Quem olha para o horizonte de Tramandaí e vê os grandes navios ao largo da costa pode não imaginar o que acontece sob a superfície do mar. É ali, por meio de duas monoboias, que começa uma operação logística responsável por receber petróleo e outros produtos que abastecem parte da cadeia industrial do Rio Grande do Sul. A carga é transferida dos navios para dutos submarinos, percorre quilômetros até o Terminal de Osório (Tedut) e, dali, segue principalmente para a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, e para o polo petroquímico da Braskem, em Triunfo.
Segundo o gerente geral da Unidade Operacional Sul da Transpetro, Thobias Possebon, o Terminal de Osório movimenta mais de 1,2 milhão de metros cúbicos (m³) de produtos por mês e recebe, em média, 15 navios mensalmente. “Entre as principais cargas movimentadas estão petróleo, condensado petroquímico, nafta petroquímica, diesel e gasolina”.
Ele explica que a unidade possui capacidade de armazenagem próxima de 800 mil m³. Após o recebimento e a armazenagem, os produtos são encaminhados principalmente por meio de dutos interligados à Refap, em Canoas, e ao polo petroquímico da Braskem, em Triunfo. “A operação envolve a integração entre o transporte marítimo, as instalações de armazenagem e o sistema dutoviário utilizado para a movimentação dessas cargas no Rio Grande do Sul”.
O petróleo chega ao litoral do Rio Grande do Sul em navios petroleiros e é transferido em mar aberto por meio das monoboias localizadas na região de Tramandaí. A partir dessas estruturas, Possebon explica que a carga segue por dutos submarinos até o terminal de Osório, onde é recebida e armazenada. “Em seguida, o petróleo é transportado pelo oleoduto Osório-Canoas (Oscan) até a Refap, por onde passa pelo processo de refino para a produção de combustíveis e outros derivados”, explica o gerente.
A operação envolve a integração de diferentes modais e infraestruturas logísticas, com a conexão entre o transporte marítimo, as instalações de armazenagem e o sistema dutoviário utilizado para a movimentação do petróleo desde sua chegada ao litoral até a refinaria. Já as monoboias, são estruturas instaladas em mar aberto que permitem a atracação de navios petroleiros para transferência de carga. Segundo Possebon, elas são ancoradas ao fundo do mar por amarras, o que possibilita que o navio se movimente ao redor da estrutura conforme a ação dos ventos e correntes marinhas durante a operação. “Esse sistema é utilizado em regiões onde a baixa declividade da plataforma continental dificulta a construção de píeres para navios de grande porte. As duas monoboias ficam a cerca de 4 quilômetros e 6 quilômetros da costa. Apesar da distância, elas estão conectadas ao terminal em terra por dutos submarinos que levam a carga até Osório”.
Durante a operação, o petróleo, a nafta e o condensado petroquímico são transferidos dos navios para dutos submarinos conectados ao Terminal de Osório. Uma das monoboias é destinada ao recebimento de petróleo, enquanto a outra recebe nafta e condensado e também realiza o carregamento de diesel e gasolina. “Após a transferência, os produtos seguem pelos dutos até o terminal para armazenamento e posterior distribuição, integrando o transporte marítimo à infraestrutura dutoviária”, ressalta Possebon.
A manutenção e a atualização dos equipamentos fazem parte da rotina operacional do terminal, segundo a Transpetro, que afirma realizar inspeções e adequações necessárias para a continuidade das atividades. Essas ações incluem inspeções, manutenção de equipamentos e adequações tecnológicas necessárias à continuidade das operações. Informações sobre eventuais projetos de modernização ou investimentos futuros são divulgadas de acordo com o planejamento corporativo e os procedimentos de comunicação da empresa.