Autor da pesquisa que resultou no livro O ritmo musical do bugiu (que optou por grafar com ‘u’ para diferenciar do nome do animal) nos Campos de Cima da Serra e no Rio Grande do Sul, Israel da Sois Sgarbi, 46, orgulha-se da música tradicional serrana com suas características próprias, que podem ser apreciadas no Festival Ronco do Bugio, evento que chegou a sua 33ª edição este ano. “Estou no festival há cerca de 16 anos. Já participei, concorri, trabalhei como jurado em quatro ou cinco edições, fiz shows. Também por ter sido presidente do Conselho Municipal de Cultura por quatro anos, e depois mais dois anos atuando como vice, trabalhei muito forte no reconhecimento do ritmo”, conta. O bugio é patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul desde 2025. Marcado pelo toque sincopado de acordeão (gaita), que lembra o ronco dos bugios que se escuta nas matas dos Campos de Cima da Serra, é um compasso original da música gaúcha.
O Ronco do Bugio, com seu caráter competitivo, é um festival muito esperado pela comunidade. As diferentes categorias foram ampliadas ao longo do tempo, com esforços de Da Sois, para contemplar os talentos locais, como a premiação Ronco da Terra. Além disso, músicos de outras vertentes participam ativamente. “Isso é muito interessante. São Chico é eclética, mas quando se fala em bugio, todo mundo acaba respeitando, porque está na origem. O festival só se manteve todo esse tempo porque está enraizado na autenticidade”, afirma. O pesquisador explica que também batalhou pela valorização dos gaiteiros, com a criação da categoria instrumental para o acordeão, uma vez que o instrumento é “a mãe do bugio”, no seu entendimento. “Tu podes agregar violão, contrabaixo, bateria, piano, violino... Mas o bugio nasceu no fole da gaita. A primeira apresentação que acontece na abertura do festival, depois dos protocolos, é a do gaiteiro que toca um bugiozinho, só ele e a gaita, a coisa mais linda do mundo, assim se vê a essência!”, argumenta.
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Da Sois entende o papel educativo dos eventos musicais e entende que é essencial estar perto das novas gerações para que elas tenham noção dos pilares. “Aqui é a terra natal do Albino Manique (1944-2024), acordeonista do conjunto Os Mirins, conhecido mundialmente. A fábrica de acordeões Scandalli, que produz instrumentos que chegam a custar R$ 150 mil, fez um acordeão com a assinatura do Manique lá na Itália, em Castelfidardo, pátria do acordeão. Então, se os caras que têm o instrumento mais famoso do mundo fizeram uma gaita com o modelo desse gênio que nasceu em São Francisco de Paula, a gente percebe o peso dessa história”, emociona-se.