros vetores de expansão da região com iniciativas em andamento, e o setor de saúde também se destaca no Norte gaúcho. “O crescimento da Macrorregião Norte do RS surpreendeu, chegando a 18,76% do PIB, ficando atrás apenas da Região Metropolitana, que tem 39,61%”, ressaltou.
Participaram do painel o presidente do Hospital de Clínicas de Ijuí, Douglas Prestes Uggeri; o diretor industrial e de produto da Kepler Weber, Fabiano Schneider; e o diretor-executivo do Costana Frontier Resort, Vando Knob Hartmann.
Para Schneider, da Kepler Weber, a região está crescendo e se desenvolvendo, mas ainda há muita coisa a ser feita. “Existe uma preocupação com o decréscimo da população, que está chegando meio no topo e vai reduzir nos próximos anos. Temos uma região muito rica em atividades que vão demandar mão de obra. Por mais que trabalhe forte em automação e IA, sempre haverá necessidade de mão de obra”, ponderou. Uma forma de evitar a saída dos jovens da região é investir na educação dos jovens que estão saindo para o mercado de trabalho, oferecendo condições para que eles permaneçam nos municípios. O diretor da Kepler lembrou também o déficit em moradia, que atinge não só sua cidade natal, Panambi, mas outros municípios da região.
Durante sua participação, o presidente do Hospital de Clínicas de Ijuí lembrou que o HCI é o segundo maior hospital filantrópico do RS e é referência para vários municípios. “Somos a retaguarda para quem faz a região crescer, que são os empresários e os agricultores. Para uma pessoa querer investir numa região, precisa de educação e saúde”, afirmou Uggeri.
A criação do curso de Medicina contribui para ajudar a resolver um dos problemas no setor que atinge não só o setor da saúde como diversas áreas: a falta de mão de obra. “Mas além de formar novos médicos, é preciso formar outros profissionais da área médica”, disse o presidente do HCI.
Uggeri criticou a falta de valorização da região, que reúne atrativos como as Ruínas de São Miguel e o Salto de Yucumã. “Muitas pessoas não conhecem, mas visitam outras regiões”, lamentou.
Hartmann chamou atenção para o fato de a Macrorregião, que é uma das mais antigas do Estado em termos de etnias, ser uma das últimas áreas ocupadas no Estado. “Nos anos 1980 era preciso sair de Santo Ângelo, Santa Rosa ou Ijuí para ter saúde e hoje isso está consolidado”, disse.
A proximidade com a Argentina e o Paraguai é uma oportunidade para atrair visitantes estrangeiros e movimentar a economia, mas esbarra nos problemas de infraestrutura.
Schneider, da Kepler Weber, citou que a industrialização dos grãos vai gerar maior valor agregado para o produto, mas isso vai requerer profissionais mais qualificados, o que elevará o nível da região. “A Kepler está trabalhando essa industrialização dos grãos com equipamentos e tecnologia, mas também é muito forte a digitalização do pós-colheita, isso se tornou muito relevante”, disse.