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Publicada em 26 de Abril de 2026 às 00:25

Planos diretores adaptados proíbem construção em áreas que alagam no Vale do Taquari

Município de Estrela já soma 1.720 unidades habitacionais garantidas

Município de Estrela já soma 1.720 unidades habitacionais garantidas

/Prefeitura de Estrela/Divulgação/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
O novo planejamento do Vale do Taquari ganhou, neste início de 2026, forma jurídica, com a finalização dos estudos, por parte da Universidade do Vale do Taquari (Univates), em parceria com o governo do Estado, para balizar novos planos diretores a um conjunto de sete municípios da região – Muçum, Encantado, Roca Sales, Arroio do Meio, Colinas, Estrela e Cruzeiro do Sul. Entre as recomendações técnicas, já em plena execução pelas administrações locais, está a proibição de construções habitacionais ou industriais nas chamadas áreas de arrasto, que foram destruídas na enxurrada.
O novo planejamento do Vale do Taquari ganhou, neste início de 2026, forma jurídica, com a finalização dos estudos, por parte da Universidade do Vale do Taquari (Univates), em parceria com o governo do Estado, para balizar novos planos diretores a um conjunto de sete municípios da região – Muçum, Encantado, Roca Sales, Arroio do Meio, Colinas, Estrela e Cruzeiro do Sul. Entre as recomendações técnicas, já em plena execução pelas administrações locais, está a proibição de construções habitacionais ou industriais nas chamadas áreas de arrasto, que foram destruídas na enxurrada.
O avanço acontece no papel, mas principalmente nos canteiros de obras. “O mercado de imóveis está pujante na região, com um crescimento gigantesco de lançamentos. Era um movimento que já vinha acontecendo, especialmente em Lajeado, que é como uma capital regional, desde antes da enchente. Logo após a cheia, com as migrações internas, os aluguéis acabaram disparando. Agora, o ambiente economicamente diversificado volta a estimular os empreendimentos, inclusive de padrão mais elevado”, aponta o diretor de construção civil do Sindicato das Indústrias da Construção, Mobiliário, Marcenarias, Olarias e Cerâmicas do Vale do Taquari (Sinduscom-VT), César Bergesch.
Além de Lajeado, que tem estimulado o desenvolvimento de novas áreas descentralizadas, Bergesch considera Teutônia, Estrela, Cruzeiro do Sul e Encantado pontos de grande oportunidade para a construção, tanto residencial quanto para empresas.
“Teutônia, por exemplo, é um bom negócio, mas ainda não há grande volume de construções. Com o aquecimento da economia local estimulado pela migração depois da cheia, os aluguéis, que já eram elevados na cidade, aumentam ainda mais”, comenta.
Determinante para o redesenho da região, no entanto, tem sido a concretização de pesados investimentos públicos nas áreas habitacional e de infraestrutura. Entre recursos federais e estaduais, são mais de 2,4 mil unidades habitacionais já entregues ou em obras entre os vales do Taquari e Rio Pardo. A estimativa do governo do Estado é de que, em média, três casas tenham sido concluídas por dia entre os municípios da microrregião.
“Infelizmente, a enchente agravou uma necessidade que a região já tinha há muito tempo por políticas habitacionais. São fundamentais tanto para dar segurança à população, que vivia em áreas de alto risco, como, por exemplo, para garantia de mão de obra a empresas que queiram investir aqui. Aluguéis são muito caros e não atendem a essa realidade. As políticas públicas não deveriam ser motivadas por hecatombes”, comenta Bergesch.
Somente em Estrela, são 1.720 unidades habitacionais garantidas – incluindo a compra assistida, com casas já prontas. Mais de 600 já foram entregues – 500 pela compra assistida e 100 construídas –, e outras 200 devem estar prontas até o final do ano. A maior parcela, porém, está em um pacote de 800 unidades habitacionais a partir de investimento federal, ainda não iniciado.
A estimativa é de que os bairros Pinheiros, Nova Morada e Boa União, que ficam na parte mais alta da cidade, vão dobrar de população. Para dar conta desta mudança, o município investe na construção de 12 novas escolas e três novos postos de saúde. Ao todo, somente em Estrela, são R$ 1,3 bilhão – R$ 360 milhões da iniciativa privada – que começam a ser investidos, e seguirão por um prazo de quatro anos.

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