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Publicada em 06 de Maio de 2026 às 00:25

Aeródromo de Cachoeira do Sul foca no agro e busca ampliar operação

Aeródromo de Cachoeira do Sul é administrado pela prefeitura; pista tem mil metros de extensão

Aeródromo de Cachoeira do Sul é administrado pela prefeitura; pista tem mil metros de extensão

TÂNIA MEINERZ/JC
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Gabrieli Silva
Gabrieli Silva Repórter
Administrado pela prefeitura de Cachoeira do Sul, o Aeródromo Nero Moura tem na aviação agrícola sua principal atividade e se consolida como suporte direto ao agronegócio da região. Utilizado por empresas especializadas em pulverização aérea e, de forma pontual, por voos executivos, o espaço ainda opera com limitações estruturais que restringem sua expansão — mas começa a ser reposicionado pelo poder público como ativo estratégico para atração de investimentos.
Administrado pela prefeitura de Cachoeira do Sul, o Aeródromo Nero Moura tem na aviação agrícola sua principal atividade e se consolida como suporte direto ao agronegócio da região. Utilizado por empresas especializadas em pulverização aérea e, de forma pontual, por voos executivos, o espaço ainda opera com limitações estruturais que restringem sua expansão — mas começa a ser reposicionado pelo poder público como ativo estratégico para atração de investimentos.
Apesar de frequentemente chamado de aeroporto, o local é, tecnicamente, um aeródromo — distinção que reflete tanto o porte quanto as limitações operacionais da estrutura. A pista, com cerca de mil metros de extensão, restringe a operação a aeronaves de pequeno e médio porte, impedindo a atuação de aviões maiores e operações mais robustas, como transporte de cargas em escala.
Atualmente, o principal uso do aeródromo está ligado à pulverização aérea. Empresas instaladas no local realizam a aplicação de insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, em propriedades rurais da região. A atividade acompanha a vocação histórica de Cachoeira do Sul para o agronegócio, consolidando o espaço como suporte direto à produção no campo.
Além disso, o aeródromo também recebe voos pontuais de empresários que se deslocam até o município para compromissos específicos. "Eles pousam, utilizam a estrutura e retornam. Mas o foco principal hoje é a aviação agrícola", explica o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, André Bessow.
Apesar da atividade consolidada, a infraestrutura impõe restrições. A ausência de balizamento noturno impede operações após o pôr do sol, limitando o uso do espaço ao período diurno. Além disso, o comprimento da pista inviabiliza a ampliação das operações para voos comerciais ou de carga.
Hoje, não há transporte aéreo de mercadorias no local. Segundo o secretário, para viabilizar esse tipo de operação seria necessário investir no alongamento da pista — medida que também abriria espaço para novos modelos de negócio.

Formação de pilotos e presença empresarial

O espaço abriga empresas tradicionais do setor, como a Santos Dumont, a Aviação Terra e a DP Aviação — esta última também com atuação em manutenção, por meio de oficina aeronáutica. Um dos diferenciais locais é a formação de pilotos agrícolas, com destaque para a escola mantida pela Santos Dumont, considerada referência nacional e com cerca de cinco décadas de atuação.
Aeródromo de Cachoeira do Sul abriga empresas do setor e projeta ampliar operação | TÂNIA MEINERZ/JC
Aeródromo de Cachoeira do Sul abriga empresas do setor e projeta ampliar operação TÂNIA MEINERZ/JC
A presença dessas empresas ajuda a manter o aeródromo em operação contínua e reforça sua importância como polo técnico especializado, ainda que voltado a um nicho específico da aviação.

Plano de expansão para o aeródromo

A gestão do aeródromo é municipal, e o principal desafio, segundo Bessow, está na construção de um plano estratégico capaz de atrair investimentos. A prefeitura identifica áreas no entorno com potencial para receber novas empresas, oficinas aeronáuticas e ampliar as atividades já existentes.
Nesse contexto, o município já encaminhou demandas aos governos estadual e federal. Entre as prioridades estão o cercamento da área e a instalação de balizamento noturno, medidas consideradas básicas para qualificar a operação. Os projetos técnicos para essas melhorias ainda estão em elaboração.
A busca por parcerias com a iniciativa privada também faz parte da estratégia. "O município não tem capacidade de investir sozinho. Queremos ampliar a participação privada e posicionar o aeródromo como um ativo econômico", destaca o secretário.
A aposta do município está na localização estratégica de Cachoeira do Sul. Cortada por rodovias importantes, como a BR-290 e a BR-287, e com acesso ao Rio Jacuí navegável, a cidade reúne diferentes modais logísticos que, na avaliação da gestão, podem ser integrados.
Nesse cenário, o aeródromo aparece como peça complementar de uma matriz logística mais ampla. A qualificação da estrutura poderia ampliar a atratividade do município para empresas que dependem de mobilidade ágil para executivos e operações.
A possibilidade de implantação de voos comerciais já foi discutida em outros momentos, mas não há avanços concretos. A proximidade com aeroportos regionais, como os de Santa Cruz do Sul e Santa Maria, reduz a viabilidade econômica de novas rotas em Cachoeira do Sul.
Enquanto isso, o futuro do aeródromo depende de investimentos que permitam superar limitações estruturais e diversificar seu uso. Entre o presente ancorado no agronegócio e o potencial logístico ainda em construção, o espaço segue como uma infraestrutura estratégica à espera de expansão.

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