Uma proposta desenvolvida na Universidade do Vale do Taquari (Univates) coloca o patrimônio histórico de Santo Amaro do Sul no centro de uma estratégia de requalificação urbana e turística. O projeto “Caminho Açoriano – Requalificação da Vila de Santo Amaro do Sul”, da arquiteta Danielle Rockembach, foi apresentado como trabalho de conclusão de curso e foi um dos finalistas do Prêmio IAB, concedido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio Grande do Sul em 2021.
O estudo parte de um diagnóstico: o distrito reúne um conjunto arquitetônico histórico, mas parte desse patrimônio está subutilizada ou sem condições adequadas de conservação. A proposta busca associar a recuperação e novos usos das construções à criação de atividades capazes de atrair visitantes e movimentar a economia local.
A própria autora resume o objetivo como uma tentativa de reorganizar o território a partir de seu valor histórico. “A ideia é potencializar o que já existe, conectando o patrimônio às dinâmicas de uso e ao turismo”, explica Danielle Rockembach.
O projeto foi organizado em três escalas. Na macroescala, prevê diretrizes para a vila, incluindo melhorias nos acessos e na sinalização. Na mesoescala, concentra intervenções no centro histórico e na orla do rio Jacuí, que abriga a Barragem de Amarópolis, em recuperação pelo governo federal após danos causados pela enchente de 2024. Já a microescala detalha propostas para três edificações específicas.
A principal ideia é criar duas rotas complementares. A Rota 1, Histórico-Cultural, conectaria o Centro de Atendimento ao Turista, a praça central, a Casa de Cultura, a igreja, espaços de artesanato e outras edificações históricas, nos moldes do já existente Caminho Açoriano. A Rota 2, de Lazer, se desenvolveria em direção ao Jacuí, com propostas relacionadas à gastronomia, hospedagem, camping, contemplação da paisagem e atividades junto à natureza.
Entre as intervenções sugeridas estão melhorias no calçamento, iluminação, mobiliário urbano e placas informativas. O trabalho também propõe um parque linear em trecho paralelo ao rio, criando espaços para pedestres e áreas de permanência voltadas à paisagem.
Para três imóveis, o projeto apresenta novos usos específicos. Um casarão histórico poderia receber um bistrô; o antigo hotel, um atelier voltado à produção artesanal; e uma antiga estação férrea, um empório com produtos locais, café e restaurante. A escolha busca demonstrar como construções existentes poderiam ganhar função sem perder a relação com seu valor histórico.
Para Danielle, o ponto de partida já está presente em Santo Amaro: um patrimônio construído, a proximidade com Porto Alegre, o rio Jacuí e o roteiro Caminho Açoriano. O desafio, aponta a arquiteta, é integrar esses elementos. “O que falta é conectar tudo isso por meio de infraestrutura, novos usos e atividades econômicas que deem vida ao conjunto”, afirma.
A proposta, assim, não se limita à preservação física das edificações, mas aposta na reativação do espaço urbano como experiência turística contínua, capaz de transformar imóveis hoje subutilizados em parte ativa da dinâmica da vila.