Porto Alegre,

Publicada em 08 de Junho de 2026 às 09:47

Bagé amplia racionamento de água para 16 horas por dia

Barragem da Sanga Rasa, principal fonte de abastecimento em Bagé, chegou a mais de nove metros negativos, segundo o Daeb

Barragem da Sanga Rasa, principal fonte de abastecimento em Bagé, chegou a mais de nove metros negativos, segundo o Daeb

Tamile Padilha/Daeb/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
O racionamento de água em Bagé, na região da Campanha, que acontece sem interrupções desde o início do ano, foi ampliado para 16h horas diárias nesta segunda-feira (8). Segundo um informe divulgado pelo Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), a decisão foi tomada "devido à escassez de chuvas significativa e consequente queda crítica dos níveis das barragens que abastecem o município".
O racionamento de água em Bagé, na região da Campanha, que acontece sem interrupções desde o início do ano, foi ampliado para 16h horas diárias nesta segunda-feira (8). Segundo um informe divulgado pelo Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), a decisão foi tomada "devido à escassez de chuvas significativa e consequente queda crítica dos níveis das barragens que abastecem o município".
O setor 1, que abrange cerca de metade da população de Bagé, será abastecido das 04h da manhã ao meio-dia. Já o setor 2 receberá água das 16h à meia-noite. Desde 2 de março, o contingenciamento estava em 12 horas diárias.
De acordo com o Daeb, todos os meses do ano tiveram chuvas abaixo da média em Bagé. Em maio, a Estação de Tratamento de Água (ETA) registrou apenas 94,4 milímetros de precipitação. Assim, as barragens não conseguem se recuperar. A Sanga Rasa já está com 9,10 metros negativos e a barragem do Piraí está 3,65 metros abaixo do normal. “Temos que ser muito cautelosos neste momento para evitar um colapso no sistema de abastecimento. O aumento do racionamento é inevitável neste momento”, afirma o diretor geral do Daeb, Max Meinke. Ele ressalta ainda a importância de todos realizarem práticas de uso racional da água. Segue proibida a lavagem de carros e fachadas de prédios.
Meinke explica que o racionamento foi ampliado de forma gradual ao longo do ano. A primeira etapa foi preventiva, com 12 horas de restrição por 36 horas com abastecimento. Em seguida, passou para a proporção de 12 horas por 12, e agora chegou às 16 horas diárias sem água. A Sanga Rasa, barragem com capacidade total de 12 metros, está a mais de nove metros abaixo do nível normal, ou seja, próxima ao fundo. "Se a gente não adotar uma providência mais radical agora, corremos o risco do colapso e de ter que fornecer só seis horas de água", disse o diretor.
Sem qualquer chuva, os técnicos do Daeb calculam que o município teria 60 dias de abastecimento disponíveis. A perspectiva, porém, mudou levemente: choveu entre domingo e esta segunda-feira, acima do previsto nas barragens, o que não reverte a situação, mas oferece alguma sobrevida ao sistema. Para que o racionamento seja cancelado, seria necessária uma chuva muito significativa em curto espaço de tempo. "Em dois meses, com chuvas dentro do normal e considerando que é inverno, com redução no consumo, acredito que seja possível voltar ao normal", estimou Meinke.
Há um ponto de alívio na estrutura de abastecimento: a barragem emergencial, responsável por 25% da água bruta tratada na ETA, está cheia. Ela está localizada no mesmo local onde o Exército constrói a nova barragem da Arvorezinha. Quando concluída, prevista para os próximos dois anos, a nova estrutura mais que quadruplicará a capacidade total de reservação do município, prevê Meinke. "Aí sim dá para dizer que Bagé vai virar essa página do racionamento periódico", disse o diretor do Daeb.
Meinke lembra que este é o 12º racionamento nos últimos 20 anos e o 5º nos últimos seis, o que levou a cidade a não decretar situação de emergência neste ano — diferentemente de 2024. "A realidade ensina. A população já está acostumada, reclama com razão, mas sabe economizar", disse. O exaurimento hídrico completo ocorreu pelo menos duas vezes na história recente do município: em 1989, quando foi necessário buscar água de pipa em pedreiras, e nos anos 2000, quando o então coordenador de defesa civil era o próprio Meinke.
O informe do Daeb pontua que o órgão irá otimizar a entrega de água via caminhão-pipa, a fim de auxiliar o abastecimento nas pontas de rede. O pedido deve ser realizado através da nossa Central de Serviços pelos telefones (53) 3240 7800 e 115.

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