Dois trechos nevrálgicos da logística regional no Rio Grande do Sul, já operados por concessionárias, avançam após os estragos provocados pelas cheias de 2023 e 2024. Na BR-386, o primeiro trecho duplicado pela ViaSul fica justamente no Vale do Taquari. Foram 20,3 quilômetros entre Marques de Souza e Lajeado, concluindo um montante de R$ 446 milhões em mais de quatro anos, que resultaram em caminho aberto – ao menos neste trecho – para o fluxo da safra que vem do Norte do Estado e, pela BR-386, chega até a Região Metropolitana. Além de essencial para potencializar, por exemplo, um novo polo logístico no Estado, em Estrela.
Caminho semelhante acontece na RSC-287, que cruza os Vales do Rio Pardo, Taquari e a Região Central do Estado. Depois de finalizar no começo do ano a duplicação dos primeiros 14 quilômetros entre Tabaí e Taquari (10 km), e no trecho urbano de Santa Cruz do Sul (4 km), com um investimento de R$ 125 milhões, a concessionária Rota Santa Maria iniciou no primeiro trimestre deste ano, com previsão de entrega ao longo do próximo ano, outros dois trechos, totalizando 30 quilômetros e outros R$ 240 milhões em investimentos entre Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul (20 km) e entre Santa Cruz do Sul e Vera Cruz (10 km).
“É o trecho de maior volume de tráfego e, hoje, de maior acidentalidade na região, especialmente em relação à força da produção e das indústrias do tabaco na região. Temos uma rodovia duplicada e em condições de resiliência adaptadas à nova realidade do Rio Grande do Sul após as cheias”, afirma o diretor geral da Rota Santa Maria, Leandro Conterato.
Nos últimos anos, com o estrago deixado pela enchente, a expectativa da concessionária de crescimento no fluxo de veículos e cargas na RSC-287 foi frustrada. “Desde as cheias, a rodovia tem passado por muitas obras, máquinas na pista, algumas interrupções de tráfego momentâneas. O tráfego de longo curso acaba optando por vias como a BR-290. Mas estamos no coração de uma região que tem se desenvolvido muito, especialmente neste segundo trecho a ser duplicado, então, a nossa projeção é de que este movimento retorne e que, inclusive, novos investimentos sejam atraídos ao eixo da RSC-287 a partir das melhorias”, comenta.
Severamente atingida pelas enxurradas de dois anos seguidos, as melhorias da RSC-287 não se limitam a ações de duplicação. Paralelamente, acontecem obras de recuperação e adaptação dos trechos mais atingidos pela catástrofe. Dois desses, em pontes sobre arroios de Paraíso do Sul e Santa Maria, as obras já tiveram a primeira fase concluída e, no caso do Arroio Grande, em Santa Maria, a segunda fase já envolve a entrega de uma nova ponte, duplicada.
Ainda em 2025, o Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) aprovou um primeiro repasse de R$110 milhões à concessionária como reequilíbrio pelas obras não previstas originalmente em contrato. Até março, não havia acontecido nenhum repasse de valor pelo Fundo. E neste ano, o plano da Rota Santa Maria é levar adiante outros dois trechos críticos que precisam ser readaptados. Como ainda não há consenso, as obras ainda não iniciaram. Trata-se de reconstrução da rodovia em Candelária e na Vila Mariante, em Venâncio Aires.
“Nosso plano era iniciar essas obras no segundo trimestre, envolvendo aumento das cotas de inundação das pistas, aterros em rocha e revisão de projetos de drenagem, além de novas pontes, com estruturas mais resilientes, antes não previstas”, explica Conterato.
Outros projetos rodoviários na região
- Novo traçado da BR-392: há obras em andamento no trecho urbano de Santa Maria, e há esperança de que a licitação para que a obra, entre Santa Maria e a região das Missões, seja lançada em 2027. O plano é construir 223 quilômetros de rodovia, entre cinco lotes, com custo estimado em R$ 1,6 bilhão.
- Bloco 2 de concessões estaduais: o leilão para a concessão do Bloco 2 de rodovias estaduais está previsto para 10 de junho. Estão incluídas três rodovias no Vale do Taquari: ERS-128 (Via Láctea), ERS-129 e ERS-130.