O funcionamento do Mercado Central é gerido pela prefeitura, em conjunto com os permissionários. A manutenção do prédio histórico é custeada por meio das taxas de permissão de uso pagas mensalmente pelos comerciantes à administração municipal. Esse recurso é direcionado para o pagamento de serviços terceirizados de limpeza, zeladoria e segurança, além de cobrir pequenas intervenções pontuais na estrutura do local.
Atualmente, quatro pastas atuam de forma integrada na administração do prédio histórico: as secretarias de Desenvolvimento Empreendedorismo e Inovação, de Cultura, de Turismo e de Urbanismo. "Desde que assumimos a gestão, no ano passado, vínhamos trabalhando em um plano de reestruturação para o Mercado. O diagnóstico inicial apontou que o prédio ficou muito tempo sem manutenção e hoje precisa de intervenções estruturais profundas", destaca o secretário de Urbanismo, Otávio Peres.
Para o presidente da Associação dos Permissionários, Guilherme Fiss, a manutenção regular é um dos principais desafios para atrair novas lojas ao Mercado Central da cidade. A última intervenção que o espaço recebeu foi em 2012; de acordo com os permissionários, não houve manutenção depois. "Então, é preciso fazer pequenas manutenções. E essa é a nossa briga para que tenha uma pessoa que nos atenda e que a gente não fique por três meses pedindo por três lâmpadas novas", ressalta Fiss sobre como, se houver pequenas manutenções no cotidiano, o Mercado não precisará de grandes reformas.
Desde abril deste ano, os banheiros do Mercado Central estão em obras. A intervenção ocorreu via medida compensatória, com valor estimado em R$ 137,6 mil. "A obra visa às instalações de água e esgoto, equipamentos sanitários, vasos, revestimentos das paredes e dos pisos. Construímos também duas unidades dedicadas: uma para pessoas ostomizadas e um banheiro da família, para quem está com crianças ou pessoas do público LGBTQIA que não se identificam com a separação entre feminino e masculino", explica Peres. Enquanto as obras continuam, trabalhadores e visitantes utilizam os contêineres com sanitários disponibilizados pelo Sanep. A previsão é que a entrega ocorra ainda em agosto.
Banheiros do prédio estão em reforma desde abril, e acontecem a partir de valores que vieram via medidas compensatórias
Samantha Beduhn/ESPECIAL/CIDADES
A prefeitura prepara a abertura de uma licitação para executar uma ampla reforma no Mercado Central. Elaborado pela Secretaria de Urbanismo em conjunto com a Secretaria de Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação, o projeto executivo foi construído em diálogo com os permissionários e aprovado pelo Comitê de Controle da Gestão Orçamentária e Financeira (CCGof). Com investimentos que devem chegar a quase R$ 2 milhões, somando recursos próprios e R$1,362 milhão em medidas compensatórias, as obras vão contemplar a reforma da cobertura, calhas, pintura da fachada, esquadrias e mobiliário interno e externo. "Preservar a estrutura do Mercado carrega a simbologia da cidade. Preservar o Mercado é preservar o centro da cidade, é preservar a própria cidade, né. Então, a imagem do Mercado reestruturado, bem cuidado, é um pouco da imagem da própria cidade. E a gente vê isso assim nos cartões-postais de turismo, né", afirma Peres.
Entre as prioridades está a recuperação emergencial da Torre do Relógio, que receberá R$ 150 mil para afastar riscos estruturais. As intervenções também incluem a readequação da iluminação e das instalações elétricas das áreas comuns e do farol da torre. Além disso, a administração municipal elabora um processo licitatório complementar focado na solução dos problemas de sobrecarga de energia nas bancas dos lojistas.
Para os comerciantes que mantêm o espaço ativo no dia a dia, os investimentos na estrutura do prédio são fundamentais para acompanhar o esforço de quem aposta na economia local. "Cem por cento dos investidores do Mercado são moradores da cidade que investem em Pelotas, geram emprego e renda. O Mercado é, de fato, o comércio pelotense", destaca Jeske. O empresário, que atua há 14 anos no local, ressalta que o cuidado com o patrimônio e o lançamento das licitações para as bancas vazias são passos decisivos para manter a história viva: "A gente investe, acredita e qualifica o ambiente, mas precisamos do apoio do poder público na infraestrutura, nas licitações e na preservação do prédio como um todo. Dependemos dessa parceria com o município", conclui.