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João Carlos Pires, da Cotripal

João Carlos Pires, da Cotripal


/Tânia Meinerz/JC
Já reparou como quase todas as principais cooperativas rurais gaúchas têm a produção tritícola no seu nome original? É um traço histórico que, para atender à nova demanda de biocombustíveis da região e garantir maior produtividade em todas as estações, tem a tendência de voltar a ser fortalecido. É que antes da soja representar a maior lucratividade no campo, e hoje dominar os balanços produtivos de qualquer cooperativa, foi a união dos produtores em busca de soluções coletivas para o trigo que motivou a formação dessas organizações.
Nos últimos dois anos, com a forte escassez que atingiu as safras da soja, a cultura de inverno, especialmente do trigo, foi uma espécie de salvação da lavoura.
"A demanda para a nova produção de etanol no Norte do Estado pode representar até a duplicação da área plantada de trigo. É um passo fundamental para consolidarmos a possibilidade de três safras no ano", diz o diretor de Produção Agrícola da Cotripal, João Carlos Pires.
Apontada como uma das 100 maiores empresas do Estado, a cooperativa de Panambi faturou R$ 2,3 bilhões no ano passado. Hoje, 70% da produção da Cotripal é de soja, 25% de trigo e 5% de milho. Há 66 anos, foram plantadores de trigo que formaram a cooperativa e ergueram o primeiro armazém para os grãos ao lado dos trilhos da Linha Belizário, em Panambi.
Era um movimento que se multiplicava na região. São 107 cooperativas entre as regiões das Norte, Noroeste Colonial, Fronteira Noroeste, Missões, Celeiro, Médio Alto Uruguai, Produção, Nordeste, Alto da Serra do Botucaraí e Rio da Várzea.

O conhecimento desenvolvido a partir da cultura do trigo e, posteriormente, da soja é um dos aspectos que garante a manutenção de excelentes resultados econômicos para os associados. Entre as cooperativas dessas regiões, o Sistema Ocergs contabiliza
R$ 25 bilhões de faturamento em 2022 — 35% do total faturado pelas cooperativas gaúchas no ano passado.

"A faixa norte e noroeste do Estado é a que mais registrou o desenvolvimento das cooperativas, muito em virtude da estrutura fundiária, de pequenos agricultores. Era preciso construir cooperativas para armazenar, primeiro o trigo, comprar em conjunto, vender por preços que permitissem o crescimento de todos. Foi o primeiro passo do cooperativismo, especialmente nesta região", conta o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann. Ele próprio um pequeno agricultor que desde muito jovem se envolveu na organização dos sindicatos rurais e cooperativas entre o Norte e o Centro do Estado.
Segundo ele, se a soja foi fundamental para a rentabilidade bilionária das cooperativas nas últimas décadas, e hoje tem sua área consolidada no Norte e Noroeste, com a expansão no Sul, o trigo está no DNA dessas organizações.
"Ironicamente, passado tanto tempo, ainda não resolvemos todos os problemas do trigo, que já se apresentavam na época da criação da cooperativa. Esse aspecto já mostra a importância que as cooperativas continuam tendo para o produtor no Rio Grande do Sul. O papel da cooperativa é sempre atender as necessidades do associado. Por isso, quando veio a soja, entramos nesse setor, assim como na área de frigoríficos e de varejo", diz o presidente da Cotripal, Germano Döwich.

Como resultado dessa sustentação garantida pelas cooperativas, foram retomados neste segundo semestre os investimentos em armazenamento de grãos. No caso da Cotripal, serão R$ 50 milhões em aportes, tendo a prioridade para a ampliação em
700 mil toneladas de sacas armazenadas.

De acordo com João Carlos Pires, além do déficit de armazenagem, hoje de 15 milhões de toneladas, ele aponta a necessidade de investimentos e garantias para a irrigação no campo.
"São ações que vão garantir o crescimento que estamos vislumbrando para a consolidação de três safras anuais", aponta Pires.
Mas o atendimento às necessidades dos associados, como aponta Döwich, vai bem além da terra. As organizações cooperativas, especialmente nessas regiões, miraram no comércio e em outras atividades ligadas ao agro. Nessa área do Estado, a cooperativa foi a chave para responder a praticamente todos os problemas na estruturação de comunidades tão distantes dos antigos grandes centros urbanos do Estado. O resultado está na diversificação das cooperativas da região.