A fábrica de embalagens plásticas Galvanotek já é consolidada em Carlos Barbosa, na Região da Serra. Há mais de 30 anos no mercado, ela tem buscado se tornar ainda mais conhecida regionalmente. Em uma perspectiva de crescimento gradual, planeja ampliar sua produção ainda neste ano e ingressar em um novo mercado em 2027: o de embalagens de papel.
Para isso, está prevista a inauguração de uma nova planta industrial, no município vizinho, Barão, onde já há sua filial. A operação iniciará no próximo ano, ocupando um espaço de 26 mil metros quadrados e ampliando ainda mais o quadro de funcionários, que já conta com 850 contratados diretamente pela empresa. O valor do investimento não foi divulgado à imprensa.
Hoje, 6 mil toneladas de plástico são transformadas em embalagens a cada mês, somando o volume produzido pelas duas plantas da Galvanotek. Em 2026, 25 novos produtos devem entrar no catálogo da empresa, enquanto outros 25 serão reformulados. E, é claro, as linhas de produção serão adaptadas e ampliadas, crescendo, também, a capacidade industrial.
Isso deverá ser realizado a partir de novos maquinários — e não apenas adquiridos. Afinal, a empresa também fabrica seus próprios equipamentos. Inicialmente, essa atividade era realizada pensando em um mercado externo, mas, atualmente, é focada em alimentar as necessidades internas. Ao todo, são 90 máquinas termoformadoras fabricadas no local. Algumas delas, robotizadas.
A empresa tem, ainda, investido em tecnologia e inovação. O design dos produtos é um dos principais focos da marca para os próximos anos. E está em curso uma modernização com a atualização do layout de parte da atual planta de Carlos Barbosa.
"Temos mais de 5 mil clientes ativos, com distribuidores em vários lugares do País. Quando olhamos para a capacidade de produção e expansão, temos que olhar para esse canal de distribuição. Então, planejamos a expansão para os próximos cinco anos, com a perspectiva de expandir a capacidade produtiva e o portfólio. E vai ser um investimento bem expressivo", pontua o coordenador de vendas da Galvanotek, Jeancarlo Piccinini.
Marca gaúcha exporta ao exterior
Hoje, a Galvanotek abastece grandes redes supermercadistas, indústrias como a Tramontina e a Santa Clara, e, até mesmo, grandes grupos do varejo — até às redes de fast food mais famosas — e, inclusive, fabrica produtos personalizados sob demanda. A equipe de 120 representantes levou a empresa a estar presente em todo o Brasil e também exportar ao exterior, para 18 países, localizados nas Américas, na África e na Europa.
Estamos presentes em todo o Brasil e exportamos para vários outros países, incluindo a América do Sul praticamente inteira. Temos distribuidores na Costa Rica, El Salvador, Honduras, Porto Rico, México e Estados Unidos, além da operação em Portugal e Angola", detalha Piccinini, revelando também que há planos de expandir essa atuação.
Por questões geopolíticas, um dos destinos, a Venezuela, está gerando maiores empecilhos. Entretanto, Piccinini garante que está sendo possível realizar uma operação, de maneira mais delicada, pela fronteira. Em relação aos Estados Unidos, apesar de as tarifas impostas por Donald Trump a produtos brasileiros — e da reviravolta da derrubada das taxas pela Suprema Corte —, o comércio segue funcionando.
Sustentabilidade em foco nos processos produtivos
A Galvanotek tem transformado em um de seus principais pilares as práticas ambientais, sociais e de liderança, conhecidas pela sigla ESG, em inglês. Entre elas, destacam-se iniciativas voltadas, especialmente, à sustentabilidade.
Um dos materiais utilizados para a fabricação das embalagens utiliza a tecnologia ABA. Nela, uma camada de plástico reciclado é encapsulada entre outras duas camadas de plástico virgem — como se fosse um sanduíche.
Conforme explica a analista de pesquisa e desenvolvimento da Galvanotek, Paula Bragagnolo, isso amplia a reciclabilidade nos processos enquanto mantém o produto apto para estar em conformidade com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para armazenagem de alimentos.
Há, ainda, práticas de logística reversa. "Temos uma forma de Cpet (Polietileno Tereftalato Cristalizado), um tipo de plástico que pode ir ao forno, e que pode ser usada para assar bolo. Tem um grupo supermercadista que usa elas e retornam. Mandamos elas para a recicladora parceira e voltam para usarmos na produção", exemplifica Patrícia.
Outra iniciativa é o projeto Reciclos, que busca incentivar a coleta e o descarte consciente junto ao consumidor, com ação em escolas e eventos municipais. Há também parcerias com recicladoras e cooperativas para aumentar a taxa de reciclabilidade, vista pela empresa como um desafio, devido à dificuldade de diferenciação dos tipos de plástico pelos catadores, oferecendo treinamentos para esse público.