Porto Alegre,

Publicada em 06 de Outubro de 2026 às 19:16

Prefeitura de Lajeado monitora uso de imóveis em áreas condenadas

Cerca de 40 imóveis já foram demolidos desde o início do plano de desocupação, que engloba famílias entre cotas 19 e 24

Cerca de 40 imóveis já foram demolidos desde o início do plano de desocupação, que engloba famílias entre cotas 19 e 24

Prefeitura de Lajeado/Divulgação/Cidades
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O Vale do Taquari segue convivendo com enchentes, com elevação do Rio Taquari em diversos pontos. Para tentar evitar que uma nova tragédia como a de 2024 ocorra, municípios da região trabalham para retirar pessoas, em definitivo, de áreas de risco. Desde agosto, a prefeitura de Lajeado anunciou plano de desocupação das residências entre as cotas de 19 a 24 metros.
O Vale do Taquari segue convivendo com enchentes, com elevação do Rio Taquari em diversos pontos. Para tentar evitar que uma nova tragédia como a de 2024 ocorra, municípios da região trabalham para retirar pessoas, em definitivo, de áreas de risco. Desde agosto, a prefeitura de Lajeado anunciou plano de desocupação das residências entre as cotas de 19 a 24 metros.
Por meio da iniciativa, as famílias serão redistribuídas para programas habitacionais e os imóveis serão demolidos. O planejamento é desocupar essa região da cidade até dezembro de 2029 e construir obras públicas nos locais, para evitar reocupação. 
Em 22 de julho, o rio atingiu a marca de 24,7 metros, a mais alta até o momento. Desde então, outras três cheias ocuparam parte da cidade, todas superando os 23 metros de inundação. O nível de referência considerado normal para o Rio Taquari em Lajeado é de 13 metros, conta a prefeita Gláucia Schumacher, a partir da cota 19 começam a ocorrer inundações em residências.
Ainda, de acordo com dados históricos da prefeitura, desde 1939, foram registrados 133 eventos que atingiram ou superaram a cota 19. Destes, 73,7% permaneceram entre as cotas 19 e 24 metros, apenas em 35 ocasiões (26,3%) a cheia ultrapassou a cota de 24 metros. 
De acordo com a prefeita, apesar de ser ilegal a construção de residências nestas áreas, a região ainda é procurada devido ao baixo custo do aluguel. "Vemos que quem está ocupando essas casas não são mais os proprietários. Os proprietários estão alugando para pessoas. Vemos imigrantes, trabalhadores. É um aluguel mais barato, porque é uma área alagável, o que eles acabam nem sabendo antes", conta. Ainda, a prefeita explica que todos os imóveis na área deverão ser demolidos. Segundo ela, há a possibilidade de doação do terreno ao município em troca de moradias de programas habitacionais federais, como Minha Casa Minha Vida, e estaduais, como A Casa é Sua, ou a futura compra do terreno pela prefeitura.
Com a iniciativa, as áreas devem ser desocupadas gradualmente a partir dos 19 metros. Até o final deste ano, a previsão é iniciar o realocação dos moradores da cota 21 e ter até os 24 metros de cheia do rio desocupados no final de 2029. Segundo Gláucia, até setembro deste ano, cerca de 40 imóveis já foram demolidos e a região da cota de 19 metros já está inteiramente desocupada.
No lugar das casas, há placas sobre a proibição de construção nos terrenos. Além disso, a prefeitura pretende adquirir os terrenos para construir na região obras públicas, como parques, na tentativa de impedir a construção de novas residências.
"Essas áreas são bem próximas de espaços públicos. Na região de 19 e 20 metros de cota, onde estamos realizando a desocupação, há um parque ao lado e planejamos expandi-lo. Nos 40 terrenos onde já demoliram as casas, estamos realizando o plantio de grama, árvores. Então já estamos ocupando o espaço, para não ter mais construções", ressalta a prefeita.
Para se ter uma ideia dos custos que uma enchente causa ao município, de acordo com dados da prefeitura, durante a cheia do final de julho, o município teve um gasto de aproximadamente R$ 1 milhão, com itens para abrigo, transporte, alimentação para os desabrigados e limpeza urbana. Na ocasião, foram cerca de 590 pessoas atingidas, com mais de 170 famílias abrigadas. Delas, em torno de 350 pessoas foram atingidas até a cota de 23 metros.
Com a desocupação da área de cota de 19 metros em Lajeado, a cheia do fim de setembro impactou menos moradores. Foram 50 famílias abrigadas, aproximadamente 120 pessoas, até a cota de 23 metros, segundo dados da prefeitura. O município segue com fiscalização sobre o uso de imóveis em áreas consideradas condenadas.

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