Gravataí tem 38.268 micro e pequenas empresas (MPEs) ativas, o equivalente a 96% dos 39.873 CNPJs registrados no município, segundo um levantamento do Observatório Econômico do Sindilojas Gravataí, com base em dados da Receita Federal de setembro deste ano e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2025. Para a presidente da entidade, Salete Peruzzo, o principal desafio desses negócios é a gestão.
Segundo a dirigente, como Gravataí não sofreu tanto com as enchentes de 2024 tanto quanto outros municípios da região, o município acabou sendo
destino de um grande contingente de novos moradores desde então, cerca de 30 mil. Uma das consequências foi a
abertura de pequenas empresas, principalmente MEIs, tanto por quem chegou quanto para aproveitar o potencial de consumo deste novo fluxo. Entretanto, não necessariamente a abertura desses negócios significa sucesso ou longevidade.
De acordo com Salete, o varejo passou por mudanças de consumo, de tecnologia e de tributação, e muitos empreendedores ainda não se adaptaram. "O modelo de empresa hoje é gestão. É muito diferente de antigamente", afirma. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, João Campos, soma a esse cenário os juros altos e a concorrência das grandes plataformas de comércio eletrônico com centros de distribuição na cidade.
Entre as MPEs, os microempreendedores individuais (MEIs) somam 23.717, ou 62% do total. Os serviços concentram 53,1% dos negócios, seguidos por comércio (25,8%), indústria (10,5%) e construção (10,3%). A idade mediana dos negócios é de 3,3 anos.
Elas estão em 75 bairros e localidades da sede, além dos distritos, com liderança do Centro (2.797). No emprego, reúnem 24.238 vínculos formais, 43,5% dos 55.783 das empresas privadas, e correspondem a 96,9% dos empregadores privados. Farmácias e drogarias são a atividade que mais emprega nas MPEs, com 781 vínculos. A indústria tem 10,5% das MPEs, mas cerca de 26% dos empregos desse porte, e na construção as MPEs reúnem 62,3% do emprego privado do setor.
Salete atribui parte do cenário à mudança de comportamento do consumidor. "O consumidor não quer mais sair de casa. Ele já quer comprar na sua região, no seu bairro", diz. Conforme a presidente, o movimento pesa sobretudo nas áreas centrais, e o lojista ainda está se adaptando. Ela cita também a concorrência dos centros de logística do e-commerce, que, segundo ela, somam um milhão de metros quadrados no município.
A dirigente observa que parte dos empresários que encerram empresas de médio porte abre MEIs ou negócios de serviços. Para ela, falta informação básica a quem começa. "No mesmo tanto que elas abrem, elas também fecham muito rápido", afirma. "O amadorismo acabou", completa. O Sindilojas mantém treinamentos gratuitos com o Senac e o programa Impulsa MEI, com a faculdade Senac de Gravataí, voltado à gestão dos pequenos negócios.
Campos aponta os juros como o "risco número um" para as MPEs. Segundo o secretário, a prefeitura aplica um questionário a quem pede baixa da empresa, e cerca de 99% atribuem o fechamento ao aumento da taxa de juros. Para ele, o desafio "vai persistir por vários anos". O secretário também destaca a digitalização: "O grande desafio que eu vejo hoje é acompanhar essa evolução que está acontecendo muito rápido".
O secretário afirma que há vagas na cidade, mas falta mão de obra qualificada, e por isso a prefeitura promove cursos em parceria com empresas e, em média, uma feira de empregabilidade por mês. Ele cita a inauguração de uma unidade do Mercado Livre, com 720 funcionários, e o anúncio de mais dois pavilhões até 2028, que somarão 5 mil vagas, como exemplo da chegada de grandes empresas. "Todas as empresas são muito bem-vindas no município", diz.
A prefeitura atua por meio da Sala do Empreendedor, com orientação, capacitação e incentivo à formalização. Campos cita a missão de 45 empreendedores à Mercopar, em Caxias do Sul, em parceria com o Sebrae e sem custo, feiras de empregabilidade e um canal de financiamento com juros abaixo do mercado, em parceria com entidades. "Eu sempre digo que a cidade de Gravataí é amiga do empreendedor", afirma. A Sala do Empreendedor conquistou o Selo Ouro em 2025 e busca o Selo Diamante da Certificação Nacional.
Gravataí tem dois números distintos para as empresas ativas no município. O Sindilojas Gravataí, com base em dados da Receita Federal, aponta 39.873 CNPJs ativos em setembro de 2026. A base da prefeitura, que considera a inscrição municipal, registrava até o mesmo mês 48.246 empresas ativas, uma diferença de 8.373.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, João Campos, os sistemas da Receita, da Junta Comercial e da prefeitura não são unificados. Ele explica que uma empresa pode pedir baixa em um e permanecer ativa em outro. A situação ocorre principalmente entre os MEIs, que são maioria. O cadastro econômico municipal soma empresas desde a origem da prefeitura, desconta as baixas e inclui as novas, em média de 120 a 150 por mês.
Campos afirma que nenhuma empresa pode operar no município sem alvará de funcionamento, que corresponde à inscrição municipal. Por isso, diz que a prefeitura se baseia em seus próprios registros, e não nos dados da Receita ou da Junta.
Segundo Campos, a proporção de MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte também chega a 95% a 96% na base municipal. Ele diz ainda que, nos seis primeiros meses do ano, a contabilidade da prefeitura registra de 1.000 a 1.200 novas empresas, volume menor que o de cerca de 5 mil aberturas citado em divulgação baseada em dados da Receita.