As obras de modernização da
Barragem-Eclusa de Amarópolis, com
investimento de R$ 168,1 milhões do governo federal, e a movimentação para ocupação dos pavilhões do antigo Arsenal de Guerra estão no centro de um esforço da prefeitura de
General Câmara para reverter o ciclo de estagnação econômica que marcou o município nos últimos anos. Para o prefeito Márcio Brandão, os dois movimentos são complementares e podem representar uma
inflexão no desenvolvimento local. "Pode ser uma virada de chave no nosso município", afirmou.
A eclusa, localizada no Rio Jacuí, foi inaugurada em 1974 e concentra hoje o maior volume de tráfego entre as eclusas administradas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) na Região Sul. Em 50 anos de operação, nunca havia recebido uma reforma integral. A estrutura opera atualmente com limitações decorrentes das enchentes de 2024, que arrancaram comportas e comprometeram sua capacidade de retenção de água, o que afeta, inclusive, as lagoas de pesca da comunidade de Santo Amaro, explica o prefeito. A empresa vencedora da licitação, o Consórcio Amarópolis, já iniciou a seleção de mão de obra com prioridade para moradores do município, e a ordem de serviço foi assinada. As obras têm contrato vigente até dezembro de 2027.
A importância estratégica da eclusa vai além dos limites do município. Juntamente com as barragens de Fandango, em Cachoeira do Sul, e Anel de Dom Marco, em Rio Pardo, ela compõe um eixo de cerca de 300 quilômetros de vias navegáveis ao longo do Rio Jacuí, integrando um sistema de aproximadamente 880 quilômetros de hidrovias internas que conecta o interior gaúcho ao Porto de Rio Grande. "A grande parte da areia que atende todo o Estado sai daqui. Para nós é fundamental fomentar o comércio e a trafegabilidade das embarcações", disse Brandão.
"Para nós é fundamental fomentar o comércio e a trafegabilidade das embarcações", defende Brandão
André Liziardi/Prefeitura de General Câmara/Divulgação/Cidades
O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, que esteve em General Câmara no fim de junho para a assinatura da ordem de serviço, classificou a modernização como
avanço estratégico para a infraestrutura hidroviária brasileira, conforme noticiou o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) na época. Na ocasião, a prefeitura também aproveitou o encontro para apresentar uma proposta técnica ao governo federal, no âmbito da Consulta Pública do Sistema Aquaviário Integrado do Sul, pleiteando o reconhecimento do potencial logístico da área do
Grupo de Armazéns GA1, às margens do Rio Taquari, para integrar o planejamento aquaviário da Região Sul.
O GA1 fica a cerca de cinco quilômetros do Rio Jacuí e tem acesso ao Porto de Rio Grande pelo sistema hidroviário. Segundo a prefeitura, a estrutura resistiu sem avarias às enchentes de 2023 e 2024 e reúne características favoráveis para empreendimentos voltados à construção naval, fabricação de estruturas metálicas, terminais hidroviários e centros logísticos. A proposta municipal pede que o local seja incluído nos estudos técnicos do sistema aquaviário, mesmo não estando contemplado na proposta original do SAIP Sul-Mirim.
A expectativa do prefeito é que, dentro de um ano, as primeiras empresas já estejam instaladas nos pavilhões do antigo Arsenal. Para viabilizar a atração, a prefeitura estuda oferecer incentivos fiscais como a dedução de impostos, em contrapartida à geração de empregos. "Nosso propósito é trazer empresas e dizer que estamos à disposição para dialogar e achar a melhor maneira de instalá-las aqui", afirmou Brandão.