Porto Alegre,

Publicada em 20 de Outubro de 2026 às 18:16

Entre ficar e partir: os caminhos de quem escolhe Santa Maria para estudar

Thiago Brandão, Gabriel Machado Douglas da Costa Cezar veem cenários diferentes pós-formatura

Thiago Brandão, Gabriel Machado Douglas da Costa Cezar veem cenários diferentes pós-formatura

ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar Repórter
Para milhares de jovens, Santa Maria representa o começo de uma trajetória profissional. A presença de universidades e instituições de ensino atrai estudantes de diferentes regiões, que encontram na cidade a oportunidade de conquistar um diploma e dar os primeiros passos na carreira. Mas, quando a formatura se aproxima, surge uma dúvida: permanecer no município ou procurar oportunidades em outros lugares?
Para milhares de jovens, Santa Maria representa o começo de uma trajetória profissional. A presença de universidades e instituições de ensino atrai estudantes de diferentes regiões, que encontram na cidade a oportunidade de conquistar um diploma e dar os primeiros passos na carreira. Mas, quando a formatura se aproxima, surge uma dúvida: permanecer no município ou procurar oportunidades em outros lugares?
A resposta varia conforme a profissão, as expectativas e as condições encontradas no mercado local. Enquanto alguns conseguem construir a carreira em Santa Maria, outros enxergam melhores perspectivas fora dela. Entre os que ainda estudam, há quem já se prepare para partir e quem veja possibilidades de crescimento na própria cidade.
Aos 26 anos, Thiago Brandão faz parte do grupo que enxerga um cenário promissor. Estudante do segundo semestre de Redes de Computadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ele já participa da Compact Júnior, empresa júnior voltada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas. A experiência permite colocar em prática o conhecimento adquirido em sala de aula e conhecer o funcionamento do mercado antes mesmo da conclusão do curso.
"Essa vivência nos proporciona uma experiência real do mercado de trabalho. No meu caso, estou no segundo semestre e já tenho essa oportunidade desde o início da graduação", relata.
Thiago Brandão | Gabriel Margonar/Especial/JC
Thiago Brandão Gabriel Margonar/Especial/JC
Thiago acredita que a área de tecnologia oferece boas perspectivas profissionais e destaca a importância da iniciativa dos próprios estudantes na busca por oportunidades. Para ele, a participação em projetos durante a graduação ajuda a construir um currículo mais competitivo e facilita a futura inserção no mercado.
Além das experiências práticas, Thiago valoriza o suporte oferecido pela UFSM. Na avaliação dele, a qualidade da formação e as oportunidades proporcionadas pela instituição ajudam os estudantes a se preparar para os desafios profissionais. Ainda no início da graduação, ele vê na universidade um caminho para desenvolver habilidades e ampliar suas possibilidades de atuação.
Se Thiago está começando a descobrir os caminhos que a formação pode abrir, Gabriel Machado, de 30 anos, já experimentou o resultado de uma trajetória construída em Santa Maria. Natural de Cruz Alta, ele chegou ao município em 2022 para estudar Dança – Licenciatura na UFSM e decidiu permanecer depois da formatura, concluída no ano passado.
A escolha foi favorecida por uma condição importante: Gabriel já trabalhava na área artística antes de ingressar na universidade. A experiência profissional anterior facilitou a conquista de oportunidades e permitiu que ele continuasse exercendo a profissão durante e depois da graduação. "Consegui emprego, continuei morando em Santa Maria depois da formatura e deu tudo certo para mim. Mas sei que não é tão fácil para todo mundo", afirma.
O dançarino reconhece as dificuldades enfrentadas por quem tenta entrar no mercado de trabalho artístico, especialmente pela primeira vez. Segundo ele, a área ainda sofre com a maneira como a sociedade enxerga os artistas e com as exigências impostas aos profissionais. Mesmo assim, considera que Santa Maria oferece possibilidades interessantes.
Gabriel Machado | Gabriel Margonar/Especial/JC
Gabriel Machado Gabriel Margonar/Especial/JC
Ao comparar o município com Cruz Alta, Gabriel destaca a maior diversidade de atividades profissionais e a presença de uma população universitária que movimenta a cidade. Para ele, a UFSM também representa uma porta de entrada para contatos e oportunidades que ultrapassam a sala de aula.
"Estar dentro da universidade já proporciona contatos, oportunidades profissionais e novos caminhos para aprofundar os conhecimentos", ressalta.

Entre a formação e a despedida

A relação de Douglas Michael da Costa Cezar com Santa Maria é diferente. Natural do município, onde vive há 30 anos, ele não precisou mudar de cidade para ingressar na universidade. Atualmente no sétimo semestre de Medicina da UFSM, considera a instituição um dos maiores patrimônios locais, mas não tem certeza de que continuará morando na cidade depois de conquistar o diploma.
Na avaliação do estudante, Santa Maria oferece uma formação de qualidade e oportunidades na área médica, principalmente nos municípios da região, que ainda apresentam demanda por profissionais. Entretanto, a possibilidade de conseguir trabalho não é o único fator considerado na escolha de onde construir uma carreira.
"Santa Maria não oferece tantos atrativos. Temos poucas opções de lazer, o transporte público ainda é bastante deficitário e o sistema de saúde, embora seja considerado bom em comparação com o restante do País, ainda apresenta muitas carências", avalia.
Douglas Michael da Costa Cezar | Gabriel Margonar/Especial/JC
Douglas Michael da Costa Cezar Gabriel Margonar/Especial/JC
Douglas acredita que poderá encontrar melhores condições de trabalho e qualidade de vida em outro estado. Por isso, considera provável deixar o Rio Grande do Sul depois da graduação. A decisão ainda não está tomada, mas a possibilidade de partir já faz parte de seus planos.
Para o universitário, o principal desafio está na diferença entre aquilo que a universidade oferece e as condições encontradas fora do ambiente acadêmico. "A universidade é o ponto forte de Santa Maria", resume.
O caminho que Douglas ainda considera foi percorrido há mais de duas décadas pela enfermeira Andreia Silva, de 51 anos. Natural de Santa Maria, ela deixou o município em 2002, em busca de melhores salários, oportunidades profissionais e possibilidades de continuar estudando. Desde então, nunca mais voltou a morar na cidade natal.
Formada em 1999 pela então Unifra, atual Universidade Franciscana (UFN), Andreia começou a carreira no Hospital Casa de Saúde. Permaneceu na instituição por dois anos, mas encontrou um mercado de trabalho restrito, com poucos hospitais e vagas disponíveis. "Eu queria me desenvolver mais, continuar estudando, fazer uma especialização e ter um salário melhor", recorda.
A oportunidade surgiu em Porto Alegre, onde foi contratada para uma vaga temporária na Santa Casa. O salário inicial era praticamente três vezes maior do que aquele que recebia em Santa Maria. A mudança também abriu espaço para continuar sua qualificação profissional. "Eu queria um centro maior, com mais oportunidades, hospitais mais desenvolvidos e possibilidades de continuar estudando", conta.

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