Porto Alegre,

Publicada em 22 de Setembro de 2026 às 20:30

Ronco do Bugio valoriza as raízes de São Francisco de Paula

Ritmo é considerado patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul desde 2025, e tem na cidade da Serra Gaúcha um de seus principais redutos com o festival

Ritmo é considerado patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul desde 2025, e tem na cidade da Serra Gaúcha um de seus principais redutos com o festival

/Lucas Jaeger/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Autor da pesquisa que resultou no livro O ritmo musical do bugiu (que optou por grafar com ‘u’ para diferenciar do nome do animal) nos Campos de Cima da Serra e no Rio Grande do Sul, Israel da Sois Sgarbi, 46, orgulha-se da música tradicional serrana com suas características próprias, que podem ser apreciadas no Festival Ronco do Bugio, evento que chegou a sua 33ª edição este ano. “Estou no festival há cerca de 16 anos. Já participei, concorri, trabalhei como jurado em quatro ou cinco edições, fiz shows. Também por ter sido presidente do Conselho Municipal de Cultura por quatro anos, e depois mais dois anos atuando como vice, trabalhei muito forte no reconhecimento do ritmo”, conta. O bugio é patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul desde 2025. Marcado pelo toque sincopado de acordeão (gaita), que lembra o ronco dos bugios que se escuta nas matas dos Campos de Cima da Serra, é um compasso original da música gaúcha. 

Autor da pesquisa que resultou no livro O ritmo musical do bugiu (que optou por grafar com ‘u’ para diferenciar do nome do animal) nos Campos de Cima da Serra e no Rio Grande do Sul, Israel da Sois Sgarbi, 46, orgulha-se da música tradicional serrana com suas características próprias, que podem ser apreciadas no Festival Ronco do Bugio, evento que chegou a sua 33ª edição este ano. “Estou no festival há cerca de 16 anos. Já participei, concorri, trabalhei como jurado em quatro ou cinco edições, fiz shows. Também por ter sido presidente do Conselho Municipal de Cultura por quatro anos, e depois mais dois anos atuando como vice, trabalhei muito forte no reconhecimento do ritmo”, conta. O bugio é patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul desde 2025. Marcado pelo toque sincopado de acordeão (gaita), que lembra o ronco dos bugios que se escuta nas matas dos Campos de Cima da Serra, é um compasso original da música gaúcha. 

O Ronco do Bugio, com seu caráter competitivo, é um festival muito esperado pela comunidade. As diferentes categorias foram ampliadas ao longo do tempo, com esforços de Da Sois, para contemplar os talentos locais, como a premiação Ronco da Terra. Além disso, músicos de outras vertentes participam ativamente. “Isso é muito interessante. São Chico é eclética, mas quando se fala em bugio, todo mundo acaba respeitando, porque está na origem. O festival só se manteve todo esse tempo porque está enraizado na autenticidade”, afirma. O pesquisador explica que também batalhou pela valorização dos gaiteiros, com a criação da categoria instrumental para o acordeão, uma vez que o instrumento é “a mãe do bugio”, no seu entendimento. “Tu podes agregar violão, contrabaixo, bateria, piano, violino... Mas o bugio nasceu no fole da gaita. A primeira apresentação que acontece na abertura do festival, depois dos protocolos, é a do gaiteiro que toca um bugiozinho, só ele e a gaita, a coisa mais linda do mundo, assim se vê a essência!”, argumenta. 

• LEIA TAMBÉM: São Francisco de Paula se transforma na terra dos festivais musicais

Da Sois entende o papel educativo dos eventos musicais e entende que é essencial estar perto das novas gerações para que elas tenham noção dos pilares. “Aqui é a terra natal do Albino Manique (1944-2024), acordeonista do conjunto Os Mirins, conhecido mundialmente. A fábrica de acordeões Scandalli, que produz instrumentos que chegam a custar R$ 150 mil, fez um acordeão com a assinatura do Manique lá na Itália, em Castelfidardo, pátria do acordeão. Então, se os caras que têm o instrumento mais famoso do mundo fizeram uma gaita com o modelo desse gênio que nasceu em São Francisco de Paula, a gente percebe o peso dessa história”, emociona-se.

Na cidade, churrasco e blues mostram que combinação dá 'match' com visitantes

Parador Hampel foi cenário de um encontro de música ao redor do fogo, que acontece todos os domingos com os clientes

Parador Hampel foi cenário de um encontro de música ao redor do fogo, que acontece todos os domingos com os clientes

GABRIEL GRAVAS/DIVULGAÇÃO/CIDADES
A temperatura beirava zero grau no início de setembro quando cerca de 150 pessoas vindas de diferentes cidades do Brasil e do mundo curtiam um espetáculo em torno das grelhas, em uma paisagem cercada por lagos e araucárias. O celebrado evento "A Ferro e Fogo" no Parador Hampel, fundado em 1899, contou com a presença do chef Marcos Livi, natural de São Francisco de Paula, que assumiu o hotel em 2016, e o embalo do blues.
O típico prato gaúcho dialogava bem com a musicalidade enquanto mantas térmicas eram distribuídas para os entusiastas dos charmes do frio na Serra gaúcha. O rito que congrega, carne e seus acompanhamentos, natureza, história e música se repete todos os domingos no local.   
O harmonicista Gustavo Herrmann integra a banda Uncle George, frequente nas apresentações no Hampel. Com antepassados no município, escolheu viver em São Francisco de Paula a partir de 2019, motivado pela qualidade de vida local e pela ampliação das possibilidades de trabalho em diferentes oportunidades e parcerias. "São Francisco de Paula é uma terra musical já de muitas gerações. Começando pelo Ronco do Bugio. A cena foi ampliada por festivais que vieram mais tarde. Como harmonicista, músico de blues, foi muito importante o São Chico Blues Festival, do qual tive a honra de poder participar em algumas edições", explica.
Ele conta que, em 2025, o Mississippi in Concert também teve uma edição na cidade, com forte presença de público. "Um convite inesperado para o músico foi o de participar do Beatle Festival. Tive a oportunidade de colocar minha gaita blues em muitos shows. Esse diálogo dá um tempero especial a essa comunidade musical", conclui.

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