Com todas as licenças ambientais e urbanísticas concedidas ao longo de 2025, o Complexo Turístico Boulevard Varig Vive entrou em 2026 sem que as obras tenham, de fato, começado em Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha. Anunciado como um novo polo cultural e turístico da região, o empreendimento tem como peça central o Boeing 727 PP-VLD, última aeronave da frota da Viação Aérea Rio-Grandense (Varig), e prevê ainda a construção de hotel, memorial interativo e centro comercial às margens da RS-235, na Linha Imperial.
A Licença de Instalação definitiva foi entregue pela prefeitura em fevereiro de 2025 ao Grupo H2, responsável pelo desenvolvimento imobiliário do projeto, e à Associação Varig Vive, entidade formada por ex-funcionários da companhia aérea fundada em 1927 no Rio Grande do Sul e que encerrou suas atividades em 2006. Três meses depois, em maio, autoridades municipais participaram do descerramento da pedra fundamental do empreendimento, em um ato simbólico realizado em frente à aeronave.
Conforme o projeto apresentado, o Boulevard Varig Vive contará com um hotel de 100 quartos, memorial dedicado à história da Varig com experiências imersivas, centro comercial com opções de gastronomia e lojas, além de estacionamento. A expectativa é de geração de cerca de 200 empregos diretos e 80 indiretos. Ainda, a proposta arquitetônica foi concebida para dialogar com a topografia acidentada do terreno e com a paisagem local, incorporando diretrizes de sustentabilidade ambiental.
No entanto, apesar do avanço institucional, a Associação Varig Vive afirma que o cronograma do empreendimento não saiu do papel. Segundo o diretor-presidente da entidade, Oscar Bürgel, mesmo com todas as licenças liberadas em 2025, o início das obras previsto em contrato não ocorreu e, até o momento, não há sequer uma previsão para o começo da construção.
“Depois da liberação das licenças, houve apenas ações pontuais, como a limpeza da área. Nada do que estava estabelecido no contrato foi efetivamente iniciado”, afirma.
Segundo o representante dos ex-funcionários da companhia, o contrato firmado estabelece que o Grupo H2 seria responsável pelo aporte inicial de recursos e pela captação de investidores, enquanto à associação caberia a aquisição, o transporte e a preparação da aeronave. “Nossa parte foi cumprida. O Boeing foi comprado em leilão, desmontado, transportado e restaurado internamente. A complexidade desse processo sempre foi conhecida”, afirma.
O Boeing 727 PP-VLD pesa cerca de 40 toneladas e tem quase 46 metros de comprimento. A aeronave foi transportada de Porto Alegre para Nova Petrópolis no fim de 2021, em uma operação logística que exigiu escolta e autorizações especiais. Atualmente, o avião permanece instalado em uma área provisória, do outro lado da rodovia em relação ao local definitivo previsto para o memorial.
De acordo com a associação, a restauração interna da aeronave - incluindo cockpit e cabine - já foi concluída. A etapa externa e a montagem final, no entanto, dependem de recursos mais elevados e de uma infraestrutura que, segundo Bürgel, só seria viável com o avanço do empreendimento como um todo.
“Montar um Boeing não é algo simples. Envolve mecânicos de aviação especializados, guindastes para sustentar as asas, equipamentos pesados e custos altos com logística, hospedagem e mão de obra”, explica.
Outro ponto citado pela entidade é a estagnação na captação de investidores. Bürgel afirma que, ao longo dos últimos anos, apresentou potenciais parceiros ao Grupo H2, mas que as tratativas não avançaram. Diante do impasse, a associação passou a discutir o contrato como forma de tentar destravar o projeto.
Procurado, o empreendedor Uilham Hillebrand, do Grupo H2, informou que houve contato entre as partes, mas que, até o momento, não há nenhum acordo ou decisão formal firmada sobre os próximos passos do empreendimento. Ele acrescentou que não há atualizações sobre o cronograma e confirmou que a empresa segue em busca de investidores para viabilizar o projeto.