A Infraero assume em definitivo, nesta sexta-feira (9), a administração e a operação do Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul, até então sob responsabilidade da prefeitura. A transferência encerra a gestão municipal, iniciada em abril de 2023, e ocorre, segundo o Executivo, sem alteração na função regional do terminal.
A mudança decorreu de uma portaria do Ministério de Portos e Aeroportos, publicada em 10 de junho, que fixou prazo de até 120 dias para a transição. Em 23 de junho, o prefeito Adiló Didomenico assinou o repasse da outorga, e a Infraero anunciou um
pacote de R$ 23 milhões para adequar a infraestrutura e
resolver restrições apontadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O município articulou a passagem da gestão ao governo federal diante da dificuldade de manter os investimentos exigidos.
Para o secretário de Trânsito, Transportes e Mobilidade, Elói Frizzo, a prefeitura não era o órgão mais indicado para gerir um aeroporto. “É uma gestão que exige, principalmente no nível das normas de segurança, um conhecimento muito grande”, pontuou. Segundo o secretário, o município assumiu o terminal em 2023 "numa situação muito precária", entregue pelo Estado.
De acordo com o Relatório de Gestão produzido pela prefeitura de Caxias, a gestão recuperou o eixo central da pista, implantou o PAPI nas duas cabeceiras, homologou o procedimento de navegação por satélite, construiu uma via de inspeção operacional e recuperou cercas e muros. Frizzo cita que uma parceria com o governo estadual permitiu "praticamente refazer toda a pista" e investimentos em raio-x e bagagens, embora a área de embarque ainda seja "acanhada".
Nas enchentes de 2024, com o fechamento do Aeroporto Salgado Filho, o terminal chegou a registrar 93 operações em um único dia, ante uma média de cerca de 13 diárias, e teve naquele ano 449.388 passageiros, a maior movimentação de sua história. Para o secretário, "a vida provou que o aeroporto estava em condições" de receber a carga extra de voos. Em agosto e outubro de 2025, porém, a Anac aplicou novas medidas cautelares, e hoje o limite é de 42 movimentos semanais, entre pousos e decolagens.
Frizzo avalia que os 120 dias de transição foram "muito tranquilos". “Se a Infraero cumprir o investimento prometido, a obra da chamada pista preparada, faixa lateral de segurança para pousos, será um grande ganho”, ponderou. O item segue como a principal pendência com a Anac, que, segundo o secretário, admite prazo para a execução. A prefeitura deixou contrato assinado de R$ 1,2 milhão para refazer cerca de 2 mil metros de muros e cercas.
A aposta da prefeitura, segundo o secretário, é que a Infraero permita atender "a principal demanda regional, que é a ampliação do número de voos”. Já a qualificação técnica é "mais complicada", pontuou, em razão de restrições como o tamanho da pista.
Cerca de 12 servidores municipais que atuavam na operação do aeródromo serão incorporados à Secretaria de Trânsito, para ações de sinalização e fiscalização do transporte coletivo. Dos contratos de serviços, em torno de 16, todos foram rompidos, e a Infraero já licitou e contratou, em muitos casos, as mesmas empresas. Em torno de 12 contratos de locação, de lojas, companhias e hangares, seguem até o vencimento e serão renovados pela estatal, informou Frizzo.
O secretário afirma que o Hugo Cantergiani continuará com papel estratégico, sobretudo na aviação executiva, mesmo após a futura operação do aeroporto de Vila Oliva. Procurada, a Infraero não respondeu até o fechamento desta matéria. A empresa está com restrições de comunicação no período eleitoral.