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Publicada em 08 de Julho de 2026 às 18:25

Arroz movimenta economia do Litoral Norte e Região Metropolitana de Porto Alegre

Cadeia produtiva do arroz segue como um dos pilares econômicos mais importantes de municípios do Litoral Norte e da Região Metropolitana de Porto Alegre

Cadeia produtiva do arroz segue como um dos pilares econômicos mais importantes de municípios do Litoral Norte e da Região Metropolitana de Porto Alegre

/Eduardo Rocha/Divulgação/JC
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Ana Esteves
* especial para o JC


A cadeia produtiva do arroz segue como um dos pilares econômicos mais importantes de municípios do Litoral Norte e da Região Metropolitana de Porto Alegre, que se dedicam ao cultivo e industrialização do cereal.
* especial para o JC
A cadeia produtiva do arroz segue como um dos pilares econômicos mais importantes de municípios do Litoral Norte e da Região Metropolitana de Porto Alegre, que se dedicam ao cultivo e industrialização do cereal.
Desses, Mostardas é o que aparece com a maior área plantada de arroz, 32,6 mil hectares, seguida por Viamão com 18,3 mil hectares e Palmares do Sul com 14,6 mil hectares. Dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) referentes à safra 2025/2026 apontam ainda que da Região Metropolitana de Porto Alegre aparece também Eldorado do Sul com 11,7 mil hectares plantados. É nesses municípios também que se concentram as maiores beneficiadoras do grão nas respectivas regiões.
Na Planície Costeira Externa (PCE) que inclui municípios como Viamão, Santo Antônio da Patrulha, Capivari do Sul, Palmares do Sul, Mostardas e Torres foram semeados 104,2 mil hectares, com produtividade média de 8.189 quilos por hectare.
Na Planície Costeira Interna (PCI), que inclui municípios como Tapes, Camaquã, Guaíba, General Câmara, São Lourenço do Sul e na região Metropolitana, com os municípios de Eldorado do Sul e Barra do Ribeiro, foram plantados 137,4 hectares, com produtividade média de 8.823 quilos por hectare.
Em relação à distribuição de beneficiamento nas regiões, dados de 2024 do Irga indicam que a PCE trabalhava com um total de 464.399 toneladas, volume que corresponde a 8% do total beneficiado no Estado. A PCI industrializava 1.128.510 toneladas, ou 20% do cereal gaúcho que chega à indústria do Estado.
No total, o Rio Grande do Sul industrializa em torno de 5.589.458 toneladas. "Essas regiões têm um papel importante na produção, não só pelo volume mas por diferenciais de qualidade e de produtividade, com um excelente grão inteiro. Além disso concentram indústrias relevantes que contam com a vantagem logística do escoamento dos produtos por via rodoviária para mercados do centro do País, como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais", afirma o presidente do Sindicato da Indústria do Arroz do Rio Grande do Sul (Sindarroz), Dudu Nunes.
Os resultados positivos nas lavouras em produção e produtividade, graças ao trabalho de melhoramento genético e à adoção de novas tecnologias, têm como consequência um maior acúmulo dos estoques de passagem, pressionando as cotações do cereal. Além disso, o setor atravessa um momento de forte pressão econômica pela redução do consumo interno e pela entrada de arroz proveniente de países do Mercosul, fatores que contribuem para a queda nos preços pagos ao produtor.
"Em 2024, vendíamos o fardo a R$ 158, hoje estamos vendendo a R$ 96, ou seja, 37% de redução, analisando a nossa área de atuação", afirma o presidente da Cooperativa Arrozeira Palmares e da Associação dos Produtores de Arroz do Litoral Norte (Aproarroz), Virgilio Ruschel Braz.
Ao mesmo tempo, os custos de fertilizantes, combustíveis e financiamentos seguem elevados, reduzindo a margem de rentabilidade das lavouras, o que pode provocar uma redução de área plantada para a safra 2026/2027. "Projetamos uma diminuição mínima de 10% na área cultivada no próximo período. A expectativa é que parte dos produtores migre para outras culturas, como soja, ou pecuária, diminua os investimentos, buscando reduzir riscos financeiros", diz Braz.
Diante desse cenário, o setor aposta na ampliação das exportações como principal alternativa para reduzir estoques e recuperar o equilíbrio entre oferta e demanda. Atualmente, mercados da América Central figuram entre os principais destinos do arroz gaúcho. Braz afirma que a cooperativa conta com cerca de 170 produtores associados.
A diretora técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Flávia Tomita, diz que a região da Planície Costeira Interna (PCI) mantém participação significativa na produção estadual, "mesmo Porto Alegre ainda preserva pequenas áreas destinadas à orizicultura". Já a Planície Costeira Externa (PCE), ligada ao Litoral Norte, apresenta características bastante particulares, pois a proximidade com o oceano e a influência da Lagoa dos Patos fazem com que fatores como salinidade tenha impacto direto sobre as lavouras. "Embora seja a menor regional em área semeada entre as seis divisões produtivas do estado, a região possui importância estratégica para o desenvolvimento tecnológico da cultura", observa Flávia.
No município de Morrinhos do Sul, o Irga mantém uma estação experimental dedicada ao monitoramento de doenças do arroz. O local é considerado uma espécie de "viveiro de doenças", onde são testadas cultivares e linhagens em condições altamente favoráveis ao surgimento da Brusone, principal doença da cultura.
O trabalho permite identificar precocemente possíveis perdas de resistência genética e garantir que apenas variedades mais adaptadas cheguem ao mercado. Além disso, a região é referência em sistemas de cultivo pré-germinado e no monitoramento dos níveis de salinidade das águas utilizadas na irrigação. "Dependendo das condições climáticas e da influência das águas do mar, pode haver necessidade de interromper temporariamente a irrigação para evitar danos às lavouras", explica a especialista.

Denominação de origem do arroz do Litoral Norte imprime diferencial comercial

O arroz produzido no Litoral Norte do Estado conta com um diferencial exclusivo: é a única região do Brasil com certificação de Denominação de Origem (DO), em função de características de clima e solo, o que confere um diferencial comercial com maior valor agregado do produto. “Recebemos cerca de 15% a mais por esse diferencial”, afirma o presidente da Cooperativa Arrozeira Palmares e da Associação dos Produtores de Arroz do Litoral Norte (Aproarroz), Virgilio Ruschel Braz.
A proximidade simultânea do oceano Atlântico e da lagoa dos Patos proporciona características ambientais excepcionais com menor amplitude térmica, que favorece o cultivo de um grão com mais qualidade, elevado rendimento industrial e maior percentual de grãos inteiros após o beneficiamento. O resultado é um arroz com maior rendimento industrial, percentual mais elevado de grãos inteiros e melhor desempenho culinário.
Enquanto outras regiões registram índices de grãos inteiros próximos de 58% a 60%, o arroz produzido na área da denominação de origem alcança percentuais superiores a 65%, gerando ganhos econômicos para indústrias e consumidores. “Esse diferencial permite que o produto conquiste nichos de mercado mais exigentes e agregue valor à produção regional”, explica Braz. Além da qualidade, a região conta com ampla disponibilidade hídrica, solos adequados e um sistema produtivo cada vez mais diversificado.

[QUADRO] Área de arroz semeada (ha) por município no RS

Área (ha)    Região        Município
  1. 71.185         Fronteira Oeste      Uruguaiana
  2. 63.107         Zona Sul      Santa Vitória do Palmar
  3. 54.226         Fronteira Oeste      Itaqui
  4. 48.344         Fronteira Oeste      Alegrete
  5. 34.147         Campanha    Dom Pedrito
  6. 32.678        Planície da Costeira Externa   Mostardas
  7. 31.348        Planície da Costeira Interna   Camaquã
  8. 30.425         Zona Sul      Arroio Grande
  9. 28.910         Fronteira      Oeste São Borja
  10. 24.288         Depressão Central  Cachoeira do Sul
  11. 22.669         Fronteira Oeste      Barra do Quaraí
  12. 22.340         Campanha    São Gabriel
  13. 18.308        Planície da Costeira Externa   Viamão
  14. 18.283         Zona Sul      Rio Grande
  15. 18.200        Planície da Costeira Interna   Tapes
  16. 17.868         Fronteira Oeste      Maçambara
  17. 17.257         Zona Sul      Jaguarão
  18. 15.550         Campanha    Rosário do Sul
  19. 14.670        Planície da Costeira Externa   Palmares do Sul
  20. 14.100         Depressão Central  São Sepé
  21. 12.133        Planície da Costeira Interna   Barra do Ribeiro
  22. 11.973        Planície da Costeira Interna   Arambaré
  23. 11.792        Planície da Costeira Interna   Eldorado do Sul
  24. 11.442         Depressão Central  Restinga Seca
  25. 10.949         Fronteira Oeste      Quaraí
  26. 10.769         Campanha    Cacequi
  27. 10.473        Planície da Costeira Externa   Santo Antônio da Patrulha
  28. 9.115 Campanha    São Vicente do Sul
  29. 8.987 Planície da Costeira Interna   São Lourenço do Sul
  30. 8.850 Depressão Central  Agudo

 
Distribuição do beneficiamento de arroz no RS (2024)
Região        Total (ton.) %
Sul     1.238.730,09         22%
Fronteira Oeste      1.506.809,83         27%
Campanha    441.792,09  8%
Central         809.217,04  14%
Planície Costeira Interna        1.128.510,63       20%
Planície Costeira Externa        464.399,09 8%

Total Geral   5.589.458,77         100%
Área semeada com arroz na safra 2024/2025
Sul – 168.071 hectares semeados
Fronteira Oeste – 286.629 hectares semeados.
Campanha – 140.987 hectares semeados.
Região Central – 123.799 hectares semeados.
Planície Costeira Externa – 106.334 hectares semeados.
Planície Costeira Interna – 140.476 hectares semeados.
Total – 970.216 hectares 
Produção de arroz no Estado na safra 2024/2025
Sul – 1.562.149,73 milhões de toneladas
Fronteira Oeste – 2.710.736,49 milhões de toneladas
Campanha – 1.248.161,96 milhões de toneladas
Região central – 1.038.859,98 milhões de toneladas
Planície costeira externa – 861.583,50 mil toneladas
Planície costeira interna – 1.340.473,88 milhões de toneladas
Produtividade do arroz na safra 2024/2025
Sul – 9.295Kg/ha
Fronteira Oeste – 9.498Kg/ha
Campanha – 8.859Kg/ha
Região Central – 8.399Kg/ha
Planície Costeira Externa – 8.103Kg/ha
Planície Costeira Interna – 9.279Kg/ha
Média no RS – 9.044

Beneficiamento anual das indústrias arrozeiras gaúchas em 2024 
Posição Indústria Unidades ativas Beneficiamento anual
1º      CAMIL ALIMENTOS S/A.   Itaqui, Camaquã, Dom Pedrito e Rio Grande, São Paulo (sede)
2º      JOSAPAR      Pelotas (sede)
3º      PIRAHY ALIMENTOS LTDA.        São Borja
4º      COOPERATIVA TRITÍCOLA SEPEESE  LTDA – COTRISEL     São Sepé 
5º      ARROZEIRA PELOTAS      Pelotas
6º      URBANO AGROINDUSTRIAL LTDA.       São Gabriel 
7º      ENGENHO A. M. LTDA.   Eldorado do Sul 
8º      DICKOW ALIMENTOS LTDA.       Agudo 
9º      SÃO JOÃO ALIMENTOS LTDA.    Uruguaiana, São Paulo (sede) 
10º    NELSON WENDT & CIA LTDA.    Pelotas 
11º    PILECCO NOBRE ALIMENTOS LTDA.     Alegrete 
12º    RAROZ AGROINDUSTRIA DO SUL LTDA.        Itaqui
13º    COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL ALEGRETE LTDA – CAAL Alegrete 
14º    COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL COOPERJA Jacinto Machado 
15º    SANTALUCIA ALIMENTOS LTDA. Camaquã 
16º    ENGENHO CORADINI LTDA.       Dom Pedrito 
17º    RAMPINELLI ALIMENTOS LTDA.      Eldorado do Sul
18º    LINEU PINZON       Sertão de Santana
19º    CORADINI ALIMENTOS LTDA.    Bagé 
20º    MARZARI ALIMENTOS LTDA.      Santa Maria
Fonte (DE TODOS OS DADOS): Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Instituto Rio Grande do Arroz (Irga)

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