Falta pouco para que a São Francisco de Paula tenha um espaço destinado a celebrar a música 365 dias por ano. O cineasta e empreendedor cultural Paulo Alécio, representante da empresa Cultura VTA2, está aguardando para as próximas semanas ajustes que permitirão a assinatura do Termo de Concessão que destina o antigo prédio da prefeitura, na avenida Júlio de Castilhos, à instalação do Submarine Experience. O espaço que trará o acervo do Museu dos Beatles, que operava em Canela, para o município onde se realiza o Beatle Festival anualmente.
Em São Francisco de Paula, a experiência promete ser ampliada, com uma fachada interativa e decoração temática alusiva ao Yellow Submarine, um dos mais conhecidos álbuns dos garotos de Liverpool. Já aprovada pelos vereadores e pelo Conselho de Desenvolvimento, a parceria público-privada permitirá reunir, em um mesmo espaço, a trajetória dos músicos ingleses que têm fãs pelo mundo todo e os estilos musicais tradicionais. O bugio e outras vertentes gauchescas, blues, samba e choro também serão homenageados. “O projeto não se restringe aos Beatles, será um museu da música, um grande centro cultural onde os diferentes estilos serão contemplados”, resume. Espaço de formação, cultura e vivências, o Submarine Experience terá ainda loja, café e o Cavern Club no subsolo, bar temático, entre os atrativos previstos.
Alécio mantém para dezembro a expectativa de abertura de alguns setores, em uma primeira etapa. A expectativa é de que a atração estimule um maior fluxo de pessoas na área central do município. Hoje, além da conhecida livraria Miragem e de outros estabelecimentos comerciais e gastronômicos, o município oferece um museu a céu aberto, com o investimento em monumentos que contam parte da história local na avenida Júlio de Castilhos.
Arborizado com majestosos liquidâmbares que traduzem com a transformação nas cores e a queda das folhas as variações das estações, além dos termômetros que fascinam os turistas em épocas de frio rigoroso, o calçadão se destaca pela escultura do Negrinho do Pastoreio, de Vasco Prado (1914-1998), e ganhou mais recentemente a companhia do Monumento ao Gaiteiro e ao Ronco do Bugio, do escultor Edmilson Duarte. O mesmo artista assina o Monumento aos Tropeiros, criado em 2012, e o Monumento ao Laçador Serrano, de 2023. O conjunto se completa pelo Monumento ao Gaúcho Carreteiro, de Sérgio Centurion.
Reunir na mesma cidade festival e museu busca consolidar ainda mais a identidade Beatle de São Chico. A história do museu começa em Canela e se confunde com a do festival, de acordo com o produtor André Luís Trier Veiler, conhecido como Xuleta, que vendeu a estrutura expográfica e cedeu o acervo para a empresa Cultura VTA2, que passa a operar o atrativo em São Chico, depois de mais de oito anos como um dos mais bem avaliados museus da cidade vizinha.
Com a 10ª edição confirmada para os dias 15 a 17 de janeiro de 2027, à beira do Lago São Bernardo, cenário de cartão-postal da cidade, o São Chico Beatle Festival, realizado por Xuleta, é conhecido por trazer celebridades do universo Beatles. Já estiveram no festival figuras como Julia Baird, irmã de John Lennon, a primeira banda de Lennon, The Quarrymen; Billy J. Kramer e Clark Gilmour, músico residente do Cavern Club e organizador do Beatleweek Festival.
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O Paralelo Festival, que em novembro de 2025 trouxe nomes nacionais como Sombrinha e A Cor do Som, e o grupo uruguaio Chorando la Milonga, entre outros, terá sua próxima edição nos dias 10 e 11 de abril de 2027. O produtor cultural Carlos Branco informa que o período de realização foi alterado para o primeiro semestre a pedido da prefeitura, para distribuir melhor as atrações ao longo do ano, visto que o segundo semestre já concentra uma vasta agenda de eventos em São Francisco de Paula.
Segundo Branco, o Paralelo destaca-se por sua proposta democrática e plural, reunindo diferentes gêneros e estilos musicais no mesmo palco. Com uma estrutura que prevê, no mínimo, quatro apresentações diárias ao longo de dois dias, o festival promove um encontro inusitado. "Em uma mesma tarde, o público pode prestigiar MPB, jazz ou música erudita, culminando sempre com a apresentação de um nome consagrado da música popular brasileira. O objetivo central é ampliar o repertório do público, permitindo o acesso a gêneros que frequentemente estão fora dos grandes veículos de comunicação ou que se restringem a nichos específicos", diz.
Para o produtor, muitas vezes o desinteresse por determinado estilo musical, como o jazz ou o erudito, decorre da falta de oportunidade de ouvi-lo com qualidade. "Ao oferecer essa diversidade, o festival atua diretamente na formação de plateia. Como curador, sempre acreditei que o público possui abertura para apreciar diferentes vertentes musicais, desde que tenha acesso a elas. Recordo-me de um episódio marcante, ainda nos anos 1990, em um evento em Porto Alegre, quando uma pessoa em situação de vulnerabilidade social me confidenciou, após ouvir música instrumental, que jamais havia tido contato com composições que não fossem cantadas. Aquela experiência reafirmou minha convicção sobre o poder transformador do acesso à arte", revela.
Alguns investimentos que vêm de longa data, como o Coro Municipal, prestes a completar 25 anos em atividade, também apostam no ecletismo. O grupo, com cerca de 30 integrantes regidos por Giovani Costa surpreende com interpretações de clássicos do samba e da MPB, como "Não deixe o samba morrer", composição de Edson Conceição e Aloísio Silva, e A banda, de Chico Buarque. A desenvoltura poderá ser apreciada em 31 de outubro, quando o município realiza o Festival de Coros, na Igreja Matriz e com entrada franca, reunindo grupos de diversas partes do Estado.
O coro oportuniza à comunidade o exercício do canto coletivo, a integração social, a descoberta de potenciais e a expressão de uma arte levada a sério. É o que conta Graziela da Silva Pereira, 40 anos, 24 deles integrando o coro. Natural de Taquara, a escrevente de profissão veio a residir em São Chico em 2001 e no ano seguinte já realizou seu desejo de cantar.
"Sempre digo que o coro é terapêutico. A gente chega estressado e sai daqui leve. O coro me revigora, já é parte da minha vida", diz Graziela. O repertório proposto pelo regente Giovani Costa, que atua no coro desde a sua criação, incorpora do sacro ao erudito e popular: "A gente sai do óbvio, do gauchesco, e surpreende o povo com essa mescla de estilos", conta a integrante.
Aos 64 anos, o bancário Magno Eduardo Schuch é outro entusiasta do coro, ao lado da mulher, Mariângela. Hoje morador de Gramado, o casal vem a São Chico toda terça-feira para os ensaios. "Comecei a cantar com cinco anos de idade no orfeão da Escola Normal de São Francisco de Paula e, desde então, nunca parei. Passei por diversos grupos nas cidades onde residi. Em 2022, quando fechou o grupo Vocalis, em Gramado, passamos a vir cantar aqui", resume.
Schuch destaca que o coro, que ensaia na sede da Câmara de Vereadores de São Chico, representa em alto nível a cultura local, sendo aplaudido por visitantes e autoridades de diferentes locais nas oportunidades de apresentação. "É arte, cultura, saúde, alegria, convivência… Uma forma de embelezar os eventos da cidade", avalia.