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Publicada em 26 de Abril de 2026 às 00:25

Cadeia de fornecimento da construção civil está aquecida no Vale do Taquari

Bairro Nova Morada, em Estrela, integra pacote de moradias a serem entregues à população

Bairro Nova Morada, em Estrela, integra pacote de moradias a serem entregues à população

/Prefeitura de Estrela/Divulgação/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
Se, por um lado, o cenário deixado pelas cheias de 2023 e 2024 representou oportunidade para o empresário Maurício Juchem, por outro, reforçou a sua resiliência. Ele é a terceira geração da família à frente da Cerâmica Barrense, que há 78 anos produz tijolos em Arroio do Meio. A cerâmica opera justamente no encontro entre os rios Forqueta e Taquari. E foi duramente castigada pelas enchentes.
Se, por um lado, o cenário deixado pelas cheias de 2023 e 2024 representou oportunidade para o empresário Maurício Juchem, por outro, reforçou a sua resiliência. Ele é a terceira geração da família à frente da Cerâmica Barrense, que há 78 anos produz tijolos em Arroio do Meio. A cerâmica opera justamente no encontro entre os rios Forqueta e Taquari. E foi duramente castigada pelas enchentes.
Ficamos 55 dias parados, sem condições de produzir e perdendo mercado. Na primeira cheia, a água subiu um metro e meio na cerâmica. Achei que seria impossível algo pior. Tínhamos nos recuperado, e aí, em maio de 2024, eu já estava com os motores para o alto e não adiantou. A água ficou quatro metros acima da cota que tivemos em 2023. Se não quebramos naquele momento, não quebramos mais”, conta.
Ele calcula que somente em março deste ano foi possível empatar as contas em relação ao prejuízo de 2024. A resistência foi uma exceção. A produção cerâmica é uma tradição entre os vales do Taquari e Rio Pardo. Como Juchem lembra, Arroio do Meio chegou a ter 17 empresas do setor; restaram só quatro.
Passada a enxurrada, a produção de tijolos precisava acompanhar o ritmo da reconstrução e agora, dois anos depois, a execução dos projetos que redefinem o Vale do Taquari. A Cerâmica Barrense produz atualmente entre 800 mil e 1 milhão de peças ao ano, entre tijolos de vedação e estruturais. Segundo o proprietário, 70% da produção é direcionada a construções residenciais.
Houve um aumento de 40% na demanda no pós-cheia. E neste ano, estima o empresário, a tendência é de alta ainda maior. Por isso, a empresa investiu mais de R$ 1 milhão em automatização de carga e descarga e, com isso, conseguiu uma elevação de 25% na produção. São 18 pessoas trabalhando atualmente na produção de tijolos, com operação da fábrica por 24 horas.
“Temos um mercado bastante dependente de Lajeado. Quando ficamos inviabilizados pela enchente, aquelas construtoras foram em busca de outros fornecedores, em outras regiões. Nos recuperamos, fizemos investimentos e, no começo deste ano, trabalhamos para recuperar aqueles antigos clientes. Metade deles já voltou a comprar da empresa”, conta.
A Cerâmica Barrense encontra a matéria-prima para os seus tijolos em três jazidas licenciadas em Arroio do Meio. Há ainda uma quarta, em fase de licenciamento. A região tem uma argila arenosa, com características adequadas para materiais de sustentação como tijolos.
No Vale do Rio Pardo, a produção cerâmica tem valor internacional. Em Pantano Grande, a partir de jazidas exploradas por empresários catarinenses, foi negociado US$ 1,5 milhão em exportações em 2025. Já nos dois primeiros meses deste ano, já foi exportado o dobro, representando quase 90% de todas as exportações do município.
Pantano Grande é reconhecido por abrigar jazidas com argilas plásticas de alta qualidade, aplicadas principalmente na produção de pisos de alta resistência.
Na cadeia de fornecedores da construção civil da região, há ainda empresas como a Lajeadense Vidros. Também atingida diretamente pela enxurrada, no ano passado a fábrica inaugurou sua nova planta industrial.
“Ainda não foi possível cobrir os prejuízos deixados pela enchente. Mesmo com o aquecimento da construção civil na região, para o nosso mercado de vidros ainda há muita instabilidade. Desde o final de 2025, a partir de um investimento em melhoria de linhas de produção, temos capacidade para produzir 30 mil metros quadrados por mês, mas o nosso foco não está tanto no volume produzido, mas na produção com maior valor agregado”, explica o sócio da Lajeadense Vidros, Régis Arenhart.
O ideal, aponta o diretor, é manter uma média de 20 mil metros quadrados mensais com vidros temperados, laminados e com recortes especiais. Por isso, a grande aposta da empresa está no wall glass (temperado) e duoglass (vidro duplo), inclusive com a capacidade de produção dos maiores vidros duplos da América Latina.
De acordo com Arenhart, a empresa atende, em sua maior parte, a projetos de padrão mais elevado, e o Vale do Taquari ainda não concentra a maior quantidade de vendas. Regiões como Porto Alegre, a Serra e Passo Fundo se destacam.
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Canteiro de obras para novas moradias

  • Estrela: até o final do ano, 300 novas moradias devem estar construídas com aportes do governo estadual, além das estruturações de novas unidades de saúde e escolas para a população atingida pela enchente. O município aguarda ainda as definições do maior loteamento resultante da recuperação, com 800 unidades anunciadas pelo governo federal. 
  • Cruzeiro do Sul: avança o Novo Passo de Estrela, que é a construção, em um novo local da cidade, de um dos bairros destruídos pela enxurrada, com investimento de R$ 87 milhões pelo governo do Estado. Serão construídas, com previsão de início das obras em maio, 150 novas casas e 209 lotes urbanizados. No local do antigo Passo de Estrela é projetado um parque linear resiliente.
  • Arroio do Meio: iniciou em fevereiro a construção do Residencial Morada do Taquari, para atender a famílias desabrigadas pela cheia. São 200 unidades habitacionais construídas com recursos federais.
  • Encantado: com investimento de mais de R$ 20 milhões, o governo do Estado entrega mais de 100 moradias no bairro Zacarias. Outras 100 são construídas no Loteamento União, no bairro São José. O governo federal ainda investe na estruturação de uma nova área para 30 moradias e infraestrutura comunitária.
  • Muçum: toma forma o Loteamento Cidade Alta II, com 50 casas. O município receberá ainda, pelo Programa A Casa é Sua, mais 134 unidades habitacionais pelo governo do Estado, com investimento superior a R$ 23 milhões até o final de 2026.
  • Roca Sales: entregues 110 novas moradias com investimento federal.
  • Rio Pardo: são 40 unidades habitacionais, com 20 delas já entregues, construídas com recursos do governo do Estado para famílias atingidas pela enchente.
  • Venâncio Aires: foram entregues em fevereiro 112 unidades pelo programa Minha Casa, Minha Vida, com investimento de R$ 12 milhões federais para atingidos pela cheia. São previstas ainda 72 unidades habitacionais pelo governo do Estado.

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