Com a produção em alta, um desafio se apresenta aos produtores gaúchos de azeite de oliva, que tem na faixa central do Rio Grande do Sul a sua área mais produtiva: convencer o consumidor de que aqui se produz um azeite com o melhor padrão de qualidade possível.
“Quanto mais próximo for produzido o azeite, melhor ele será quando chegar ao consumidor. No mundo inteiro, o produto local é mais valorizado. No Brasil, o produto importado chega aqui sem impostos e ganha competitividade na prateleira, mas o azeite brasileiro será sempre muito mais saudável do que o importado. Imagine as reações no produto só com o transporte até o Brasil”, detalha a diretora do Lagar H, de Cachoeira do Sul, Glenda Haas.
O Lagar H é um dos que projeta para este ano uma produção recorde, com safra cheia. Segundo Glenda, a estimativa é receber até 400 toneladas de azeitonas. Três anos atrás, quando houve outra safra recorde, foram 300 mil quilos. São frutos colhidos na propriedade onde foi criado o Lagar H e em outras cinco vizinhas. No final, a estimativa é render 45 mil litros de azeite.
O excelente desempenho não é exceção. Neste ano, o setor projetava colher 300 mil toneladas de azeitonas e produzir até 1 milhão de litros de azeite. A maior área de plantio e produção de azeites do Estado fica justamente em Cachoeira do Sul, onde há pelo menos outros dois produtores.
Hoje com 170 hectares de plantio, com 28 mil oliveiras plantadas – 16 mil delas em produção –, o Lagar H, às margens da BR-153, começou suas atividades na região em 2014.
“Em Cachoeira temos um terroir diferenciado, no Paralelo 31, que é o mesmo do Mediterrâneo, onde o inverno é mais frio e o verão mais seco, mesmo com alguma irregularidade na distribuição de chuvas, que logo descobrimos que era um desafio. A nossa ideia desde o início era fazer algo de alta qualidade e com algum diferencial marcante. A primeira safra foi em 2020 e, em 2021, lançamos a nossa marca”, explica a diretora.
E aí entrou em cena o diferencial que a Glenda buscava: a sustentabilidade. O Lagar H é o único com produção de azeites na região com selo de Carbono Zero – emissões negativas – certificadas em 2023.
“Naturalmente, a oliveira, que tem um longo ciclo produtivo, captura muito CO2, mas queríamos ir além, e desenvolvemos um trabalho de rastreamento das nossas emissões, inclusive, agora, com a possibilidade de aumento da nossa produção a partir desta safra, faremos uma revisão dos nossos índices”, explica a diretora.
Além das próprias plantas, a empresa passou a rastrear as emissões de toda a sua cadeia produtiva. Desde os insumos, com produção integrada aos olivais, há controle e cálculo da captura de carbono.
No processo produtivo pós-lavoura, as medidas também avançaram. O lagar (local onde é feita a extração do azeite), mesmo com grande necessidade de refrigeração, é abastecido com energia solar, e o uso da água na produção tem um ciclo circular fechado.
De acordo com Glenda Haas, em torno de 80% das emissões relacionadas à produção do Lagar H estão na fase de transporte. A empresa, que hoje coloca seus azeites, por exemplo, no varejo de São Paulo, traçou, e afere, o caminho completo do campo ao consumidor.
Produção de azeitonas
75% da produção brasileira de azeitonas está no Rio Grande do Sul, e a expectativa é de safra recorde em 2026.
Maiores produções de azeitonas na Macrorregião Central
- Cachoeira do Sul
- Encruzilhada do Sul
- São Sepé
- Restinga Sêca
- Pantano Grande
Produção de azeites na região
- Cachoeira do Sul
- Encruzilhada do Sul
- Restinga Sêca
FONTE: Ibraoliva, IBGE