Porto Alegre,

Publicada em 13 de Agosto de 2026 às 18:14

Conservação de patrimônio é desafio para vila de Santo Amaro do Sul

Por serem de particulares, maioria das edificações não recebe manutenção adequada

Por serem de particulares, maioria das edificações não recebe manutenção adequada

André Liziardi/Prefeitura de General Câmara/Divulgação/Cidades
Compartilhe:
Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
O mesmo patrimônio que diferencia Santo Amaro do Sul como destino turístico também representa seu principal desafio de preservação. Na pequena vila às margens do rio Jacuí, em General Câmara, uma das povoações mais antigas do RS, parte das edificações que integram o conjunto histórico protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está fechada, sem uso ou apresenta problemas de conservação.
O mesmo patrimônio que diferencia Santo Amaro do Sul como destino turístico também representa seu principal desafio de preservação. Na pequena vila às margens do rio Jacuí, em General Câmara, uma das povoações mais antigas do RS, parte das edificações que integram o conjunto histórico protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está fechada, sem uso ou apresenta problemas de conservação.
A situação é especialmente complexa porque muitos dos imóveis pertencem a particulares. A proteção patrimonial impõe regras para intervenções, enquanto os proprietários precisam arcar com projetos especializados e obras que podem ter custos elevados. Para a historiadora e guia de turismo Anajara Maria de Melo da Silva, esse cenário já resultou em perdas ao longo do tempo. “Há prédios que se deterioraram ao longo dos anos sem que seus donos tenham condições de promover a recuperação”, afirma.
Um dos casos mais emblemáticos é o casarão associado ao nascimento de José Gomes de Vasconcelos Jardim, primeiro presidente da República Rio-Grandense. Segundo Anajara, o imóvel enfrenta problemas estruturais e permanece entre os exemplos de patrimônio cuja recuperação depende de recursos e de um encaminhamento específico
Construções tombadas da vila de Santo Amaro do Sul, em General Câmara | André Liziardi/Prefeitura de General Câmara/Divulgação/Cidades
Construções tombadas da vila de Santo Amaro do Sul, em General Câmara André Liziardi/Prefeitura de General Câmara/Divulgação/Cidades
A arquiteta Danielle Rockembach identificou a situação durante o desenvolvimento do trabalho “Caminho Açoriano – Requalificação da Vila de Santo Amaro do Sul”, apresentado como trabalho de conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo da Univates e premiado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio Grande do Sul, em 2021. O diagnóstico do projeto apontou que o tombamento, isoladamente, não garante a conservação das construções. “Imóveis sem uso econômico tendem a permanecer fechados e podem ser abandonados”, observa a arquiteta, ao destacar também limitações de infraestrutura e o reduzido número de serviços voltados ao turismo.
Para Rockembach, uma alternativa é associar preservação e novos usos. O projeto propõe que edificações históricas possam abrigar atividades relacionadas à gastronomia, artesanato, hospedagem e serviços turísticos. A lógica, segundo ela, é que “a circulação de pessoas e a geração de renda contribuam para dar função aos prédios e criar condições para sua manutenção”.
Na prefeitura, o secretário de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, Alessandro Rasquinha, afirma que o município procura fontes de financiamento e trabalha na captação de recursos. “Estamos buscando alternativas e elaborando projetos para viabilizar a recuperação de espaços históricos da vila”, diz. Ele ressalta, porém, que os processos de aprovação e obtenção de recursos podem levar anos e que intervenções em imóveis tombados exigem projetos específicos.
Construções tombadas da vila de Santo Amaro do Sul, em General Câmara | André Liziardi/Prefeitura de General Câmara/Divulgação/Cidades
Construções tombadas da vila de Santo Amaro do Sul, em General Câmara André Liziardi/Prefeitura de General Câmara/Divulgação/Cidades
A administração também busca ampliar o uso comercial de espaços disponíveis. Rasquinha cita o interesse de empreendedores em instalar atividades de alimentação em imóveis da vila e medidas para reduzir custos de ocupação de prédios vinculados ao município.
A necessidade de manutenção ganhou outro elemento após as enchentes recentes. Segundo o secretário, a área ribeirinha foi afetada, alguns moradores deixaram a localidade e a redução do movimento também repercutiu sobre o comércio.
O desafio, portanto, vai além da restauração de fachadas. Para transformar o patrimônio em ativo turístico, Santo Amaro precisa combinar recursos para obras, definição de usos, melhoria da infraestrutura e criação de serviços que estimulem visitantes a permanecer e consumir na comunidade. A existência do conjunto histórico e do roteiro Caminho Açoriano oferece uma base para esse processo, mas a conservação das edificações continua sendo uma condição central para que o patrimônio se mantenha como parte viva da vila.

Notícias relacionadas