A
instalação do cabo submarino Malbec em Balneário Pinhal, no Litoral Norte gaúcho, está atualmente em sua fase mais visível: a
aterrissagem do cabo na praia, operação que
conecta a infraestrutura oceânica à rede terrestre que está sendo construída até Porto Alegre. O projeto, conduzido pela V.tal em parceria com a Meta, posiciona o Rio Grande do Sul como ponto de chegada da primeira rota internacional direta de dados do Sul do Brasil. A
entrada em operação está prevista para janeiro ou fevereiro de 2027, após a conclusão da instalação e de uma bateria de testes, adiantou a empresa.
A operação de shore-end, como o setor chama essa etapa de chegada do cabo à costa, envolve um navio especializado posicionado a cerca de 1,2 quilômetros da praia. A partir do navio, o cabo é conduzido à costa com auxílio de boias de flutuação e de um barco menor, até que tratores o puxem para uma vala previamente preparada, onde será conectado à Cable Landing Station (CLS) já instalada no município. Cinco mergulhadores atuam no enterramento do cabo na faixa de areia e na zona de surf, onde o material recebe uma malha de proteção adicional. "São navios altamente disputados no mercado mundial. Todo o trabalho é muito planejado para que o volume de imprevistos seja o mínimo possível", explicou Cícero Olivieri, vice-presidente de Engenharia da V.tal.
O trecho de praia onde o cabo chega está interditado durante a operação de aterrissagem. A prefeitura de Balneário Pinhal firmou um protocolo com a empresa para o isolamento da área enquanto durar o shore-end. Para o restante da cidade, o impacto desta fase é mínimo: a etapa de abertura de valas nas ruas urbanas, realizada entre meados de 2025 e março deste ano, já foi concluída, e a Rua João Guimarães Chile, a mais afetada pelas obras, será requalificada com recursos da própria V.tal em contrapartida pelos transtornos causados, segundo a prefeitura. O projeto de recuperação viária, avaliado em cerca de R$ 500 mil para mais de 550 metros de rua, "já foi enviado ao setor jurídico da empresa e prevê reasfaltamento de trechos que também não eram pavimentados antes da intervenção", adiantou o prefeito de Balneário Pinhal, Cezar Furini.
Em paralelo à instalação submarina, citou o prefeito, a V.tal avança nasrotas de fibra ótica terrestres que ligarão Balneário Pinhal a Porto Alegre. Uma das rotas segue pela RS-040, com trechos na região de Capivari; outra avança na direção de Cidreira, Glorinha e Gravataí pela Freeway. Segundo o prefeito, a empresa utiliza o método de perfuração não destrutiva, com aberturas de cerca de 20 centímetros de diâmetro no solo, sem abertura de vala, minimizando o impacto sobre a malha viária nas áreas por onde passa. "Acompanhei a passagem em Pinhal Verde e o serviço praticamente não deixou rastro visível", disse Furini. O cabo submarino seguirá do ponto de aterrissagem até o ponto de conexão com a rede principal, a cerca de 300 quilômetros da costa gaúcha, onde se integra ao cabo que liga São Paulo à Argentina.
Quando o sistema entrar em operação, Porto Alegre se tornará um hub internacional de conectividade para o Cone Sul, com acesso direto à Argentina, Estados Unidos e demais países da região, sem passar por São Paulo. O cabo terá capacidade de até 20 terabits por segundo e suportará circuitos de até 800 Gbps. Para Olivieri, o sistema representa o tripé do futuro digital: data centers, fibra ótica terrestre e cabos submarinos. "A demanda de tráfego para suportar inteligência artificial, cloud e streaming está crescendo de forma muito rápida e muito grande. O cabo submarino é fundamental nessa equação", afirmou.
Após a conclusão do lançamento, previsto para o final de outubro, os equipamentos passarão por testes ópticos, elétricos e de comunicação, incluindo inspeção por robôs submarinos. Os módulos instalados no fundo do mar são reconfiguráveis e projetados para operar por aproximadamente 25 anos. A estação de Balneário Pinhal conectará o sistema ao data center da Tecto e à estação da V.tal no bairro Bela Vista, em Porto Alegre.