Cachoeira do Sul, na Região Central do Estado, reúne ativos estratégicos que colocam o município em posição de destaque no cenário econômico regional, mas ainda enfrenta entraves estruturais que limitam seu pleno desenvolvimento. A avaliação foi feita pelo presidente da Câmara de Agronegócio, Comércio, Indústria e Serviços de Cachoeira do Sul (Cacisc), Rafael Vargas de Quadros, no segundo evento do Mapa Econômico do Rio Grande do Sul de 2026, promovido pelo Jornal do Comércio na noite de quarta-feira, 15 de abril.
Para Quadros, a cidade foi "agraciada na sua forma natural", com localização privilegiada e forte presença do setor primário, com uma cadeia produtiva diversificada que vai do agronegócio à indústria de base tecnológica. Esse conjunto, afirmou, confere ao município uma "essência econômica muito importante", capaz de sustentar novos ciclos de crescimento.
No entanto, o dirigente chamou atenção para a necessidade de avançar na diversificação da matriz econômica, hoje fortemente dependente do setor primário. A cidade e a região precisam, em sua avaliação, abrir espaço para novas atividades, especialmente ligadas à inovação e ao conhecimento. Nesse contexto, o papel das instituições de ensino superior foi apontado como decisivo.
"Precisamos passar de uma cidade com universidades para uma cidade universitária", sustenta. A mudança de conceito passaria por reter o capital intelectual local. "Os jovens vêm estudar aqui, mas acabam indo embora. Precisamos criar condições para que permaneçam e gerem desenvolvimento", afirmou. Ampliar a oferta de formação com cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado é um caminho sugerido por Quadros. Ele defende que isso cria um ambiente favorável à pesquisa e à inovação, além de formar um novo público para residir e consumir na região.
A aproximação entre academia, setor produtivo e poder público também foi destacada como elemento-chave. Para o presidente da Cacisc, essa integração pode dar origem a um novo segmento econômico baseado em tecnologia, startups e soluções inovadoras. Ele citou iniciativas já existentes no município como exemplos de um ecossistema em formação, que precisa de estrutura para se expandir.
O presidente da Cacisc também falou da necessidade de investir em tecnologia aplicada ao agronegócio, especialmente diante dos eventos climáticos extremos que atingem o Estado e impactam a safra. Com a tendência de aumento de eventos como chuvas intensas e secas prolongadas, Quadros ressaltou que será indispensável elevar a produtividade por meio da inovação. "Temos alternativas, mas precisamos aproximar esses meios e dar condições de estrutura", pontuou.
Apesar das potencialidades, o dirigente foi enfático ao apontar a infraestrutura como o principal gargalo ao desenvolvimento. Problemas logísticos, como limitações em rodovias, pontes, ferrovia desativada e porto inoperante, dificultam tanto o escoamento da produção quanto a atração de novos investimentos. "Como vamos atrair empresas se temos dificuldade até de acessar a cidade?", questionou.
A ausência de áreas industriais plenamente estruturadas também surge como obstáculo. Embora exista um novo parque em desenvolvimento, próximo à região portuária, o projeto ainda demanda investimentos e planejamento para se tornar efetivamente competitivo. Paralelamente, deficiências em serviços básicos, como abastecimento de água e fornecimento de energia elétrica, agravam o cenário e impactam diretamente a operação das empresas já instaladas.
Diante desse diagnóstico, Quadros defendeu a definição clara de prioridades. Para ele, a dispersão de esforços compromete a efetividade das ações. "Não é possível tratar tudo como urgente. É preciso escolher o que é prioridade e trabalhar de forma integrada", afirmou, indicando a infraestrutura e a logística como o ponto de partida.
Quadros encerrou sua participação com uma mensagem mais otimista em relação ao futuro de Cachoeira do Sul e da região central do Estado. "Temos todas as condições de retomar nosso protagonismo regional. O desafio é transformar esse potencial em resultados concretos", concluiu.