Até novembro, as escolas selecionadas recebem semanalmente profissionais especializados em práticas artístico-pedagógicas, que atuam junto às crianças durante as aulas. Realizado pela Amora Produções Culturais, o projeto parte da compreensão de que alfabetizar não significa apenas ensinar a decodificar letras e palavras, mas também criar vínculos, despertar o interesse pelos livros, estimular a oralidade, a imaginação e a capacidade de construir sentidos. A metodologia combina literatura, práticas artísticas, brincadeiras, jogos corporais, oralidade, teatro, música e outras linguagens para transformar a leitura em uma experiência afetiva e significativa. O objetivo é fazer com que a criança não apenas aprenda, mas também desenvolva o desejo de ler.
Os primeiros resultados observados reforçam a importância de uma abordagem além do ensino tradicional. Na EMEF General Rondon, houve avanços em vínculo, atenção, socialização, oralidade e autonomia na escrita. Já na EMEF Princesa Isabel, oito dos dez indicadores avaliados cresceram na categoria "atingiu o objetivo", com destaque para seis deles, que registraram avanço de 4,9 pontos percentuais: oralidade, associação grafema-fonema, conceitos básicos, autonomia na escrita, autonomia na leitura e interpretação de imagens.
Para Isabela Vilela, coordenadora pedagógica do Projeto Bi-Bi, a arte-educação amplia as possibilidades de desenvolvimento porque trabalha simultaneamente diferentes competências envolvidas na formação. Segundo ela, quando a literatura dialoga com o corpo, a oralidade, a imaginação e as linguagens artísticas, a criança passa a participar de maneira mais ativa do processo de aprendizagem.
Ainda segundo a análise, a leitura mediada proporciona experiências de presença, escuta e construção coletiva de sentidos, enquanto o contato recorrente com livros e diferentes linguagens artísticas contribui para fortalecer uma relação mais profunda das crianças com a linguagem e a literatura.
A jornada de alfabetização dá continuidade a um trabalho que já deixou resultados concretos nas comunidades escolares de Bento Gonçalves. Na etapa anterior, o projeto atuou diretamente nas bibliotecas das EMEFs General Rondon e Princesa Isabel, espaços que passaram por melhorias de ambientação e estrutura, incluindo pintura, aquisição de tapetes, puffs, mesas e estantes, além da doação de livros que também integram o acervo da biblioteca móvel do Bi-Bi. As ações foram acompanhadas por apresentações teatrais e atividades de mediação literária, enquanto as bibliotecas revitalizadas receberam cerca de 200 obras literárias selecionadas para ampliar repertórios e promover diversidade e representatividade. O projeto deve impactar 600 alunos e 30 professores e é voltado, principalmente, às crianças de 6 a 10 anos de idade
O projeto é realizado desde 2023, como uma resposta aos desafios educacionais do País, especialmente em contextos marcados por desigualdade, falta de acesso à cultura e precariedade de infraestrutura escolar. Em suas edições anteriores, o projeto esteve presente em 10 cidades brasileiras e alcançou cerca de 4.500 crianças, além de 400 professores, com reformas de bibliotecas, doações de acervo literário, capacitação de docentes e circulação de uma biblioteca móvel.