Porto Alegre,

Publicada em 27 de Julho de 2026 às 17:41

Projeto busca formalizar produtores de cachaça no RS

O Valoriza Cachaça mapeou mais de 100 famílias que produzem a bebida no Noroeste e Norte, mas apenas para consumo próprio

O Valoriza Cachaça mapeou mais de 100 famílias que produzem a bebida no Noroeste e Norte, mas apenas para consumo próprio

FreePik/Reprodução/Cidades
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Maria Vitória Marca
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O plantio de cana-de-açúcar, presente em municípios na costa do rio Uruguai como Machadinho, Barracão e Maximiliano de Almeida, criou na região Noroeste e Norte do Rio Grande do Sul uma produção cultural de cachaça, principalmente para consumo próprio. Assim, na tentativa de formalizar a produção da bebida e colocá-la no mercado nacional, o escritório da Emater de Passo Fundo apresentou o projeto Valoriza Cachaça. A iniciativa busca melhorar a qualidade do destilado produzido na região, que une condições climáticas favoráveis a um saber cultural sobre o produto. 
O plantio de cana-de-açúcar, presente em municípios na costa do rio Uruguai como Machadinho, Barracão e Maximiliano de Almeida, criou na região Noroeste e Norte do Rio Grande do Sul uma produção cultural de cachaça, principalmente para consumo próprio. Assim, na tentativa de formalizar a produção da bebida e colocá-la no mercado nacional, o escritório da Emater de Passo Fundo apresentou o projeto Valoriza Cachaça. A iniciativa busca melhorar a qualidade do destilado produzido na região, que une condições climáticas favoráveis a um saber cultural sobre o produto. 
Dos 42 municípios que compõem a Emater/RS regional de Passo Fundo, mais de 20 produzem cachaça, afirma Vilmar Leitzke, técnico responsável pelo projeto. Segundo ele, o microclima e o solo dessas cidades ajudam a produzir uma cana-de-açúcar mais adequada para a produção do destilado. “A cana-de-açúcar precisa acumular açúcar. Esse processo requer solos mais leves, principalmente próximo às costas dos rios, onde o frio não chega tão cedo. Assim, as canas conseguem ter teor de açúcar e um ponto de amadurecimento que favorece a produção da cachaça”, conta
Segundo levantamento feito pela Emater/RS para o projeto, cerca de 100 famílias agricultoras possuem produção artesanal da bebida. Entretanto, o predomínio é de produção para consumo próprio, entre 500 a 3.000 litros de cachaça por mês. Dos produtores contabilizados, apenas dois possuem fabricação formalizada e estão habilitados para comércio, com um volume de produção 10 vezes maior, entre 30 e 40 mil litros. “Na região, temos um produtor de 100 litros por mês, mas também temos outros perfis, como famílias que se juntam e produzem 2, 3 mil litros ou produtores que estão caminhando para as etapas de formalização junto ao Ministério da Agricultura, a fim de comercializarem os produtos”, explica Leitzke.
De acordo com o técnico, para a cachaça ser comercializada ela precisa ser credenciada junto ao Ministério da Agricultura. Durante este processo, a produção é fiscalizada para confirmar se passa por todas as etapas necessárias em questões de segurança sanitária e ambiental, afirma. “O processo de formalização organiza a produção, ou seja, o produto formalizado o consumidor sabe quem produziu a partir das informações no rótulo. Esse processo envolve até a questão tributária, por exemplo”.
O objetivo do projeto é qualificar a produção da cachaça para aumentar o número de produtores formalizados, além de trazer mais visibilidade à bebida da região. “Esses são produtores que têm a produção da cachaça para o consumo da família ainda não estão levando essa cachaça para o mercado. Muitas vezes, não está no mercado justamente porque o produtor não tem dimensão da qualidade do produto que ele tem”, destaca o técnico. 
O projeto finaliza com a Mostra Regional da Cachaça, em Camargo, no dia 21 de novembro. A ideia é apresentar na mostra cachaças da região, que passarão por fase eliminatória de análise laboratorial, assim caso forem identificados problemas técnicos, o produto não avança para as mesas de degustação. Também será composto júri técnico, com profissionais da área de pesquisa, e popular, para representar o consumidor da bebida. A expectativa é que a mostra seja realizada anualmente, com participação de cerca de 40 produtores nesta primeira edição.

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