Porto Alegre,

Publicada em 05 de Fevereiro de 2026 às 11:56

Cabo submarino em Balneário Pinhal coloca RS em rota mundial de dados

Intervenções urbanas iniciaram em novembro de 2025

Intervenções urbanas iniciaram em novembro de 2025

Departamento de Comunicação - Poder Executivo de Balneário Pinhal/Divulgação/JC
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
As obras de implantação do cabo submarino Malbec avançaram em Balneário Pinhal ao longo do segundo semestre de 2025 e chegaram a 2026 com frentes de escavação ativas no perímetro urbano. O projeto, conduzido pela V.tal, prevê a instalação de uma Cable Landing Station (CLS) - estação onde o cabo chega do oceano e se conecta à rede terrestre - e posiciona o Litoral Norte gaúcho como porta de entrada de uma nova rota internacional de dados para o Sul do País.
As obras de implantação do cabo submarino Malbec avançaram em Balneário Pinhal ao longo do segundo semestre de 2025 e chegaram a 2026 com frentes de escavação ativas no perímetro urbano. O projeto, conduzido pela V.tal, prevê a instalação de uma Cable Landing Station (CLS) - estação onde o cabo chega do oceano e se conecta à rede terrestre - e posiciona o Litoral Norte gaúcho como porta de entrada de uma nova rota internacional de dados para o Sul do País.
Segundo o prefeito Cezar Furini, o município foi procurado pela empresa ainda no início do ano passado. “Nós ficamos surpresos. Balneário Pinhal não costuma estar associada a esse tipo de infraestrutura, normalmente ligada a grandes capitais. Mas a escolha se deu por critérios técnicos, especialmente a geologia da nossa orla, que facilita a ancoragem e reduz o movimento do cabo no mar”, afirma. Concluída a etapa de licenciamento, as obras começaram no segundo semestre de 2025, com previsão de conclusão das estruturas associadas à CLS até meados de 2027.
As intervenções urbanas, mais precisamente, tiveram início em novembro, com a abertura de valas para a passagem do cabo enterrado, a cerca de um metro de profundidade, em padrão semelhante ao de redes pluviais e hidráulicas. Durante a alta temporada, o município solicitou a suspensão temporária das obras nas duas principais avenidas, para reduzir impactos no comércio e no trânsito. “A expectativa é encerrar essa etapa do pavimento nos próximos dois meses”, diz Furini. A ancoragem submarina propriamente dita está prevista para começar em 2027.
Do ponto de vista técnico, a CLS de Balneário Pinhal já está concluída e encontra-se em fase de aceitação, com vistorias e testes finais, segundo Cícero Olivieri, vice-presidente de Engenharia da V.tal. Em paralelo, o projeto avança na integração terrestre entre o Litoral e Porto Alegre, com a modernização de rotas de fibra óptica e o enterramento de trechos hoje aéreos, medida que busca ampliar a resiliência do sistema.
A partir de Balneário Pinhal, o cabo segue por duas rotas principais: uma ao longo da RS-040, em articulação com o governo estadual, e outra por via posteada em direção a municípios como Glorinha, nas proximidades de Santo Antônio da Patrulha. Os dados que chegam ao CLS serão direcionados a data centers em implantação na Região Metropolitana, criando redundância operacional e reduzindo a dependência de outros hubs nacionais.
Na prática, explica Olivieri, Porto Alegre passa a ter acesso direto a uma rota internacional de dados, com menor latência, maior capacidade e diversificação de caminhos. “Isso cria base para aplicações avançadas - de cloud e streaming a inteligência artificial e edge computing - e fortalece a integração do Sul com o Cone Sul”, argumenta.
No cotidiano da cidade, os efeitos têm sido pontuais. Conforme o prefeito, chegou a haver um episódio de impacto temporário em frente a uma pousada durante a abertura do asfalto, que precisou ser resolvido com intervenção do município junto à empresa. “O trecho urbano é curto, não chega a um quilômetro entre a beira-mar e a CLS, então não há necessidade de grandes intervenções”, pondera Furini.
Do ponto de vista fiscal, não há pagamento de royalties nem arrecadação direta de tributos para o município, já que o setor é regulado pela Anatel e a receita tributária é direcionada à União. A aposta, segundo o chefe do Executivo, é mais estratégica: “Balneário Pinhal entra no mapa da inovação, o que ajuda a atrair investimentos e negócios ligados à tecnologia”, afirma.
Concluída a fase urbana, o cronograma prevê a continuidade da construção do cabo, sua instalação no leito marinho e os testes de conectividade entre Balneário Pinhal e Porto Alegre. A entrada em operação ocorrerá após a validação técnica completa. O projeto do Malbec envolve tecnologia de última geração e parcerias internacionais, incluindo a Meta, e amplia a capacidade de tráfego de dados no Sul do Brasil.
Enquanto isso, a prefeitura acompanha o andamento das obras e promete manter a comunicação com a comunidade. “Não é um projeto que mude a rotina da noite para o dia, mas coloca a cidade em uma posição estratégica para o futuro”, resume Furini.

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