Porto Alegre,

Publicada em 29 de Maio de 2026 às 18:08

Produtores de queijo artesanal gaúcho usam concursos para divulgar produtos

Queijos maturados feitos com leite de ovelha são a especialidade do Terroir da Vigia, de Santana do Livramento

Queijos maturados feitos com leite de ovelha são a especialidade do Terroir da Vigia, de Santana do Livramento

Lívia Araújo/Especial/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
Produtores de queijo artesanal e doce de leite de diferentes regiões do Rio Grande do Sul participam, até domingo (31), da quarta edição do Concurso de Queijos e Doces de Leite Artesanais do RS, realizado na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. A principal atração do evento, promovido pela Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios Artesanais (AGL) e pelo Sebrae RS, foi a feira, aberta ao público, que reúne 40 expositores. Além de queijo e doce de leite, vinhos, azeite e geleias completaram o mix de produtos. 
Produtores de queijo artesanal e doce de leite de diferentes regiões do Rio Grande do Sul participam, até domingo (31), da quarta edição do Concurso de Queijos e Doces de Leite Artesanais do RS, realizado na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. A principal atração do evento, promovido pela Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios Artesanais (AGL) e pelo Sebrae RS, foi a feira, aberta ao público, que reúne 40 expositores. Além de queijo e doce de leite, vinhos, azeite e geleias completaram o mix de produtos. 
Junto com o concurso técnico, que premiará categorias ouro e prata em quatro tipos de queijo e doce de leite, além do prêmio principal, a programação inclui um seminário e oficinas de harmonização, se consolidando como um espaço de qualificação e visibilidade do setor de laticínios no estado.
Para Aline Balbinoto, especialista em Leite e Derivados do Sebrae RS, o evento reforça a dimensão cultural do produto. "A ideia é conectar o consumidor urbano com produtos que estão mais distantes da Capital. Muitas vezes o consumidor nem sabe a variedade e a qualidade dos queijos e doces de leite do estado, que recebem premiação a nível nacional e até em concursos internacionais", afirmou.
O concurso avalia os produtos por meio de um corpo de jurados que inclui queijistas, sommeliers de queijo, técnicos em processamento de laticínios, jornalistas gastronômicos, pesquisadores e fiscais agropecuários. Para o coordenador técnico do evento, Danilo Cavalcante Gomes, o retorno que os produtores recebem dos jurados vale mais do que as medalhas em si. "O objetivo dos concursos, mais que entregar medalhas, é esse produtor receber um feedback de um grupo altamente qualificado, que vai contribuir para uma análise sensorial completa e para implementar melhorias dentro da sua queijaria", explicou. Segundo ele, o nível de exigência do concurso tem aumentado a cada edição justamente porque a qualidade dos produtos também cresceu.
Feira de queijos reuniu mix de produtos de 40 produtores do interior do Estado, que realizaram venda direta ao público | MAURICIO CONCATTO/SEBRAE/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Feira de queijos reuniu mix de produtos de 40 produtores do interior do Estado, que realizaram venda direta ao público MAURICIO CONCATTO/SEBRAE/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Entre as categorias em expansão, os queijos autorais se destacam. São produtos concebidos individualmente por cada produtor, com receitas exclusivas que não podem ser reproduzidas por outros, diferente do queijo colonial e do serrano, que são referências identitárias do estado, mas que admitem reprodução por diferentes produtores sob suas próprias marcas. "O queijo autoral nasce com a criatividade do produtor, para homenagear uma cidade, uma região ou alguém da família. O céu é o limite", descreveu Balbinoto. Gomes complementa que é nos queijos autorais que a inovação do setor gaúcho mais se manifesta: "É a forma do produtor colocar a digital dele, do território, das mãos dele, da família dele nesse queijo."
O crescimento do setor, no entanto, ainda enfrenta desafios de distribuição. Gomes avalia que os produtores gaúchos conquistam reconhecimento técnico em nível nacional e internacional, mas precisam ampliar presença nas redes varejistas e em mercados de outros estados. As enchentes de 2024, paradoxalmente, ajudaram a abrir novos canais: a solidariedade de consumidores de fora do RS gerou demanda e aproximou produtores gaúchos de compradores que antes não os conheciam. "Já avançamos, mas é uma coisa que ainda pode ser muito mais do que está hoje", avaliou o coordenador.
Para Balbinoto, o caminho passa também pela diversificação dos canais de venda e pelo fortalecimento do Selo Arte, que permite a comercialização dos produtos artesanais em âmbito nacional. "Com o conhecimento das pessoas e a busca por esses produtos, a gente consegue cada vez mais encontrá-los além das feiras", disse a especialista do Sebrae RS.

Queijos e doces de leite de ovelha ganham espaço e despertam interesse do público

O leite de ovelha também é a matéria prima do doce do laticínio La Serrana, de Barros Cassal, ganhadora do concurso do ano passado

O leite de ovelha também é a matéria prima do doce do laticínio La Serrana, de Barros Cassal, ganhadora do concurso do ano passado

Lívia Araújo/Especial/Cidades
O leite de ovelha é uma tendência em ascensão no mercado dos laticínios no RS, e foi uma das estrelas do evento. Danilo Gomes, da AGL, afirmou que o número de amostras de queijos e doces de leite feitos com esse tipo de leite surpreendeu nesta edição do concurso, refletindo um crescimento expressivo da ovinocultura leiteira no estado.
O movimento é visível tanto nos dados do concurso quanto nas histórias dos produtores. Graciela Pinheiro, do Terroir da Vigia, de Santana do Livramento, começou a produzir queijo de leite de ovelha há sete anos quase por acaso. O projeto original era um vinhedo orgânico, e as ovelhas entraram como fornecedoras de adubo para as videiras. "Já que a gente tem ovelha, vamos experimentar fazer queijo", lembrou.
Da experimentação, surgiu uma linha de queijos autorais que hoje inclui o Etchekoa, semiduro e maturado, apontado pela produtora como o favorito do público. Na primeira edição da feira que participou, o Terroir da Vigia era o único produtor de queijo de leite de ovelha presente. Na edição deste ano, são quatro. "A gente vê que as pessoas estão começando a abrir os olhos para o potencial da ovinocultura leiteira", celebrou. Ela levou para a feira cerca de 100 kg das variedades que produz, com a expectativa de vender tudo até o final do domingo (31).
Em Barros Cassal, Denise Niedermayer, do Laticínio La Serrana, trilhou caminho semelhante ao de tantos outros empreendedores do setor: foi pelo concurso que a marca ganhou visibilidade. Na primeira participação da empresa, o doce de leite da La Serrana conquistou o super ouro, a maior premiação da categoria, sendo reconhecido como o melhor doce de leite artesanal do Rio Grande do Sul. Mais recentemente, o produto repetiu o feito no 4º Mundial do Queijo, que aconteceu em São Paulo no mês de abril. O diferencial está na matéria-prima: o doce é produzido exclusivamente com leite de ovelha. "O sabor diferencia, só experimentando para saber", resumiu a produtora, que hoje comercializa os produtos em feiras, pelas redes sociais e por meio de representantes em diferentes pontos de venda.

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