Porto Alegre,

Publicada em 27 de Março de 2026 às 14:38

Estiagem mantém racionamento e pressiona abastecimento em Bagé

Em março, Sanga Rasa chegou a sete metros abaixo do nível normal, enquanto a barragem do Piraí opera com déficit de 3,15 metros

Em março, Sanga Rasa chegou a sete metros abaixo do nível normal, enquanto a barragem do Piraí opera com déficit de 3,15 metros

Tamile Padilha/Prefeitura de Bagé/Divulgação/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
A estiagem prolongada e a baixa capacidade das barragens mantêm Bagé, na região da Campanha, sob racionamento de água desde o fim de janeiro, em um cenário que se repete com frequência nos últimos anos. O município vive atualmente o sexto racionamento em sete anos, e o 12º desde 2005, reflexo de um problema estrutural aliado a condições climáticas adversas. “A situação do abastecimento de água é crônica do município”, afirma o diretor-geral do Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), Max Meinke.
A estiagem prolongada e a baixa capacidade das barragens mantêm Bagé, na região da Campanha, sob racionamento de água desde o fim de janeiro, em um cenário que se repete com frequência nos últimos anos. O município vive atualmente o sexto racionamento em sete anos, e o 12º desde 2005, reflexo de um problema estrutural aliado a condições climáticas adversas. “A situação do abastecimento de água é crônica do município”, afirma o diretor-geral do Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), Max Meinke.
O alívio, ainda que temporário, deve chegar ao longo dos próximos meses. A previsão climática indica que a transição para o fenômeno El Niño deve trazer aumento das chuvas a partir de maio, o que pode contribuir para a recuperação gradual dos níveis. “Nós esperamos uma normalização com a consolidação do El Niño, mas não imediata”, pondera.
Mesmo sem decreto de situação de emergência, o que foi necessário no ano passado em decorrência de milhões de prejuízo aos produtores rurais, o quadro exige atenção. Segundo Meinke, a decisão se deve ao impacto mais moderado da estiagem sobre o setor agropecuário. “Nós tivemos chuvas fracas e mais constantes, o que deu uma condição intermediária para a agricultura, sem caracterizar perdas suficientes para justificar o decreto”, explica. Ainda assim, essas precipitações foram insuficientes para recompor os níveis dos reservatórios.
Dados mais recentes mostram o agravamento do cenário. Em março, foram registrados 69,1 milímetros de chuva, abaixo da média histórica de 109 milímetros. Com isso, a Sanga Rasa chegou a sete metros abaixo do nível normal, enquanto a barragem do Piraí opera com déficit de 3,15 metros. “Para a recuperação dos reservatórios de água, essa chuva foi insuficiente”, reforça o diretor.
Atualmente, o abastecimento depende de um sistema limitado, composto pelas barragens da Sanga Rasa e do Piraí, além de fontes complementares. Uma delas é a chamada barragem emergencial, responsável por cerca de 25% da água utilizada, e a Pedreira, que contribui com aproximadamente 5% do fornecimento. O racionamento segue um ciclo de 12 horas, mas nem todos os moradores são impactados da mesma forma.
“As pessoas que mais sofrem são aquelas nas pontas de rede e em locais mais altos, onde a água demora a chegar, e principalmente quem não tem reservatório em casa”, destaca Meinke. Ele ressalta que moradores com caixas d’água acabam sentindo menos os efeitos, o que reduz o engajamento geral nas medidas de economia. “A gente percebe um baixo engajamento da população no racionamento”, afirma.
Para enfrentar o problema, o município aposta na conclusão da Barragem da Arvorezinha, considerada a principal solução estrutural para o abastecimento. Com investimento superior a R$ 130 milhões, a obra terá capacidade para armazenar 18 milhões de metros cúbicos de água, mais de quatro vezes o volume atual disponível. “Essa obra vai resolver o problema de abastecimento da cidade”, projeta o diretor.
A construção está em andamento sob responsabilidade do Exército Brasileiro, com foco atual na finalização do vertedouro, etapa considerada a mais complexa. A expectativa é que ainda neste ano seja possível utilizar parcialmente a estrutura. “Quando o vertedouro estiver pronto, já vamos conseguir captar água dali, antes mesmo da conclusão total da barragem”, explica Meinke.
Enquanto isso, a gestão hídrica permanece em regime de crise. Equipes do Daeb atuam 24 horas por dia em manobras operacionais para garantir o abastecimento mínimo. “Estamos lidando com uma estrutura limitada para uma cidade de 110 mil habitantes. É uma gestão de crise”, resume Meinke.

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